Sem artifícios

Após admitir que o câmbio valorizado tem efeitos maléficos sobre a economia do país, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo estuda o uso de instrumentos para atuar sobre o problema, mas “sem artificialismos como a China”. Se o ministro pensa que o câmbio é a única explicação para o forte crescimento chinês, deveria rasgar o diploma de economista. De qualquer maneira, faria bem à vida dos brasileiros recorrer a algum tipo de artifício que mantivesse o país crescendo já há uma década na faixa de dois dígitos, com juros e inflação bem mais baixos dos que os praticados por aqui.

Papel pintado
Vai ver, para o ministro Guido Mantega, ausência de artificialismo deve ser o real valer quase a mesma coisa que o dólar, moeda da principal economia do planeta.

Alívio
As empresas paulistas que comercializam software voltarão a pagar ICMS com base apenas nos valores dos meios físicos utilizados, como CD-ROMs e DVDs, de acordo com o Decreto 51.619/07, editado pela Secretaria estadual da Fazenda de São Paulo e que entrou em vigor no último dia de fevereiro e retroativa ao primeiro dia do mês passado. A base de cálculo é o valor correspondente ao dobro do preço de mercado do suporte físico do software.
“Ficaram de fora, no entanto, os jogos eletrônicos, ainda que educativos”, salienta o tributarista Milton Fontes, do escritório Peixoto e Cury Advogados.

Medo de cara feia?
Para o economista Adhemar Mineiro, do Dieese, especialmente no caso do Brasil, que “tem comércio diversificado”, seria mais prudente o país distribuir suas reservas internacionais em uma cesta de moedas, e não exclusivamente em dólares. Mas pondera para as consequências políticas dessa opção. “Os países que optam por esse caminho enfrentam cara feia dos EUA”, definiu.
Mineiro, que integra o Conselho Editorial do MM, admite que a simples elevação dos juros norte-americanos provocaria uma recuperação do dólar, mas pondera sobre a viabilidade política de uma medida como essa. “Isso implica recessão interna, que teria reflexos eleitorais negativos, principalmente depois da vitória dos democratas nas eleições para o Congresso, que antecipou o processo eleitoral para a presidência”, resumiu.

Barato em Doha
Considerações do sempre irônico prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), em seu Ex-blog, sobre a proposta do governador fluminense, Sérgio Cabral (PMDB), de legalização das drogas leves: “Na medida que o consumo de maconha gera uma atividade muito lucrativa, a indução à plantação será economicamente inevitável. Quantos milhares de hectares serão usados para plantar maconha? Substituirá imediatamente as menos lucrativas, que são as alimentares: feijão, arroz, mandioca, milho…”
“Há maconha de diversos níveis de intensidade. Como a cerveja que pode ter de 3% de teor alcoólico a 13% (…). Quem fará o controle de qualidade para que o consumidor não seja enganado? Será incluído no Código de Defesa do Consumidor?”
“Na medida que outros países de fronteira não autorizam o consumo, como se fará o controle da fronteira? Aumentaremos nossos efetivos da Polícia Federal? E as exportações? Serão incluídas nos contenciosos internacionais? O acordo de Doha tratará do problema?”

Regressão
O aumento do número de anúncios de produtos para adultos que recorrem a apelos infantis tem, digamos, explicação psicológica. Pesquisas publicitárias detectaram que muitos pais que se sentem culpados pelo pouco tempo dedicado aos filhos buscam aplacar suas consciências deixando a cargo de seus pimpolhos a escolha pelos produtos que pretendem comprar, o que, inclui até a opção pelo modelo do carro da família.

Parcimônia
Qual será o tamanho do futuro contracheque de Afonso Bevilaqua quando terminar seu período de quarentena pós-Banco Central?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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