São Paulo apresenta a relação renda/gasto mais negativa do país

Lares com auxílio governamental gastaram mais com alimentos básicos; mais da metade dos consumidores precisa de crédito.

São Paulo foi o estado que apresentou a relação renda/gastos dos domicílios mais negativa do Brasil. Intitulado Domestic View, o estudo da Kantar entrevistou virtualmente 5.779 lares no final de 2020. A amostra representa 57 milhões de lares brasileiros. Foram avaliadas sete áreas no que se refere a despesas que impactaram o bolso durante a pandemia em 2020, incluindo alimentação, moradia, serviços públicos, higiene pessoal e limpeza. Tanto na Grande São Paulo quanto no interior, a renda média mensal ficou 19% menor do que os gastos. Na primeira região, em que 53% receberam auxílio governamental e 48% não, a relação foi R$ 1.444 contra R$ 1.775. E na segunda, em que 47% receberam e 53% não, foi R$ 1.464 contra R$ 1.807.

Os lares com auxílio governamental gastaram mais com alimentos básicos, enquanto os sem priorizaram indulgência e frutas, legumes e verduras. Na Grande São Paulo, nos lares que receberam o auxílio, o consumo de carnes, aves, ovos e peixes representou 30%, seguido por frutas, legumes e verduras, com 15%, salgadinhos e doces (8%) e pratos congelados prontos (5%). Já no interior esses percentuais foram 31%, 15%, 9% e 5%, respectivamente.

Considerando o Brasil todo, o estudo indica que 67% dos lares brasileiros estão endividados, e esse número sobe para 69% se considerarmos somente as classes C e DE. O consumo de alimentos e bebidas dentro do lar, higiene e limpeza caseira representou quase 60% dos gastos nas classes DE em 2020, enquanto despesas em lazer, habitação e bebidas dentro de casa ficaram concentradas nas classes AB.

As classes DE foram mais impactadas com gastos com habitação, passando de 18% em 2019 para 22% em 2020, e no setor de alimentação aumentaram o consumo de frutas, legumes e verduras, igualando esses gastos aos das classes AB.

Ainda no setor de habitação, o estudo aponta um importante movimento da classe DE migrando do aluguel para o financiamento, passando de 5% dos gastos em 2019 para 12% em 2020, reflexo de juros baixos e taxas atrativas para aquisição de moradia própria ou para investimento, que levaram a um aumento do mercado de financiamento imobiliário em 2020. Enquanto isso, as classes AB diminuíram gastos com trabalhadores domésticos (-3 p.p. em relação a 2019) e com manutenção/reforma (-8 p.p.).

O aluguel de imóveis representou ¼ dos gastos de quase 17% das famílias no ano passado, principalmente das classes CDE. Os lares das classes AB e DE que pagam aluguel diminuíram gastos com alimentação e priorizaram outras cestas de consumo, como bebida alcoólica e artigos de limpeza nas classes AB, e higiene pessoal e FLV (frutas, legumes e verduras) nas classes DE. A classe C foi a única que manteve os gastos com alimentação, mesmo pagando aluguel, com destaque para doces, salgadinhos e pratos prontos congelados.

Entre os gastos com serviços públicos, energia elétrica foi o que mais pesou no bolso do brasileiro durante 2020. As classes mais baixas foram as mais afetadas, chegando a uma variação de 30% em relação a 2019.

Já levantamento da Boa Vista indica que mais da metade dos consumidores precisam de crédito no atual cenário econômico.

Dos consumidores que alegam a necessidade de crédito, quase metade deles opta por soluções mais tradicionais para equilibrar as finanças: 49% pretendem solicitar empréstimos em bancos e financeiras. Como alternativa, 29% dos entrevistados dizem que irão escolher o cartão de crédito, seja de bancos, seja de lojas. A pesquisa teve como objetivo identificar novos hábitos e perspectivas de compra dos consumidores brasileiros diante do momento atual da economia.

Com o avanço da crise, em 2021, 82% dos consumidores disseram ter revisado seu orçamento doméstico.

A pesquisa foi feita por meio de entrevistas online, realizadas entre 13 a 31 de maio, com consumidores que buscaram informações e orientações no site Consumidor Positivo da Boa Vista; contou com a participação de aproximadamente 300 respondentes, considerando homens e mulheres representantes das diferentes classes sociais e regiões do país. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o grau de confiança é de 80%.

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