São Paulo passa de 21 mil mortes por coronavírus

Ocupação de leitos de UTI é de 66,1% no estado e de 63,6% na capital.

São Paulo / 16:54 - 24 de jul de 2020

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Com 312 óbitos contabilizados nas últimas 24 horas, o estado de São Paulo soma hoje 21.206 mortes provocadas pelo novo coronavírus (Covid-19).

Nesta sexta-feira, o estado voltou a registrar um número alto de novas ocorrências. Foram 11.221 nas últimas 24 horas, acima da média esperada por dia, entre sete mil e oito mil. Segundo o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, isso ainda é reflexo de um represamento de dados que ocorreu após um problema no sistema do e-SUS do Ministério da Saúde.

"É um total que ainda está acima daquela média móvel do número de casos que vínhamos vendo até o dia 17. Isso muito possivelmente seja pelo represamento desses dados que ocorreram em decorrência de um problema técnico, uma instabilidade no sistema. Mas claro que estamos muito atentos para saber se isso. "

Ontem, por meio de nota, o Ministério da Saúde esclareceu "que alguns estados apresentaram dificuldade para preencher os dados sobre Covid-19 no sistema durante o final de semana (18 e 19)" e que os auxiliou prontamente na resolução do problema.

Com essas novas ocorrências, o estado de São Paulo soma agora 463.218 casos confirmados do novo coronavírus, com 311.502 curados, sendo 62.731 deles após receberam alta médica.

Há 5.816 pessoas internadas em UTIs em todo o estado em casos suspeitos ou confirmados, além de 8.477 internadas em enfermarias. A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 66,1% no estado e de 63,6% na Grande São Paulo.

Medidas como o fechamento de escolas e comércio, embora insuficientes, ajudaram a diminuir a taxa de transmissão do novo coronavírus no Brasil. Esse é um dos resultados de uma pesquisa levada a cabo por 15 instituições brasileiras em parceria com universidades britânicas e que realizou o sequenciamento de 427 genomas do novo coronavírus SARS-CoV-2.

O estudo contou com amostras colhidas de pacientes positivos para a Covid-19 entre os meses de março e abril, em 85 municípios de 21 estados brasileiros, e foi publicado ontem na revista científica estrangeira "Science". Segundo os pesquisadores, esse é o maior estudo de vigilância genômica da Covid-19 na América Latina.

Os pesquisadores combinaram dados genômicos da SARS-CoV-2, com dados epidemiológicos e de mobilidade humana para investigar a transmissão do vírus em diferentes escalas e o impacto das medidas de intervenção não farmacêuticas (INFs) no controle da epidemia no país, entre as quais o fechamento de escolas e do comércio, que ocorreu no final de março. Os resultados demonstram que as medidas INFs, embora consideradas insuficientes, ajudaram a diminuir a taxa de transmissão do vírus. No início da pandemia, essa taxa de transmissão foi estimada como superior a 3, passando para valores entre 1 e 1,6 em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas segundo disse à Agência Brasil a pesquisadora Ana Tereza Vasconcelos, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI), como o isolamento não teve continuidade, "o número deve ter aumentado de novo".

As amostras do estado do Rio de Janeiro vieram, em sua maioria, do Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenado por Amilcar Tanuri, e foram sequenciadas e processadas no Laboratório de Bioinformática do LNCC/MCTI, coordenado por Ana Tereza Vasconcelos, que sequenciou também amostras de Minas Gerais e de outros lugares do país. Ela não tem dúvida de que esse é o maior projeto de vigilância feito no Brasil até agora.

Os pesquisadores identificaram mais de 100 entradas distintas do vírus no país originárias principalmente da Europa. A maior parte dessas introduções foi identificada nas capitais com maior incidência de voos internacionais, com destaque para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.

De acordo com a pesquisa, somente uma pequena parcela dessas introduções resultou nas linhagens espalhadas por transmissão comunitária no país.

O estudo apurou que 76% dos vírus detectados até o final de abril estão agrupados em três grandes grupos, também chamados "clados" (grupos de espécies com um ancestral comum exclusivo), que foram introduzidos entre o final de fevereiro e o início de março e se espalharam rapidamente pelo Brasil antes do início das medidas de isolamento social.

 

Com informações das Agência Brasil

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