Segunda chance

O ano termina com o agravamento da nova etapa da crise global concedendo à presidente Dilma a mesma chance que deu a Lula de, ao promover uma flexibilização dos dogmas da política econômica, trocar a sina de reproduzir o crescimento medíocre do tucanato por um relançamento do Brasil num mundo em transformação.

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A meio caminho da Copa de 2014, o futebol brasileiro ainda tem muito o que aprender em marketing e organização. A campanha para arrecadar recursos para a construção do centro de treinamento do Flamengo é exemplar. O clube afirma ter entre 33 milhões e 40 milhões de torcedores – um em cada cinco brasileiros torceria para o rubro-negro carioca, incluindo aí índios e recém-nascidos. Se já é difícil acreditar nestes números, mais difícil ainda fica ao ver-se os resultados da campanha pelo Centro de Treinamento (CT).
Chamada de Rubro-negro para Sempre/Tijolinho, a campanha visa a vender tijolos que terão o nome do comprador gravado e formarão uma das paredes do CT. A meta inicial era vender 23 mil tijolos aos torcedores e arrecadar R$ 5 milhões. O primeiro lote, de 5 mil unidades, foi vendido a uma média de um tijolo por minuto e esgotou-se no fim de dezembro do ano passado. Veio o segundo lote de 5 mil unidades, acompanhado da meta de atingir o total de 10 mil vendas até o Carnaval. Mas aí… a média caiu para 300 tijolos por mês e, até o fim de julho, a campanha contabilizava apenas 6,927 mil unidades vendidas, com arrecadação bruta de R$ 1,73 milhão; e líquida, R$ 1,3 milhão.

Transparência
Não se pode atribuir o fracasso da campanha flamenguista à superestimação do tamanho de sua torcida, nem a um suposto baixo poder aquisitivo. A R$ 250 cada (parcelados em cinco vezes), o tijolinho tem valor acessível até para a “nova classe média” que ganha menos de R$ 1 mil por mês.
Erros de estratégia, de comunicação e alguns números estranhos parecem ser uma explicação mais concreta para a campanha ter definhado. A promessa era de transparência nos números e na construção – que poderia ser acompanhada pela Internet. A câmera, porém, está sempre offline ou mostra uma obra parada – as últimas fotos são de setembro. E os números não primam pela transparência: R$ 400 mil (23,78% do total arrecadado) estão embrulhados na rubrica “Custos Operacionais + confecção do tijolo/muro + Impostos + cancelado”.

Os vencedores
Não seria difícil para um clube do potencial de marketing do Flamengo arcar com os R$ 25 milhões estimados para a obra do centro de treinamento; com uma campanha bem elaborada, a torcida sozinha bancaria a construção. Mas, se o número de torcedores parece superfaturado, a disposição deles em colaborar soa exagerada. Assim, clubes ficam nas mãos da TV e de empresários, que conseguem bons negócios e prosperam, enquanto o futebol brasileiro definha.

Selo no vinho
Entra em vigor no primeiro dia do ano a obrigatoriedade de comercializar vinhos com o selo de controle fiscal. Desde o início de 2011, os vinhos só podem sair das vinícolas e das importadoras com o selo fiscal da Receita. O comerciante que tem estoques antigos, sem o controle, deve comprovar que adquiriu a bebida antes da publicação da instrução normativa. É importante que o comércio guarde toda documentação fiscal que demonstre a data de aquisição dos produtos, respondeu a Receita a consulta encaminhada pela Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP).

Solução para o ensino público
Permanece parado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, aguardando designação do relator, o Projeto de Lei 480, de 2007. De autoria do senador Cristovam Buarque (PDT), o PL determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas.

Feliz 2012
Esta coluna deseja a todos leitores que tiveram a paciência de nos acompanhar até aqui um Feliz Ano, com muita saúde e bom-humor para encarar os desafios que não serão pequenos em 2012.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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