Sardinha teme transferência de recursos do Brasil para o exterior

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Empresas brasileiras com sócios estrangeiros devem ter o cuidado na hora de celebrar a associação, para que não se corra o risco de transferir capital do Brasil para o exterior, alertou Luiz Tarquínio Sardinha Ferro, presidente da Previ (o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), apesar de fazer questão de frisar não ser contra o capital estrangeiro. “Não tenho nenhuma xenofobia em meu coração”, salientou.
Apesar de dirigir o maior fundo de pensão brasileiro e o maior investidor na área de siderurgia, com volume de 26% do capital da Acesita, Usiminas, Cosipa e CSN, entre outras, Tarquínio preferiu manter “silêncio” sobre futuras aquisições no setor, principalmente sobre a hipótese de ampliação de investimentos, caso haja fusão entre a Arped e a Vicunha.
Ele também negou “estar envolvido” na aquisição de ações no setor petroquímico, apesar de aconselhar a pulverização dos investimentos. Segundo o presidente da Previ, 58% dos investimentos da entidade estão em renda variável . Mesmo assim, reclamou estar disputando em desigualdade com os investidores que vêm para o Brasil, com mercados de capitais muito mais desenvolvidos. O problema se reflete na falta de consolidação do processo de estabilização brasileiro, cujos principais problemas são o déficit público e a falta de poupança interna. Em conseqüência, a situação das finanças públicas é que faz o mercado de capitais ser pequeno. Resolvidas as questões pelo governo brasileiro, crê Tarquínio, o país entra na rota do desenvolvimento.
Segundo o presidente da Previ, a previdência privada é a principal alavanca de crescimento e desenvolvimento no mundo. Nos Estados Unidos, os fundos representam 85% do PIB e os investimentos em ações, 58% deste patrimônio. “O que revela a necessidade de se incentivar este tipo de entidades no Brasil. É importante que as empresas criem fundos de pensão para seus funcionários”, assinala. Existem três projetos, em tramitação no Congresso, conta, que precisam refletir esta necessidade. Nesse projetos, ele defende que os fundos não sejam tributados durante a capitalização, mas quando o contribuinte passar a receber o dinheiro. “Se não, ele vai ser tributado duas vezes”, diz.

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