Sem ação

Um marciano que acompanhe o noticiário sobre a Delta exclusivamente pelo site da construtora vai continuar no ar. No link “Notícias” da empresa, não existiu uma única menção sobre as acusações que a vinculam a Carlinhos Cachoeira. Sequer existe matéria dando conta que a empresa foi afastadas da bilionária reforma do Maracanã. Aliás, a última notícia do clipping digital é de 23 de março, e trata da “Ação Jundiá – RR”.

Keynesianismo revisto
As políticas keynesianas não podem ser confundidas com mero consumismo. O alerta é do jornalista e economista José Carlos Assis. Em artigo no portal de Carta Maior, Assis, integrante do Conselho Editorial do MM, observa que, para Keynes, quando um país encontra-se em recessão, só existem três alternativas para recuperação da sua economia: o estímulo ao consumo interno para estimular indiretamente o investimento e o emprego; o estimulo à demanda externa (exportações) ou uma ação pela lado da oferta, isto é, facilitar e baratear o crédito para favorecer diretamente o investimento.
“A terceira dessas alternativas geralmente não funciona, como se sabe pelo menos desde a Grande Depressão dos anos 30: os empresários, diante de uma fraca demanda, deixam seu dinheiro nos bancos e não investem. É uma atitude racionalmente correta, pois ninguém produz exclusivamente para as prateleiras. A expressão tradicionalmente usada para dar conta desse fenômeno é o “empoçamento” do dinheiro e do crédito no sistema financeiro. É o que está acontecendo neste momento nos países ricos”, observa Assis.

Rios de dinheiro
Ele exemplifica essa limitação, observando que “os rios de dinheiro” em forma de juros baratos que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e o Banco Central Europeu (BCE) têm posto à disposição dos grandes bancos – US$ 1,2 trilhão, a 0,25% ao ano, e cerca de 1,3 trilhão, a 1% ao ano, respectivamente – não têm resultado em aumento do crédito para o setor produtivo: “Nada acontece. Os grandes bancos usam o dinheiro para especulação e arbitragem, não para empréstimos. Além disso, as grandes corporações norte–americanas têm em caixa própria mais de US$ 2 trilhões que não investem.”

Consumismo&emprego
Para Assis, a insistência do Fed e do BCE nessa política de “facilitação quantitativa” tem apenas uma explicação: supostamente enfrentar a crise favorecendo os poderosos: “Do contrário, teriam de recorrer à política fiscal, implicando aumento dos gastos públicos, e esse processo significaria transferência de renda para os mais pobres mediante políticas públicas de favorecimento ao consumo, pelo menos no curto prazo”, acrescenta.
O economista lembra que, para tirar os EUA da Grande Depressão, o objetivo mais urgente para Keynes era a geração de postos de trabalho: “Sua obsessão em criar emprego era tanta, que julgava defensável até mesmo o investimento público em obras inúteis, como enterrar notas de dinheiro e mandar os trabalhadores desenterrá-las, desde que isso criasse renda e emprego. O empregado é por sua vez um consumidor, e algum aumento de consumo surge dessa política, mas isso não se confunde com consumismo”, recorda Assis.

Muito por pouco
Além de socialmente perversas, muitas das medidas recessivas impostas por governos europeus aos seus cidadãos são inócuas em relação ao alegado objetivo de reduzir o déficit fiscal. A decisão do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, de obrigar os pensionistas a pagarem pelos medicamentos, por exemplo, segundo o jornal El País, vai resultar numa economia de apenas165 milhões de euros.

RJ-SP
As Organizações Globo concentraram tanto sua pauta na cobertura da Delta nas obras obtidas por esta junto à União, que, por vezes, seus leitores podem esquecer que a construtora é carioca. Desse jeito, coube à imprensa de São Paulo tratar das relações da Delta com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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