Segue a pressão sobre techs nos EUA

Agenda da curta semana será pesada, diz analista: 'hoje teremos o IGP-DI de agosto pela FGV e amanhã a inflação oficial pelo IPCA'.

Opinião do Analista / 11:17 - 8 de set de 2020

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Nem o feriado do Dia do Trabalho nos EUA ontem serviu para aplacar vendas de ações de tecnologia no mercado americano na sessão de hoje, na qual o índice Nasdaq soma perda de mais de 2,0%. Esse foi o tom do mercado americano no final da semana passada. Na semana anterior, o Ibovespa mostrou perda de 0,88%, aos 101.241 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,51% e Nasdaq com -3,3%. Aqui o dólar fechou o período com desvalorização de 2,23%, e moeda cotada a R$ 5,29.

Os mercados da Ásia ontem fecharam em boas quedas e hoje encerraram com altas. Na Europa, o dia começou com mercados positivos, virou para negativo e agora busca alguma recuperação já afastado das mínimas. O mercado futuro americano em queda de destaque negativo para o Nasdaq. Aqui seguimos na mesma toada, no meio do caminho entre perder 100 mil pontos do Ibovespa ou tentar ganhar patamar acima de 104 mil pontos, mas o quadro indica possibilidade de queda.

Investidores preocupados com ruídos das eleições americanas de 3 de novembro e acirramento de tom entre os candidatos agora com diferença menor, mas também com o pacote de medidas fiscais que não sai de acordo entre Republicanos e Democratas. Porém, durante o final de semana, Donald Trump falando da enorme recuperação da economia e ainda sobre a possibilidade de vacinas já no mês de outubro.

Pesa também as duras discussões sobre o Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia, com elevação de tom. O primeiro-ministro Boris Johnson tem encontro com líderes da União Europeia, mas admite Brexit sem acordo comercial. Vai dizer que as bases são contraditórias. Na Alemanha, o superávit da balança comercial de julho foi de 18 bilhões de euros, fruto de exportações crescendo 4,5% e importações com +1,1%.

No Japão, o PIB anualizado do segundo trimestre encolheu 28,1%, na maior queda desde 1980. Na Zona do Euro, PIB do segundo trimestre em queda de 11,8% e contra igual período de 2019 com -14,7%, ainda assim melhor que o previsto de -15%. Na África do Sul, o PIB anualizado do segundo trimestre mostrou encolhimento de nada mais que 51,0% e provoca forte queda da moeda rand.

O petróleo também dá o tom negativo hoje, depois da Aramco saudita ter anunciado redução de preço para o mês de outubro. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava contração de 4,25%, com o barril cotado a US$ 38,08. O euro era transacionado em queda para US$ 1,178 e notes de 10 anos com juros em 0,69%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui o presidente Jair Bolsonaro fez almoço de confraternização para seus ministros após comemoração da Independência, mas os investidores vão buscar as relações largamente estremecidas entre o ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Isso gera dificuldades e agilidade nas medidas que deveriam ser tomadas para ajustar a economia.

A agenda da curta semana será pesada. Hoje teremos o IGP-DI de agosto pela FGV e amanhã a inflação oficial pelo IPCA. Nos EUA, sai a confiança do pequeno empresário de agosto e o crédito ao consumidor de julho. A expectativa é de Bovespa podendo ceder, dólar também pode ficar fraco mesmo coma alta externa e juros em alta com expectativa de inflação crescendo.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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