Sem apoio, Guedes começa a tirar o time de campo

Ministro diz que não sairia na primeira derrota, mas não tem apego ao cargo.

Conjuntura / 10:13 - 28 de mar de 2019

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou não ter “apego ao cargo”, e afirmou que poderá deixar o governo caso o presidente da República, os partidos e os parlamentares rejeitem sua agenda econômica. Ele citou especificamente a reforma da Previdência e o possível reconhecimento de uma dívida de R$ 800 bilhões da União com os estados.

Guedes salientou que não seria irresponsável de deixar o governo após sofrer a primeira derrota. Mas o tom de sua fala na audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado foi melancólico: “Se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver o Brasil, eu estarei [no governo]. Agora, se o presidente ou a Câmara ou ninguém quer aquilo, eu vou dificultar o trabalho dos senhores? De forma alguma. Voltarei para onde sempre estive.”

O ministro prosseguiu: “Vou ficar aqui para quê? Para apagar incêndio? Vou entrar para o Corpo de Bombeiros de Brasília?”

Paulo Guedes reiterou que a economia final de recursos com a reforma da Previdência não pode ficar abaixo de R$ 1 trilhão, sob pena de impedir a adoção do regime de capitalização (quando o trabalhador deposita o dinheiro de sua própria aposentadoria em uma instituição financeira, sem garantia de quanto irá receber).

As derrotas do governo na terça-feira, com a aprovação na Câmara da proposta de emenda constitucional que torna o Orçamento impositivo e a rejeição de pontos da reforma da Previdência por partidos que eram considerados simpáticos à proposta, deixaram o clima tenso em Brasília.

Chegou a haver bate-boca entre o ministro e a senadora Kátia Abreu (PDT-TO). Na chegada do ministro à Comissão, jornalistas foram retirados dos corredores pela segurança, aumentando os protestos dos senadores.

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