SEG NOTÍCIAS - As consequências da pandemia no mercado de seguros

Live da ANSP debateu o assunto com especialistas da CNSeg e do Sincor-SP.

Seguros / 17:28 - 29 de mai de 2020

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"A pandemia vai passar, mas o vírus de mudanças no setor segurador, não". Esse parece um diagnóstico comum dos especialistas que participaram do evento Café com Seguros da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP), por meio da live "As consequências econômicas da pandemia no Mercado de Seguros" ocorrida nesta quarta-feira. Entre os debatedores, o diretor técnico e de Estudos da CNseg, Alexandre Leal. A seu lado, o economista Francisco Galiza, o corretor de seguros Arnaldo Odlevati Júnior, do Sincor-SP, Paulo Marraccini, vice-presidente da ANSP e João Marcelo dos Santos, presidente da ANSP. O painel foi mediado pelo jornalista Paulo Alexandre.
Inicialmente, Alexandre Leal, assim como fizera Francisco Galiza, destacou que a guinada digital do setor, que colocou praticamente 100% de seu quadro funcional em regime de home office para protegê-lo da pandemia a partir de março, demonstrou alta eficiência e um avanço enorme de gestão ao manter o padrão de seus serviços remotamente prestados a segurados e corretores de seguros.
Ele falou sobre perspectivas do setor e reconheceu que o ambiente de negócios se tornou muito mais desafiador em função da pandemia. Ainda que a trajetória do setor apresente crescimento na média móvel de 12 meses fechados até março ou no resultado do trimestre, os primeiros sinais de desaceleração de prêmios são visíveis no comparativo mês a mês (na margem), uma tendência que deve se aprofundar durante todo o ano.
Reforça essa percepção o fato de o setor seguir o rastro da economia - e os dados mais recentes indicam uma recessão de 6% do PIB neste ano - e dos impactos disso sobre a renda e emprego. De qualquer forma, o setor se comporta de forma resiliente em períodos de crises, apresentando historicamente um desempenho sempre melhor que a média da economia em geral, acrescentou ele.
A pandemia, pelo lado do sinistro, deve pressionar as carteiras de saúde suplementar e o seguro de vida, no segmento de benefícios, e produzir alguma contaminação no resultado de carteiras de Danos e Responsabilidades, como é o caso do seguro de Automóvel, propenso a conviver com uma queda na sinistralidade, efeito direto da quarentena e restrição ao funcionamento das atividades não essenciais, acompanhada de retração de receitas de prêmios, uma decorrência direta da recessão.
Alexandre Leal manifestou preocupação com os impactos da agenda legislativa sobre o setor, caso algumas de suas propostas prosperem, já que podem agravar a taxa de sinistralidade e afetar as receitas das empresas, simultaneamente. Há projetos que estabelecem o pagamento de eventos relacionados à pandemia, não cobertos pela apólice, sem a contrapartida de prêmios, e a manutenção de coberturas a inadimplentes, criando um ambiente de muita incerteza.
Outros temas do debate foram a demanda de crescente proteção de seguros pelos consumidores, com cenários promissores para as apólices de Vida, Previdência e Riscos Cibernéticos gradualmente, a necessidade de os corretores diversificarem sua produção, ainda muito concentrada em Automóvel, os impactos do home office na concentração de renda, o uso de tecnologias para antever riscos, inclusive novas pandemias, e o consenso de que o mercado se tornará mais robusto nos próximos anos.
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Cobertura prevista em norma coletiva A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve condenação imposta à Petrobras Transporte S.A. (Transpetro) e à Petróleo Brasileiro S.A. de pagamento de indenização de R$ 50 mil a um técnico de automação que, após sofrer acidente rodoviário, teve um procedimento cirúrgico negado pelo plano de assistência médico-hospitalar das empresas. Segundo a Turma, a cobertura do plano se dava por força de norma coletiva, e não por mera liberalidade da empresa.
Na reclamação trabalhista, o técnico disse que, em razão do acidente grave, ocorrido no transporte fornecido pela empresa, precisou de uma cirurgia na coluna lombar denominada nucleoplastia, para fixação de espaçadores entre as vértebras. Entretanto, o procedimento não foi autorizado, em descumprimento ao programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS), custeado em parte pelos empregados e mantido pelas empresas.
O juízo da 1ª Vara do Trabalho de Guarulhos (SP) condenou as empresas ao pagamento da indenização, e a decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP). Segundo o TRT, a cirurgia era de grande risco e estava coberta pelo benefício da AMS, que não previa “nenhuma limitação ou excludente de determinada cirurgia, seja urgente ou eletiva”.
No recurso de revista, a Petrobras argumentou que a Assistência Multidisciplinar de Saúde não era um plano de saúde, mas um programa de autogestão administrado por ela para prestar assistência aos beneficiários. Trata-se, segundo a empresa, de uma política de pessoal e de saúde, definida em acordo coletivo com os empregados.
O relator, ministro Breno Medeiros, ressaltou que o TRT, ao examinar a apostila da AMS, concluiu que a cirurgia estava coberta e que essa cobertura não se dava por liberalidade da empresa, mas por força de norma coletiva, o que lhe confere força normativa, nos termos do artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição da República. Para chegar a conclusão diferente em relação ao acidente e à negativa de atendimento médico, seria necessário o reexame de fatos e provas, procedimento vedado pela Súmula 126 do TST. A decisão foi unânime.
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SEGURO CIDADÃO

Hospital de Campanha - Iniciativa liderada pela Rede D'Or em parceria com Bradesco Seguros, Lojas Americanas, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e Banco Safra, o Hospital de Campanha Lagoa-Barra, no Rio de Janeiro, completou recentemente um mês em operação e já atendeu 417 pacientes do SUS com Covid-19. Em um balanço desses 30 primeiros dias, foram registrados 218 pacientes recuperados, o que corresponde mais da metade já atendida. Inaugurado no dia 25 de abril, antes do prazo previsto, o hospital conta com 200 leitos em operação, sendo 100 de UTI e 100 de enfermaria e recebeu investimento total de R$ 45 milhões.
O hospital apresenta um tempo médio de internação de 13 dias e já chegou a receber 24 pacientes em um único dia. Outros dados chamam atenção: ao todo, foram realizados 1.380 exames de raio-X e 41% dos pacientes tiveram que receber ventilação mecânica no CTI. A média de idade é de 56 anos, mas o paciente mais jovem a ser atendimento tem 20 anos e já recebeu alta.
A Rede D'Or lidera a operação do hospital, mas é a Secretaria Estadual de Saúde a responsável por encaminhar os pacientes, por meio do sistema de regulação de vagas do Estado. A maior parte é oriunda das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade do Rio, mas o hospital vem recebendo também pacientes indicados pelas Coordenações de Emergência Regionais (CER) e de outros hospitais públicos do estado.
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Coronavírus - I Diante das incertezas provocadas pela pandemia de Covid-19 na economia e no mercado de seguros e resseguros, o IRB Brasil Re, em parceria com a Aon Resseguros, está lançando uma ferramenta exclusiva que permitirá que as seguradoras analisem a exposição ao risco de suas carteiras de seguros de vida e habitacional e estimem tecnicamente possíveis perdas com sinistros. A análise também viabilizará formatar produtos com coberturas de pandemias sob medida, atendendo às expectativas dos segurados. O modelo é inédito no Brasil e foi adaptado para a realidade do nosso país.
"Vivemos um momento sem precedentes e desenvolver e oferecer uma modelagem sob medida para nossos clientes e seus segurados nos posiciona na vanguarda. Firmamos uma aliança estratégica com a Aon e formatamos uma solução exclusiva que atende às necessidades do mercado brasileiro", afirma o presidente do Conselho de Administração e CEO interino do IRB, Antonio Cassio dos Santos, acrescentando que a novidade também estará disponível para clientes do ressegurador na Argentina.
A modelagem de risco de pandemia, como é chamada a ferramenta, é um modelo probabilístico que quantifica o impacto da pandemia nas carteiras, com significativa quantidade de informações. Para isso, foram utilizados dados de países da Ásia e Europa, atingidos pelo coronavírus antes do Brasil, devidamente ajustados à realidade da América Latina. Alimentada com dados de cada seguradora, a solução permite fazer previsões mais realistas de possíveis perdas com sinistros.
"Realizamos frequentes exercícios de modelagem de mortalidade adversa para grandes clientes. Estruturamos, junto com o IRB, uma ferramenta que permitirá dar suporte adequado às seguradoras, adaptando o modelo para atender plenamente às necessidades das carteiras de seguros de vida e habitacional de cada empresa", explica o CEO da Aon Resseguros Brasil, Antonio Jorge Rodrigues, destacando que a empresa é líder no mercado de desenvolvimento de modelos próprios.
Desde o início de abril, a empresa instalou um gabinete de crise, com objetivo de monitorar o setor de seguros e resseguros e estruturar ações em resposta à pandemia de Covid-19. "Diariamente, analisamos o mercado e possíveis cenários na busca por soluções para dar suporte às necessidades de nossos clientes e parceiros de negócios, possibilitando um gerenciamento mais adequado e maior planejamento", destaca a vice-presidente de Resseguros do IRB, Isabel Solano.
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Coronavírus - II Com objetivo de ofertar testagem em larga escala para regiões afastadas, método por proteômica direcionada por espectrometria de massas garante estabilidade de amostras e possibilita mais rapidez no processamento e com custo menor.
O Grupo Fleury coloca em rotina teste inédito de diagnóstico da Covid-19 que analisa proteínas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) diretamente de amostras clínicas do trato respiratório. Assim como o teste molecular, além de ser um método altamente confiável e servir como alternativa para falta de insumos do exame RT-PCR considerado padrão-ouro, o teste por proteômica desenvolvido totalmente in house, e em tempo recorde de apenas dois meses pela área de Pesquisa e Desenvolvimento, consegue democratizar o acesso a todos os públicos em diferentes regiões do Brasil. A descoberta inaugura caminho, paralelamente, para expandir análises de fisiologia do vírus e seu potencial infectante, abrindo oportunidade para novas perspectivas da dinâmica da doença no mundo.
Também recomendado para pessoas que apresentam nos primeiros três a sete dias os sintomas da Covid-19, o teste é realizado a partir de amostra de raspado (swab) de nasofaringe ou orofaringe - material obtido da mucosa do fundo do nariz ou da garganta com uma Cotonete estéril. O exame apresenta sensibilidade próxima ao do RT-PCR que detecta o RNA do vírus, mas o processamento do teste por proteômica é totalmente automatizado, reduzindo os riscos na manipulação das amostras, no tempo de análise e mantendo a confiabilidade dos resultados.
O teste diagnóstico que analisa proteínas do vírus se destaca neste momento da pandemia pela maior estabilidade das amostras que podem ser transportadas em temperatura ambiente, ampliando o acesso ao teste a regiões remotas. Trata-se de uma triagem de alto rendimento, que tem o potencial de analisar mais de 1.500 amostras por dia, o que pode duplicar a capacidade do que já é o usado como referência no Grupo Fleury e proporcionando rapidez na detecção da doença e controle na expansão de casos.
"O método por proteômica é uma vantagem para o consumidor final, bem como para laboratórios com dificuldades de armazenamento das amostras a temperaturas adequadas e transporte. Sua tecnologia apresenta alta especificidade, o que abre perspectiva para uma alternativa de testagem em massa com alto rendimento, possibilitando encontrar a solução de como fazer a saída gradual e segura do isolamento social", explica o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury. "A vantagem do teste por proteômica é que os seus reagentes não competem com os do RT-PCR. A possibilidade de detectar um novo marcador além do RNA abre novas perspectivas no seguimento da dinâmica do vírus e seu potencial infectante", completa.
O teste por proteômica do Grupo Fleury está disponível para os hospitais, laboratórios e clínicas em regiões distantes dos grandes centros do país. O resultado fica pronto em três dias úteis.
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ENDOSSANDO

Carga De acordo com a Lei nº 73/1966, o seguro para transportadoras de cargas é obrigatório, o que proporciona maior tranquilidade para o proprietário quanto a sua carga transportada. No entanto, o que muitos desconhecem, é que há opções de seguros também para o embarcador, dono da carga.
Segundo Rose Matos, gerente do Porto Seguro Transportes, os seguros voltados para os embarcadores garantem uma dupla segurança à carga da empresa. "Caso alguma coisa aconteça com o produto, é importante que o proprietário tenha a garantia do ressarcimento do valor segurado em caso de sinistro. Muitas vezes o prejuízo pode comprometer a sustentabilidade da empresa ou até mesmo quebrá-la", alerta.
Rose também desmistifica o preço do seguro. "Muitos acreditam que assegurar a carga exige um alto investimento porque comparam com seguros comuns. No entanto, o seguro de transportes possui um baixo custo e tem como definição o produto transportado, a região, o trajeto, entre outros fatores. O seguro deve ser visto como um investimento, que proporciona maior segurança e tranquilidade para o dono da mercadoria".
Uma das opções para o embarcador, é o seguro Transportes Mais Simples, voltado para micro e pequenas empresas. "Seu diferencial é a dispensa de comunicação de embarques (averbação). Além disso, as taxas são aplicadas de acordo com o segmento da mercadoria, tornando o custo mais acessível e seu pagamento facilitado em parcelas. O produto ainda conta com um processo de análise e emissão de apólice mais ágil" esclarece Rose.
Outra opção é o Transportes Embarcador, que oferece combinações de coberturas para atender às necessidades dos embarcadores de diversos segmentos, seja para transportes rodoviários ou aéreos. Já para quem deseja garantir a segurança da carga para transportes internacionais, a opção é o Transporte Internacional. Este produto garante a proteção ideal para as operações aquaviárias, aéreas e terrestres de importação e exportação.
Para quem não faz transportes de cargas com frequência, mas precisa garantir a segurança da mercadoria, a alternativa é o Seguro Avulso. "É uma boa opção para uso exclusivo de um único embarque ou viagem. Ele é válido para transporte nacional e/ou internacional, importador ou exportador" conclui a gerente.

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