Sem carruagem

A “bolha” especulativa comandada pelo escocês John Law e o duque de Orleães na Paris de 1716/1720 elevou o preço das ações da Companhia do Mississipi de 500 luíses (equivalente hoje e a cerca de 500 francos franceses) para 18 mil luíses. Surgiram a primeiras opções de compra. Até que, na primavera de 1920, um grupo de especuladores resolveu exercer seu direito de converter as ações em dinheiro. Law não conseguiu cobrir os pedidos e ofereceu papéis do governo. Começou a corrida ao banco: milhares de investidores desesperados invadiram a casa bancária; 15 pessoas morreram esmagadas na porta do estabelecimento. No outono, a Companhia do Mississipi foi desmantelada e Law demitido do governo. A situação financeira da França estava ainda pior que após a morte de Luís XIV. Após ser apedrejado, Law foi obrigado a desistir do habitual passeio de carruagem, quando aproveitava para pavonear-se e desfilar seu sucesso. Em outubro, fugiu para Veneza.

Autocrítica
Até por um mínimo de respeito à inteligência de seus leitores, certos colunistas econômicos deveriam gastar muitas linhas mais para explicar sua mudança de opinião em relação a temas que tratavam por anos a fio como dogmas. A lista é longa, mas para começar é indispensável relembrar suas opiniões anteriores sobre a catástrofe que se seguiria à desvalorização do real, os ganhos fantásticos para os consumidores com as privatização de concessionárias de serviços públicos e as delícias da abertura comercial unilateral.

Kandires
Das duas uma, ou presidente FH bota na rua metade da equipe econômica herdada do collorato, ou pára com este nhenhenhém de que a dívida provocada pela tunga na correção do FGTS não é responsabilidade do seu governo.

Padrão
A Telemar (Tele Norte Leste Participações S/A) oferece um conveniente serviço aos seus acionistas: através da página da empresa na Internet, é possível a qualquer pessoa ou empresa saber quantas ações do Grupo Telemar possui. Basta indicar o CPF ou CNPJ, conforme o caso, para obter a informação. Bem, quase. Durante três dias esta coluna testou o sistema e obteve como resposta “este serviço não está disponível no momento, por favor, tente mais tarde”.

Público errado
Os constantes périplos ao exterior estão levando o presidente FH a confundir as platéias. Ao anunciar a intenção de privatizar Furnas, ele alegou que essa fora uma promessa de campanha. Como por aqui, nenhuma palavra foi ouvida a respeito, FH deve estar confundindo o Brasil com Nova York, Miami, Londres, Tóquio…

Terceiro mandato
Levantada pelo senador Roberto Freire (PPS-PE), que quer criar um movimento Mário Covas pelo Parlamentarismo, a proposta é considerada pelo líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro, “um golpe contra as instituições democráticas e a vontade popular”. O deputado federal baiano lembra que, “fizemos debates com a sociedade, fizemos um plebiscito que rejeitou o parlamentarismo. No fundo, é um golpe”, avaliou. Para ele, quem prega a volta do debate sobre o parlamentarismo desvia a tenção para o “mar de lama” que, segundo o deputado, atinge o presidente FH. Outra intenção dos governistas, de acordo com Walter Pinheiro, é se preparar para uma eventual vitória dos partidos de esquerda na próxima eleição presidencial. “A proposta é um velho sonho de FH, uma alternativa para ele alimentar a esperança de um terceiro mandato, já que não é possível uma nova reeleição”, falou o líder do PT.

Provisório eterno
Com previsão de durar 12 anos, o aumento de alíquota do FGTS tem tudo para ser a nova “CPMF”.

Brasil real
O transporte clandestino, ou – na linguagem do mercado, empreendedores – tomaram conta do setor de transportes no Nordeste. Ao volante de kombis e bestas e cobrando preços competitivos, os clandestinos aproveitaram o vácuo do deficitário transporte legalizado para arrebatar e fidelizar uma clientela numerosa. Os clandestinos estão tão enraizados que até a repressão afrouxou e barateou a propina para policiais desonestos, que caiu para um intervalo entre R$ 1 e R$ 2.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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