Selic elevada pressiona ainda mais os preços dos alimentos

Alerta é da federação da agricultura e pecuária de SP; 65% dos trabalhadores preferem marmita a comer em restaurante.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fábio de Salles Meirelles, alerta que a nova elevação da Selic para um patamar anual de 13,75%, conforme deliberou ontem o Copom, significa pressão adicional sobre os preços dos alimentos, que já vêm sofrendo aumentos no Brasil e no mundo.

“Trata-se de um remédio forte e inócuo para tratar o agravamento do IPCA, cujas causas são o encarecimento dos insumos, energia e petróleo e retenção de estoques em vários países, num cenário ainda impactado pela pandemia e pela guerra entre Rússia e Ucrânia”, analisa o dirigente.

Meirelles acentua que a inflação brasileira, assim como ocorre no mundo, não é um fenômeno de demanda, contra o qual juros altos são eficazes, mas, sim, de oferta.

“Para esta segunda causa, não adianta ficar aumentando a Selic. O Brasil está dando dose exagerada de um remédio tóxico para sintomas errados”, pondera.

Segundo ele, além disso, o aumento dos juros trava a economia e atinge de modo direto o agronegócio, que precisa de taxas menores para o financiamento da safra e da atividade pecuária. Meirelles frisa que as linhas especiais de crédito do Plano Safra, embora sejam crescentes, são insuficientes para atender todos os produtores.

“Pois bem, com a Selic batendo em 14% ao ano, fica muito difícil, ou até impossível, contratar operações de crédito”, conclui.

Com a refeição custando em média R$ 40,64, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), a marmita passa a ser a principal aliada do trabalhador brasileiro que precisa economizar para manter o orçamento em dia. Pesquisa da Sodexo Benefícios e Incentivos, realizada com 3.931 pessoas em todo país entre os dias entre os dias 13 e 15 de julho, mostra que 65% delas costumam levar a quentinha para o trabalho. Mas há também as que costumam almoçar em restaurantes que oferecem o prato feito (17,22%), seguido das que costumam comer em restaurante por quilo (14,68%) e em restaurantes à la carte (3%).

Segundo o estudo, a opção da marmita já era adota pelo trabalhador antes do avanço da inflação, com 33,15% afirmando terem o hábito de levar a comida pronta de casa por considerar ser essa uma refeição mais barata; 25,36% por preferir a comida caseira, seguido de 22,82% que passaram a levar marmita após a alta dos preços, sendo que apenas 18,67% declararam que mesmo com a alta dos preços, preferem comer em restaurante.

A pesquisa mede também com que frequência a opção da marmita é utilizada na semana. Para 51,72%, sempre; 20,63%, de duas a três vezes por semana; 20,27%, nunca e apenas 7,38%, uma vez por semana.

Entre os dias da semana, o sábado (55,23%), a sexta-feira (43,27%) e a segunda-feira (27,04%) são quando não preferem levar marmita; na sequência aparece a quarta-feira (15,85%); quinta-feira (14,83%) e terça-feira (13,43%).

Mas quando se trata do lazer do final de semana, 43,28% afirmam que ainda continuam frequentando restaurantes, mas não como antes; 40,52% declaram que não frequentam mais restaurantes por não terem mais condições financeiras para isso e 16,21% que continuam frequentando restaurantes normalmente.

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