Segunda-feira positiva nos mercados

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Dólar (foto de Marcello Casal Jr, ABr)
Dólar (foto de Marcello Casal Jr, ABr)

Apesar da decepção com os dados de confiança do consumidor dos EUA na sexta e da falta de avanços nas negociações do teto da dívida, deflações na Alemanha e no Japão se somam ao clima de tomada de risco global, levando à segunda-feira positiva nos mercados, em semana cheia de dados de atividade, com os números chineses divulgados hoje à noite. Juros operam de lado, apesar das perdas do dólar no mercado de moedas. Commodities operam em alta, com destaque para o minério, que salta mais de 5%. Por aqui, a semana começa devagar, mas a agenda política deve ser o foco dos investidores, com o possível corte nos preços de combustíveis da Petrobras e a entrega do projeto do arcabouço fiscal, prevista para amanhã. O Ibovespa deve se beneficiar do clima global positivo para bolsas e commodities. Esses vetores também devem impulsionar o Real, com grandes chances de o dólar testar os R$4,90. Nos juros, a sessão deve ser pautada pelas projeções do Focus, mas a dinâmica global sugere nova queda.

Ásia: o alívio na inflação japonesa e o clima global favorável a risco levou à alta das bolsas. No Japão, o PPI subiu 0,2% em abr/23, acumulando 5,8% (exp 7,1% a/a) em 12 meses. Na China, o PBoC manteve as taxas de juros da MLF de 1 ano em 2,75% (exp 2,75%). Hoje, ata do RBA às 22h30 e produção industrial (abr/23) e vendas no varejo (abr/23) às 23h.

Europa: a deflação no atacado alemão e a alta nas projeções de crescimento da zona do Euro impulsionam as ações de varejo, levando à sessão positiva para as bolsa. Na Alemanha, os preços no atacado caíram 0,4% em abr/23, acumulando -0,5% (exp -0,7% a/a) em 12 meses. A Comissão Europeia elevou as projeções de crescimento de 0,9% para 1,1% (2023) e de 1,5% para 1,6% (2024). Pill (BoE) declarou que há trabalho adicional para trazer a inflação para baixo, apesar dos sinais de melhora no cenário. Hoje, produção industrial da zona do Euro (mar/23) às 6h. Nagel (Buba) fala às 9h10.

EUA: em dia recheado de falas de diretores do Fed, futuros se recuperam das perdas de sexta-feira, em meio ao clima global positivo. Os preços de importações subiram 0,4% em abr/23, acumulando -4,8% (exp -4,8% a/a) em 12 meses. A prévia da confiança do consumidor da Universidade de Michigan caiu de 63,5 para 57,7 pontos (exp 63) em mai/23, mínima em 6 meses, com a inflação esperada para os próximos 12 meses caindo de 4,6% para 4,5% (exp 4,4%) e para os próximos 5 anos subindo de 3% para 3,2% (exp 2,9%). Goolsbee (Fed Chicago, vota) afirmou que a inflação está muito alta, mas que está caindo, pelo menos, que o Fed deve ser dependente dos dados e que há um credit crunch iniciando. Biden indicou Jefferson (FRB) para a Vice-presidência do Fed e Kugler (Banco mundial) para o seu lugar. Na agenda, índice Empire State (mai/23) às 9h30. Lilões de T-Bills (3 e 6 meses) às 12h30. Bostic (Fed Atlanta, não vota) fala às 8h30, às 15h e às 16h, Goolbee (Fed Chicago, vota) às 10h15, Kashkari (Fed Minneapolis, vota) às 10h15, Barkin (Fed Richmond, não vota) às 13h30 e Cook (FRB, vota) às 18h.

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Brasil: apoiado pelas altas das commodities, com destaque para Petrobras, que surfou o bom resultado, e pelas quedas nas taxas de juros longas, o mercado local descolou das perdas em NY, após alta nas expectativas de inflação na pesquisa da Universidade de Michigan, com o Ibovespa fechando aos 108.463 pontos (0,19%), mesmo com as quedas de JBS (prejuízo inesperado) e Light (recuperação judicial). Na semana, o Ibovespa subiu 3,15%. Apesar da alta nas taxas curtas, após IPCA pressionando com abertura ruim, o bom humor com o mercado local levou a recuo das taxas de médio e longo prazo, com os vértices de jan/26 e jan/27 apagando todas as altas pós-eleição. Na semana, a ponta curta subiu 10 pontos, enquanto os vértices mais longos subiram 20 pontos. Em dia positivo para as moedas latino-americanas, que operaram na contramão das moedas globais, o Real teve nova alta, beneficiado pela alta das commodities, com o dólar fechando em R$4,92 (-0,27%). Na semana, o dólar caiu 0,41%.

Pressionado por alimentos e serviços, o IPCA subiu 0,61% (exp 0,55%) em abr/23, acumulando 4,17% em 12 meses, mínima desde nov/20. Abertura negativa: média dos núcleos acelerou para 0,51% (6,58% a/a) e a difusão subiu para 66%, máxima em 4 meses. Prates (Petrobras) afirmou que a cia deve decidir sobre o reajuste de alguns combustíveis na próxima semana. A Abramge afirmou que projeta um reajuste de 10% a 12% nos planos de saúde, válido entre mai/23 e abr/24, o que pode elevar o IPCA entre 0,37% e 0,45%. Na agenda, relatório Focus (12/mai) às 8h25 e balança comercial (12/mai) às 15h. Agrogalaxy, Ambipar, Ânima, BB, BRF, ClearSale, Copasa, Cosan, Cruzeiro do Sul, Desktop, Dommo, Eneva, Espaçolaser, Gafisa, Hapvida, IRB, Itaúsa, Localiza, Lupatech, Marfrig, Mater Dei, Mills, Modalmais, MRV, Nubank, Oncoclínicas, Orizon, Rede d’Or, Sequoia, SIMPAR, SLC, Taurus e Vibra divulgam resultados após fechamento.

Nicolas Borsoi é economista chefe da Nova Futura Investimentos

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