SEG - Seguros de pessoas serão mais sofisticados no 'novo normal'

Para se adequar a novos hábitos e necessidades, seguro deverá alterar subscrição, dizem especialistas reunidos pelo CVG-SP.

Seguros / 17:35 - 25 de jun de 2020

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No dia 24 de junho, na primeira rodada do "Terraço Virtual", novo formato de live do CVG-SP, três executivos de seguradoras associadas apresentaram as respectivas ações de suas empresas para o desenvolvimento do Seguro de Pessoas. Sob a mediação do presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya, debateram o tema Alexandre de Mattos Malho, superintendente executivo da Icatu Seguros, Ramon Gomez, vice-presidente da MetLife, e Carlos Guerra, vice-presidente da Prudential.
Além da rápida adaptação ao trabalho em home office de seus colaboradores, outra ação em comum às três seguradoras foi a definitiva incorporação de reuniões virtuais e lives. Alexandre Malho relatou que nesse período de quarentena, a Icatu já realizou 180 lives com a participação de mais de 8 mil pessoas, apenas em São Paulo. Atualmente, a seguradora realiza em média 2,6 lives por dia.
Malho informou que na Icatu, o seguro de vida individual e os seguros para o segmento PME cresceram 26% entre janeiro e maio, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Para ele, o resultado mostra que houve um "despertar da população". Por isso e porque o seguro de vida está cada vez mais completo, considera que a cobertura de morte não é mais o único apelo de venda. "Hoje, quaisquer das novas coberturas e assistências se encaixam no perfil de cada brasileiro", disse.
O superintendente da Icatu acredita que o momento é de poupar. Para ele, o adequado planejamento financeiro não estará completo se não somar a previdência privada com o seguro de vida. "É importante que os corretores indiquem aos seus clientes um plano com uma contribuição que não vá interferir nos seus projetos", disse.
Silas Kasahaya acrescentou que o isolamento social tem aumentado a percepção sobre o que é possível poupar. "É tempo de reorganizar as finanças", disse.
Para Ramon Gomez, a pandemia está funcionando como um freio de arrumação na vida das pessoas. A seu ver, a crise atual se diferencia das anteriores porque além de ocorrer simultaneamente com as crise econômica e política, também é global. "É devastador do ponto de vista de redução de riquezas, gerando impactos sobre o consumo, que deverá ser mais austero por um longo período, até que surja uma vacina. Não voltaremos mais ao velho normal", acrescentou.
Diante da gravidade do momento, Gomez se disse satisfeito por trabalhar em um mercado que respondeu prontamente à crise humanitária global ao ignorar a exclusão do risco de pandemia e pagar as indenizações. "As seguradoras deram uma prova inquestionável de seriedade e compromisso com a população", disse.
Na visão de Carlos Guerra, a crise colocou em evidência a importância do seguro de vida, e também mostrou que o mercado de seguros está maduro e preparado para mudanças. Os investimentos em tecnologias nos últimos anos, hoje são fundamentais para as seguradoras flexibilizarem seus processos, principalmente para ajudar os corretores a venderem.
Na história da humanidade, ele destaca que as grandes evoluções foram precedidas de crises, guerras e pandemias. "A crise veio para repensarmos e retomarmos o nosso caminho", disse. Apesar dos desafios, Guerra garante que o time da Prudential está bastante motivado e preparado para os impactos que estão por vir, como aqueda prevista de 8% do PIB e o aumento de 17% no desemprego. "Mas, devemos ter a capacidade de passar por tudo isso de forma serena e madura", disse.
Sobre o futuro, Guerra avalia que a pandemia provocará muitas mudanças, a começar pela continuidade do home office. Muitos hábitos e rotinas também deverão ser repensados, a seu ver, como, por exemplo, os restaurantes self-service e os transportes públicos. Já no seguro, a resiliência deverá vir acompanhada de disciplina e organização. "De certa forma, isso trará mais união entre seguradoras e corretores".
Um dos internautas questionou sobre a mudança na avaliação do risco de vida no trabalho em home office. O presidente do CVG-SP complementou, perguntando se haverá mudança nas taxas de subscrição. Gomez respondeu que o maior impacto virá da flexibilização da legislação trabalhista, que poderá se tornar definitiva. "A tendência são novas precificações e produtos, além de coberturas temporárias. O seguro de vida deverá se sofisticar", disse.
Outro questionamento foi sobre Projetos de Lei que obrigam seguros e planos de saúde a cobrirem qualquer doença ou lesão decorrente da pandemia. Para Guerra, esse tipo de interferência nas relações contratuais traz insegurança jurídica. Ele lembrou que o PL tem um aspecto social importante, mas que as seguradoras já se anteciparam nessa questão ao decidirem pagar o risco de pandemia. "Não precisa de Projeto de Lei para obrigar o mercado a fazer aquilo que ele tem capacidade de fazer", disse.
Questionados sobre o envelhecimento da carteira dos corretores, Malho lembrou que hoje as seguradoras dispõem de produtos cujo limite de idade para contratação é de 85 anos e com capitais segurados acima de R$ 50 milhões. Ele destacou, ainda, o crescimento de novas contribuições no seguro de vida no momento de queda de juros. "O mercado precisará se reinventar em termos de precificação e análise de portfólio".
Para Gomez, o momento atual é oportuno para o seguro de pessoas assumir o papel de protagonista. "Quanto vale a indenização para uma família que perdeu o pai? Esse é momento de o seguro de pessoas brilhar. Então, brilhe", concluiu.
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Plano deve fornecer medicamento de alto custo prescrito para filha de trabalhador
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 juiz Gilberto Augusto Leitão Martins, da 22ª Vara do Trabalho de Brasília, deferiu tutela de urgência antecipada para determinar que a Caixa Saúde custeie o tratamento contra a Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo II prescrito para a filha de um empregado da Caixa Econômica Federal, incluindo o medicamento Spinraza, que custa mais de R$ 2,1 milhões. O médico que acompanha a criança disse que há extrema urgência para o início do uso do medicamento. "Assim, quanto mais demorada a tutela jurisdicional, maiores serão os efeitos deletérios sobre o universo jurídico que se pretende tutela, com prováveis danos irreversíveis", explicou o magistrado em sua decisão.
Consta dos autos que a filha do autor da reclamação, nascida em agosto de 2019, foi diagnosticada com AME tipo II - doença degenerativa que leva à paralisia motora progressiva associada à atrofia muscular. Sem cura definitiva, exige tratamento que inclui fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e aparelhos ortopédicos. Segundo o trabalhador, o médico que acompanha o caso solicitou assistência domiciliar (homecare) e o uso do medicamento Spinraza (Nusinersena). No último dia 18, a administradora do plano de saúde negou as coberturas solicitadas.
O trabalhador, então, acionou a Justiça do Trabalho. Ao analisar o pedido de tutela de urgência, o juiz disse entender que tanto a probabilidade do direito quanto o perigo de dano - pressupostos para concessão da medida - estão presentes no caso.
O relatório médico, confirmado pela Rede Sarah, atesta que a filha do autor da reclamação foi realmente acometida da AME tipo II, salientou o magistrado. Ao explicar sobre a gravidade da doença, o médico responsável indicou a necessidade de homecare e o uso urgente do Spinraza. A Caixa Saúde negou o tratamento e a medicação, alegando que segundo a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) no SUS, o medicamento em questão seria elegível apenas para pacientes portadores de AME tipo I. Segundo a administradora, para os tipos II e III da AME, o Ministério da Saúde vai oferecer o medicamento na modalidade de compartilhamento de risco.
Para o juiz Gilberto Martins, é nítida a impertinência da barreira criada pela Caixa Saúde, uma vez que a própria Conitec reconhece a possibilidade de êxito na inclusão da Nusinersena no tratamento da AME. Além disso, prosseguiu, o fato de políticas públicas de saúde terem inicialmente restringido o uso do medicamento ao Tipo I da doença em questão não afasta a cobertura a que faz jus o empregado e seus dependentes. Tanto que o próprio SUS, em momento posterior, incluiu os tipos II e III na cobertura do tratamento, na modalidade de "compartilhamento de risco".
O magistrado lembrou, ainda, que o artigo 12 (inciso II, d) da Lei 9.656/98 - que que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde, prevê expressamente "a cobertura de exames complementares indispensáveis para o controle da evolução da doença e elucidação diagnóstica, fornecimento de medicamentos, anestésicos, gases medicinais, transfusões e sessões de quimioterapia e radioterapia, conforme prescrição do médico assistente, realizados ou ministrados durante o período de internação hospitalar", exatamente com requerido pelo autor da reclamação.
No caso dos autos, e conforme alertado pelo médico que acompanha a filha do trabalhador, há extrema urgência para o início do uso do medicamento. "Assim, quanto mais demorada a tutela jurisdicional maiores serão os efeitos deletérios sobre o universo jurídico que se pretende tutela, com prováveis danos irreversíveis", ressaltou o magistrado ao conceder a liminar, determinando que a Caixa Saúde disponibilize para a filha do autor da reclamação, em até 48 horas, o tratamento médico previsto, incluindo o custeio do medicamento prescrito.
Em entrevista ao Núcleo de Comunicação do TRT-10, o juiz Gilberto Martins disse que compreende a necessidade de adequação dos serviços prestados por um plano de saúde em face dos altos custos da medicina em nosso país. No entanto, cabe à sociedade, principalmente através das empresas de plano de saúde, buscar uma alternativa para prestar estes serviços quando os valores atingem níveis muito elevados. "Não é possível que um medicamento que salva vidas tenha um valor inalcançável, impossível de ser pago. Somente a sociedade organizada pode conseguir resolver esse problema, e os planos de saúde têm que estar à frente dessas iniciativas, provocando e sugerindo soluções".
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CVG-RJ publica artigo sobre a urgência dos seguros de Pessoas
Dando sequência à série de artigos que vêm sendo publicados no site do Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ), o tema desta semana é "Seguros pessoais e de vida ganham sentido de urgência", com texto do presidente do Conselho Consultivo do Clube, Danilo Sobreira.
"Além do trabalho remoto exercido pelos pais e chefes de família, os filhos passaram a ter, obrigatoriamente, o ensino a distância, ao passo que as atividades domésticas assumiram um ritmo diferente. Além disso, há uso mais intenso de equipamentos. Essa movimentação intensa nos lares implica a alteração de riscos, sendo imperativo rever cuidadosamente as formas adequadas de precaução neste novo ambiente", analisa o executivo. Leia o artigo na íntegra em www.cvgrj.com.br.
A cada semana, uma nova análise de especialistas do mercado em relação ao momento atual, diante da pandemia do coronavírus, é publicada no site do CVG-RJ. O último artigo, que continua disponível no site junto com os demais, foi do presidente da entidade, Octávio Perissé. É uma iniciativa para levar informação e conhecimento atualizados aos profissionais que atuam no setor, em especial no segmento da maior importância para a proteção da população brasileira: o seguro de Pessoas e Benefícios.
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Sinistros de Seguros de Riscos Nomeados aumentam durante a pandemia
Em momentos de crise como o que estamos passando, os seguros empresariais se mostram ainda mais essenciais para que as empresas consigam cumprir com seus compromissos ou mesmo para evitarem prejuízos ainda maiores. O seguro de Riscos Nomeados costuma ser um dos principais aliados dos empresários nestes momentos, oferecendo coberturas importantes para médias e grandes indústrias e comércios, como lucros cessantes e perdas e danos patrimoniais. Neste período de pandemia, o mercado vem notando aumento no número de sinistros deste produto, que é indicado para empresas que possuem riscos de fácil identificação.
"Desde o início da pandemia notamos um ligeiro aumento no número de sinistros relacionados ao Seguro de Riscos Nomeados. Isso aconteceu porque alguns setores industriais tiveram que suspender as operações por um período, prejudicando o plano de manutenção e mapeamento dos riscos expostos", diz Rodrigo Kihara, diretor-executivo da Deal Seguros. Ele explica ainda que o produto é aplicável a médias e grandes empresas dos mais diversos setores cujo limite máximo da garantia seja superior a R$ 100 milhões e acredita que neste tipo de seguro mais vultoso, não haverá inadimplência das apólices contratadas.
Para a Deal Seguros uma das principais vantagens deste produto é que as coberturas são nomeadas na apólice de acordo com o tipo de risco envolvido na operação, ou seja, possibilitam ao segurado considerar somente coberturas que julgar de extrema importância, garantindo um custo mais acessível, principalmente em momentos como este. A principal diferença deste produto com o de Riscos Operacionais é justamente o fato da empresa ter os riscos mapeados ou não. Quando muitos riscos são envolvidos e não se sabe ao certo a quantidade, o seguro de Riscos Operacionais pode garantir uma maior abrangência, mas quando se tem riscos conhecidos e controlados, optar pelo seguro de Riscos Nomeados pode ser a melhor solução.

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