Segunda onda de Covid faz turismo perder quase 1/3 do faturamento

Brasileiro só espera retorno à normalidade em 2022; maioria tem parentes ou amigos contaminados ou que morreram da doença.

Em um período normalmente aquecido do ano, com as férias de verão, o turismo nacional segue sendo impactado de forma significativa pela crise de Covid-19: o setor registrou queda de quase um terço (30,2%) do faturamento em janeiro de 2021, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em números absolutos, o prejuízo foi da ordem de R$ 4,5 bilhões. Os dados são do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

Como tem sido a tônica da crise no setor turístico, a retração mais expressiva foi registrada na aviação civil, que encolheu 46,2% em janeiro. Considerando o acumulado de um ano, a atividade já perdeu, sozinha, R$ 2,5 bilhões em meio à pandemia.

Os grupos de alimentação e alojamento (hotéis e pousadas) e de atividades culturais, esportivas e recreativas registraram a mesma taxa de retração em janeiro: 29%.

Para a entidade, os números se explicam principalmente pelo cancelamento das férias de muitas famílias no começo do ano, em meio ao recrudescimento da crise de Covid-19 no país, com aumentos nos números de contaminados e de mortes. Diante desse cenário, muitas pessoas desistiram de viajar ou pediram anulação dos pacotes já comprados – fazendo com que as companhias aéreas ajustassem as malhas e que os hotéis, restaurantes e agências ficassem novamente paralisados de forma parcial.

Ainda de acordo com a Fecomércio-SP, há um entendimento geral dos empresários do turismo nacional de que a recuperação só começará quando houver uma vacinação em massa da população, que deve ser atingida no segundo semestre do ano.

A crise do turismo brasileiro não é de hoje: o setor perdeu R$ 55,6 bilhões em faturamento em 2020, em comparação ao ano anterior. A receita final de R$ 113,2 bilhões significou o pior resultado da receita desde que a entidade começou a fazer o estudo, em 2011, representando um rombo de 33% em comparação com o que o setor faturou em 2019.

Já pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), realizada entre os dias 1º e 7 de março, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país, apontou que depois de um ano de pandemia, brasileiro ainda vê situação piorando e só espera retorno à normalidade em 2022. Segundo o estudo, o isolamento social e as medidas adotadas para combater a Covid-19 já tiveram impacto profundo na vida e no sentimento dos brasileiros. O sentimento predominante é de que a situação atual está piorando e a doença se tornou uma realidade cotidiana: a maioria já tem parente ou amigo que morreu ou foi contaminado pela doença. Para a maior parte da população, ainda está distante o retorno à normalidade: a vacinação em massa – tida como a opção mais segura e eficaz para combater a pandemia – ocorrerá apenas no ano que vem.

A grande maioria dos entrevistados entende que a vida atual está muito diferente do que antes e os hábitos adquiridos nesses últimos 12 meses devem se manter ou até aumentar, como é o caso do homeoffice, uso do álcool em gel, lavar as mãos, compras online e tirar os sapatos ao entrar em casa.

Diante do cenário atual, a maioria dos brasileiros também defende a vacinação como melhor arma contra o vírus. Além disso, diante dos números de contaminação e de mortes, e do iminente colapso no sistema de saúde, preponderam na pesquisa aqueles que consideram insuficientes as medidas restritivas adotadas por muitos estados e municípios contra aglomerações.

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