Produção industrial caminha para trimestre negativo

Segundo IBGE, houve destaques para farmoquímicos e farmacêuticos (18,6%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (5,2%)

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Indústria máquinas (foto de José Paulo Lacerda, CNI)
Indústria máquinas (foto de José Paulo Lacerda, CNI)

A produção industrial do país cresceu 0,4% em agosto deste ano, na comparação com julho. O resultado veio depois de uma queda de 0,6% em julho. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A sinalização para produção industrial no terceiro trimestre é de possível volta ao vermelho, analisa o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) a partir dos dados do IBGE, já que o crescimento de agosto não foi suficiente para compensar a queda de julho. Assim, o desempenho acumulado em jul-ago/23 segue negativo.

O setor apresentou alta de 0,5% na comparação com agosto de 2022. No entanto, ele soma quedas de 0,3% no acumulado do ano e de 0,1% no acumulado de 12 meses.

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“Mesmo com o resultado de crescimento em agosto de 2023, a indústria permanece distante de recuperar as perdas do passado recente, estando, nesse momento, 1,8% abaixo do patamar pré-pandemia, ou seja, fevereiro de 2020, e 18,3% abaixo do ponto mais elevado da série histórica, que foi alcançado em maio de 2011”, disse o gerente da pesquisa, André Macedo.

Na passagem de julho para agosto, 18 dos 25 ramos industriais pesquisados pelo IBGE apresentaram aumento na produção, com destaques para farmoquímicos e farmacêuticos (18,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (5,2%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (16,6%).

Entre as seis atividades em queda, os principais recuos ficaram com indústrias extrativas (-2,7%), produtos diversos (-8,0%), couro, artigos para viagem e calçados (-4,2%) e de metalurgia (-1,1%). Celulose, papel e produtos de papel integram um segmento que apresentou estabilidade no mês.

Na análise das quatro grandes categorias econômicas da indústria, três tiveram alta: bens de consumo duráveis (8%), bens de consumo semi e não duráveis (1%) e bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos usados no setor produtivo (4,3%). No sentido oposto, os bens intermediários, isto é, os insumos industrializados usados no setor produtivo tiveram queda, de 0,3%.

Segundo análise do Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc. (MUFG), “mantemos nossa visão de que os bens não duráveis tendem a ser menos impactados, já que a demanda interna tem algum suporte graças à resiliência do mercado de trabalho, como mostram os fortes dados da Pnad e do Caged divulgados na última sexta e ontem, respectivamente, mostrando aumento do emprego e da massa salarial real da população. Este último alcançou o recorde de todos os tempos. Por outro lado, os bens duráveis e de capital sofrerão com a política monetária restritiva e a seletividade do crédito, em ambiente de elevada inadimplência e o elevado endividamento das famílias e empresas. Além disso, o ambiente externo desafiador, com o abrandamento econômico global, continuará a afetar as exportações. Nesse cenário, mantemos nossa visão de que a indústria poderá apresentar um desempenho mais fraco em comparação aos serviços e principalmente ao setor agrícola.”

No Rio de Janeiro, em agosto, foram abertos 1.639 postos de trabalho nas indústrias do estado (somando indústrias extrativas e indústrias de transformação).

“Foi o oitavo mês consecutivo de saldo positivo de contratações na indústria fluminense. Tanto que, no acumulado do ano, a Indústria fluminense gerou 9.685 empregos”, ressalta Sérgio Duarte, presidente da Associação Rio Indústria.

O desempenho positivo das indústrias fluminenses nesse ano é reflexo do crescimento da produção industrial (4,3% no acumulado do ano até julho). A análise com base em dados do Caged, divulgados em 2 de outubro, foi feita pelo consultor econômico William Figueiredo, da Future Tank em parceria com a entidade.

Em agosto, foram abertos 1.214 postos de trabalho nas indústrias de transformação do estado, que englobam 24 atividades manufatureiras. Esse foi o segundo resultado positivo consecutivo, assim como julho (292). Este ano, apenas o mês de junho (-160) apresentou fechamento de postos de trabalho.

Dessa forma, no acumulado do ano até agosto, as indústrias de transformação fluminense geraram 6.335 empregos. A performance positiva das indústrias de transformação fluminenses nesse ano é reflexo do crescimento da produção industrial 1,0% no acumulado do ano até julho). Na comparação com as demais UFs, entretanto, o Rio de Janeiro foi apenas a 10ª em termos de geração de empregos nas indústrias de transformação esse ano, superando apenas o Espírito Santo (3.728) dentre os estados da região.

Em 14 das 24 atividades manufatureiras fluminenses, foram abertas vagas de trabalho esse ano. A se destacar: manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (2.424), fabricação de combustíveis (1.629) e fabricação de produtos alimentícios (1.409). Por outro lado, observaram grandes saldos de demissões: fabricação de insumos para construção (-866), fabricação de artigos de vestuário (-517) e fabricação de automóveis e carrocerias (-358).

Em agosto, foram abertos 425 novos postos de trabalho nas indústrias extrativas do Estado do Rio, que englobam indústrias extrativas minerais e de petróleo e gás natural. Foi o 32º mês consecutivo de saldo positivo de contratações nas indústrias extrativas fluminenses.

Dessa forma, no acumulado do ano, as indústrias extrativas fluminenses geraram 3.350 empregos, sobretudo no setor de óleo e gás. A performance positiva das indústrias extrativas fluminenses nesse ano é reflexo do crescimento da produção industrial (7,3% no acumulado do ano até julho). Na comparação com as demais UFs, o Rio de Janeiro foi estado que mais gerou empregos nas indústrias extrativas esse ano.

Com informações da Agência Brasil

Atualizado às 19h33 para inclusão de análise do Iedi

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