Impulsionado pelo desempenho de supermercados e lojas de roupas, o varejo paulista deve crescer 5% em 2025 na comparação ao ano passado, afirma a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).
Apesar de positivo, o número sinaliza desaceleração do ritmo de vendas, em consonância com o desempenho da economia brasileira, sobretudo neste segundo semestre. Em 2024, as receitas do setor cresceram 9,3%, alcançando o faturamento bruto mais alto da série histórica (R$ 1,42 trilhão) até então.
Para a federação, essa projeção é resultado de uma conjuntura complexa, marcada por elementos positivos e, da mesma forma, por desafios relevantes com os quais o país deverá lidar no ano que se aproxima.
Dentre os aspectos positivos, destacam-se, sobretudo, um mercado de trabalho aquecido (o desemprego estava em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, segundo o IBGE), que mantém as famílias consumindo e impacta a renda média (o Ipea aponta que rendimentos do trabalho cresceram 4% no terceiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2024). É a dinâmica que fará o Brasil cumprir as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto deste ano, entre 2% e 2,5%.
Além disso, a inflação começou uma curva de queda a partir do início do segundo semestre, embora ainda permaneça acima do teto da meta (4,5%), estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O IPCA acumulado dos últimos 12 meses até outubro ficou em 4,68%.
Outro fator de desestímulo às vendas, principalmente de bens duráveis, são os juros muito altos: A Selic está em 15% ao ano (a.a.), o maior nível dos últimos 20 anos, posicionando o Brasil na segunda posição no ranking de maiores taxas de juros reais (descontando a inflação) do mundo (9,74%), abaixo apenas da Turquia (17,8%).
Além disso, as incertezas fiscais aumentam riscos do ambiente de negócios. O fato de não haver um plano de corte de gastos robusto, além dos frequentes questionamentos de membros do governo e aliados sobre a redução da taxa de juros, traz muita volatilidade aos mercados, pressionando o câmbio e mantendo a expectativa de inflação em alta e adiando o início do ciclo de queda dos juros.
“Soma-se a isso a desaceleração da atividade, principalmente da indústria. Há a projeção de que o setor cresça apenas 1% em 2025, após expandir 3,1% no ano passado”, diz a entidade.
Os dados da Fecomércio-SP mostram como o país viveu semestres diferentes neste 2025. Nos primeiros três meses, o varejo paulista cresceu 9%, estimulado pelas lojas de roupas e, sobretudo, pelas vendas de automóveis. No trimestre seguinte, confirmando a fase positiva, o setor expandiu 7%, dessa vez com um salto dos supermercados e a manutenção do vestuário.
No terceiro trimestre, porém, as lojas de móveis retraíram 7%, enquanto peças de veículos, que estavam em alta expressiva nos meses anteriores, caíram 1%. O desempenho do setor desacelerou para 2%, taxa que deve se manter, agora, entre outubro e dezembro, mantendo resultado anual abaixo do registrado no ano passado.
A elevação de 5% do varejo será puxada, principalmente, pela sustentação da demanda das famílias ao longo deste ano. As atividades que comercializam itens essenciais, como as farmácias e perfumarias (6%) e supermercados (5%), se destacaram positivamente.
Varejo fecha novembro com alta de 28% no faturamento de lojas omnichannel
Os resultados do varejo brasileiro em novembro apontam para um fim de ano mais aquecido, segundo levantamento da Linx. As operações omnichannel, que integram lojas físicas e digitais, registraram alta de 28% no faturamento, crescimento de 21% na quantidade de pedidos e ticket médio 11% maior na comparação com novembro de 2024.
No varejo digital, os e-commerces próprios das marcas cresceram 6% no faturamento, com alta de 28% na quantidade de vendas e 11% no número de itens vendidos. Nos marketplaces, os clientes da Linx registraram aumento de 23% no faturamento e 22% no volume de pedidos em relação a novembro de 2024.

















