Sem esfolar

Em tempos de fusões e maior concentração do poder de cartéis e monopólios, vem das padarias um dos raros exemplos de concorrência na economia tupiniquim. Apesar do aumento de 12,44% no preço da farinha de trigo, nos últimos 12 meses até setembro, a inflação do pão francês ficou em  4,3%, abaixo dos 7,14%, do Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-BR), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para o economista André Braz, da FGV, uma das razões para o não repasse integral do encarecimento da matéria-prima para o consumidor pode estar na acirrada concorrência entre as padarias:. “A concorrência é a melhor arma em prol do consumidor. Porque, quanto mais gente tiver vendendo produto, mais difícil fica para você promover repasses”, observa.

Chamariz
Braz lembra que o pão francês tem peso significativo no orçamento familiar, de quase 1%: “E ele foi o que menos subiu nos últimos 12 meses”, observa Braz, acrescentando que, em alguns lugares, o pão serve de chamariz para o consumidor, que acaba levando outros produtos que, “são os que interessam para os estabelecimentos”, porque terem maior margem de lucro. Já em outros itens, cuja fabricação também usa a farinha de tribo, os aumentos de preços foram bem superiores, como a torrada (10,67%) e pães de outros tipos (6,43%) e pão de forma (7,69%).

Benesses
Artigo do secretário estadual da Casa Civil do Rio de Janeiro, Regis Fichtner, publicado há uma semana, diz muito da posição do governo fluminense sobre a questão do petróleo e ajuda a explicar o imbróglio dos royalties do pré-sal. Fichtner acusa as “petroleiras” de pagarem pouco, especialmente a título de participação especial. Só que essas “petroleiras” sob fogo cerrado têm um só nome e um só CNPJ: Petrobras. O secretário deixa claro seu alvo ao falar de “uma série de benesses no novo marco regulatório” que teria beneficiado a estatal.
Aí está o ponto crucial: o Governo Sérgio Cabral (PMDB) sempre tentou bombardear a mudança na forma de exploração de petróleo, de concessão para partilha. Queria manter o primeiro modelo, mais favorável às petroleiras multinacionais. Cabral deve ter milhões de motivos para defender a concessão, mas, ao se movimentar – de forma atabalhoada – para manutenção do status quo, acabou ajudando a pulular a questão dos royalties, que passaram a ser disputados pelos estados não produtores. Tivessem Cabral e seu governo trabalhado pela partilha, não teriam levantado poeira sobre o assunto; teriam defendido os direitos do Rio de Janeiro e, de quebra, do Brasil. Mas parecem mais empenhados em atacar as “petroleiras”.

Mau roteiro
A rocambolesca história sobre o atentado contra o embaixador da Árabia Saudita nos Estados Unidos por traficantes mexicanos a mando do Irã está mais para Inspetor Closeau do que para James Bond.

Queimados
A Junta Comercial do Estado e a prefeitura de Queimados assinam, nesta terça-feira, o convênio para a implantação do Regin na cidade. O Regin é o novo sistema de registro empresarial que simplifica o processo de abertura de empresas no Estado, já que permite a integração das prefeituras, Secretaria de Fazenda do Estado e a Secretaria da Receita Federal e outros órgãos envolvidos.

Essenciais
A tese é antiga e se repete a cada greve no setor público: setor essencial não pode ter paralisação. O mesmo pensamento, porém, não é acompanhado pelo complemento óbvio: e o salário essencial? Se greves nessas áreas provocam transtornos no público, seus funcionários deveriam ter mecanismos pactuados e, talvez automáticos, de reajuste salarial, que, já na origem, evitassem a paralisação. Se não, tem-se mais uma das muitas incoerências tupiniquins: funcionários de serviços que não podem ser suspensos recebendo remunerações subessenciais, como os carteiros e bombeiros, para ficarmos em dois exemplos emblemáticos.

Mau exemplo
Para o economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Unicamp, a proposta da ex-secretária de Estado dos Estados Unidos Madeleine Albright, de que seu país deveria imitar o Brasil e acumular reservas é absurda. Ele adverte que, se isso ocorresse, os EUA provocariam uma recessão mundial de proporções incalculáveis. “Fica até difícil comentar uma opinião dessas.”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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