Saúde, economia e recuperação

Por Ranulfo Vidigal.

Opinião / 16:22 - 20 de mai de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

É falso o suposto dilema entre qualidade/quantidade de bem-estar da classe trabalhadora e da sua força de trabalho e medidas de lockdown/quarentena na atividade produtiva.

As melhores experiências internacionais de superação da crise sanitária ficaram com as sociedades que se utilizaram de bases de dados georreferenciadas nos campos da saúde e da economia confiáveis.

Na saúde, para ter capacidade de testar os indivíduos como forma de organizar o mapa territorial e combater os focos da endemia, sem prejudicar todos os setores estratégicos da economia.

Daí identificar as “conurbações” das cidades de porte médio, como Campos e Macaé, em relação às cidades rurais como São Francisco de Itabapoana. O grau de densidade populacional altera a lógica da curva da pandemia e exige tratamentos diferenciados do problema concreto.

Outra vertente básica é ter o mapeamento das grandes cadeias produtivas das municipalidades georreferenciadas, no caso de petróleo e gás, agronegócio, serviços públicos, indústrias, comércio de alimentos, oferta de equipamentos culturais, para assim, tentar fazer a melhor forma de gerir a recuperação que surgirá em algum momento no espaço municipal. A crescente hipótese de uma vacina disponível até o final de 2020 anima todos.

Vejamos um breve exemplo da capital do açúcar fluminense, Campos. Pelas minhas estimativas, cada semana de lockdown/quarentena custa à sociedade cerca de R$ 100 milhões. Notadamente para os serviços e para o comércio local.

Quanto ao impacto no pós-pandemia, teremos dois grandes blocos.

Em primeiro plano nos hábitos, onde muito provavelmente vamos experimentar um maior uso de ferramentas digitais para incrementar vendas e nos comunicar/termos acesso à informação.

Além disso no trabalho haverá intensificação do home office impactando a demanda por escritórios e mudando o mix na construção civil imobiliária.

No campo das políticas públicas, temos algumas lições, como a necessidade de incremento da segurança alimentar, renda básica de cidadania (definitiva), saúde pública (vacinação em massa), segurança energética e cibernética. Cooperação é a palavra chave na saída dessa crise que trouxe grandes lições.

Ranulfo Vidigal

Economista.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor