Sem condições

Em palestra, ontem, na ADVB-RJ, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, criticou o governo petista, dizendo haver um “custo PT” embutido nas taxas de juros praticadas no país. Mas desconversou ao ser perguntado sobre a semelhança entre as políticas econômicas dos governos Lula e FH: “As condições eram outras, minha geração não conhecia moeda estável. Além disso, começaram a aparecer esqueletos, inclusive nas dívidas estaduais”, disse.

O passado do presente
Alckmin se transformou num defensor de CPIs. “O país precisa trabalhar para atrair investimentos, mas não podemos permitir a impunidade. Aliás, a punição exemplar fortalece as instituições”, defende o governador de São Paulo, que, à época da CPI da Corrupção proposta durante o governo FH, tinha posição idêntica à explicitada pelos petistas de hoje a propósito de investigações sobre sua administração.

Amnésia seletiva
Ganha um picolé quem adivinhar os autores das pensatas abaixo sobre CPIs:
1) “Um presidente da República não pode aparecer em público e impedir uma CPI como está fazendo o Fernando Henrique, até porque não é apenas uma denúncia, são muitas.”
2) “Eu diria que o presidente está tomando uma posição de covarde. Quem não deve não teme.”
3) “Essa questão de abafar a CPI dos bancos só no Senado é um caminho perigoso, porque vai parecer cumplicidade do governo e do Senado diante de fatos graves.”
4) “O governo está agindo como réu confesso ao pressionar contra a CPI.”
Os autores foram, pela ordem, Luiz Inácio Lula da Silva (em abril de 2001 e agosto de 2000); José Genoíno (abril de 1999) e José Dirceu (maio de 1997).

Igualzinhos
A rememoração do passado petista é de autoria do PSDB, que, agora, só fica devendo divulgar o que os tucanos diziam à época em que ocupavam o papel de abafadores de CPI. À falta de paciência para pesquisa, interessados no tema podem preencher esse vazio colocando as frases dos petistas de hoje na boca dos tucanos de ontem.

Causas do insucesso
Impressiona por seu caráter revelador o silêncio da imprensa sobre o repúdio à política econômica registrado na mesma pesquisa que registrou queda da popularidade do presidente Lula e do seu governo. Entre abril e maio, a aprovação à política econômica caiu de 41% para 37,5%; enquanto a desaprovação saltou de 35,3% para 45,2%.

Divisão
A Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou a construção de muros de dois metros de altura nas vias estaduais que passam por favelas. A governadora Rosinha Garotinho terá 30 dias para decidir se sanciona ou não a proposta.

Prática
Estão abertas as inscrições para novas turmas do Programa de Formação do Instituto Coppead de Administração da UFRJ. Com uma carga de 200 horas, os cursos de formação têm por objetivo desenvolver, entre futuros executivos, competências específicas, através de disciplinas práticas, voltadas para a realidade do mercado e configuradas a partir das necessidades das empresas. O programa é voltado para profissionais mais jovens – alunos dos últimos períodos de graduação ou com poucos anos de formados, nas áreas de marketing e finanças. Mais informações em www.coppead.ufrj.br/programadeformacao

Padrinho fraco
Apoiadora de primeira hora da candidatura Lula, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) faz circular entre os funcionários da Petrobras abaixo-assinado contra a substituição do diretor de Exploração e Produção da empresa, Guilherme Estrella. Para defender a permanência de Estrella, a FUP lembra os resultados atingidos pela Petrobras em sua gestão, o que inclui a auto-suficiência – ainda que temporária – na produção de petróleo. Apesar do feito, mais eficaz, talvez, seria pedir o aval do parceiro deputado Roberto Jefferson (RJ-RJ).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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