Selic deve começar a subir a partir de maio, diz economista

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou ontem a nova taxa básica de juros.

De acordo com o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, deve ser a retirada do Forward Guidance (ferramenta usada pelo Banco Central de um país para guiar a economia e responder às expectativas do mercado sobre o provável curso da política de juros, visando evitar surpresas e gerar especulações). “Não há mais necessidade de passar pela precificação dos juros. A postura do Copom deverá ser parecida com a da última ata, com a preocupação da inflação”.

O órgão reúne-se a cada 45 dias. As reuniões são em duas sessões, sendo a primeira destinada a analisar as perspectivas da economia brasileira e mundial. Na segunda, a diretoria do Banco Central define o novo índice vigente da Selic. Para este ano, a meta da inflação, segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,75%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Em sua 236ª reunião, o Copom manteve a taxa de juros inalterada conforme o esperado. Conforme nossa expectativa, o forward guidance foi retirado. Segundo Felipe Sichel, estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais, o tom do comunicado mostra um comitê mais preocupado com os riscos altistas ao cenário básico.

“Quanto ao cenário externo, o comunicado reforça a divergência entre o curto prazo desafiador por conta da perda de mobilidade em consequência das restrições da pandemia e a possibilidade de que seja suavizado por estímulos ficais. Sobre atividade, o Banco Central se diz alerta para possíveis consequências da deterioração dos índices da pandemia, mas indica também que ainda não vê indícios de uma desaceleração abrupta no momento. A descrição da inflação mostra o Copom mais atento à evolução das leituras subjacentes, destacando que elas se encontram acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta. As expectativas no cenário básico, com câmbio a R$ 5,35 (anterior: R$ 5,25), mostram 3,6% em 2021 e 3,4% em 2022 (anteriormente 3,4% e 3,4%, respectivamente). O cenário supõe juros subindo para 3,25% em 2021 e 4,75% em 2022 (anteriormente 3% e 4,5%, respectivamente).”

O comitê também reforça a maior relevância de 2022 dentro do horizonte relevante e alerta para que a queda do forward guidance não “implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros”.

“No entanto, chama atenção a inclusão da expressão ‘neste momento’ quando descrevendo a postura de política monetária necessária neste momento. Em suma, nota-se reforço do tom cauteloso do Banco Central na sequência da reunião anterior. A retirada do forward guidance foi em linha com nossa expectativa. Aguardamos agora pela ata na próxima terça-feira para maiores informações”, diz Felipe.

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