Sem aumento real do mínimo, economia perde R$ 10,5 bilhões

Mesmo com reajuste de R$ 6, trabalhador recebe R$ 220 a menos por ano.

O salário mínimo deveria ficar em R$ 1.061 ou R$ 1.062 se fosse mantida a lei que garantia aumentos reais, iniciada na década passada e renovada em 2015. A fórmula, que garantia a reposição da inflação mais um aumento real correspondente à elevação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, foi extinta pelo atual governo.

Se a regra valesse, o trabalhador receberia R$ 16 ou R$ 17 a mais por mês, ou cerca de R$ 220 de acréscimo em relação ao salário mínimo definido pelo Ministério da Economia. Nesta terça-feira, foi reposta a inflação, com o piso ficando em R$ 1.045.

Em 31 de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro editou medida provisória fixando o salário mínimo em R$ 1.039, acreditando que a inflação ficaria em 4,1%. No entanto, o INPC fechou 2019 em 4,48%. Para não ficar com a imagem de que reduzira o piso salarial, Bolsonaro conseguiu da equipe econômica um acréscimo de R$ 6, repondo, ao menos, a inflação. A medida vai representar R$ 2,13 bilhões aos cofres públicos este ano.

O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, em comentário na Rádio Brasil Atual, explica que o fim do aumento real gera uma perda na massa salarial por ano, que chegaria a R$ 14 bilhões antes do acerto feito nesta terça. Mesmo com o acréscimo de R$ 6, o bolo dos salários perde pouco mais de R$ 10,5 bilhões.

De acordo com o Dieese, pelo menos 48 milhões de trabalhadores têm a remuneração referenciada no salário mínimo. “O governo está tirando da economia quase metade daquilo que se propôs a colocar com a liberação do Fundo de Garantia”, compara Clemente.

“O crescimento contribuiria positivamente para melhorar as condições de vida das pessoas, porque um salário mínimo com maior poder de compra significa maior capacidade do trabalhador e da trabalhadora financiar seu orçamento, e a economia também ganha. Ganham as empresas, porque vendem mais, ganha o governo, porque a economia girando mais, gera mais tributos e a arrecadação cresce. Ou seja, todos ganham”, afirma o diretor técnico.

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