Sem Estado, sobram subdesenvolvimento e concentração de renda

Diretor da Aepet reafirma importância da Petrobras e lembra que nenhum país se desenvolveu sem presença estatal.

Ricardo Maranhão, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), debate, em carta, argumentos utilizados pelo presidente da estatal e que são recorrentes em discursos liberais no Brasil. Um deles é que os gastos públicos se tornaram abundantes, assim como ocorre no país um redistributivismo perverso. Maranhão estranha que, em um país marcado pela desigualdade como o Brasil, “com concentração de renda sem paralelo no mundo”, alguém possa questionar a necessidade de redistribuir a renda. Lembra que essa desigualdade é um entrave para o desenvolvimento.

Outra afirmação recorrente é que, através de monopólios, transferiu-se renda do povo brasileiro para pequenos grupos de interesse. Não deixa de ter seu fundo de verdade. O problema é: que grupos receberam esta transfusão? O diretor da Aepet afirma que os grandes beneficiados são alguns monopólios e, principalmente, o setor financeiro. Lembra que contribui para essa transferência de renda o sistema tributário perverso, que favorece o capital em detrimento do trabalho.

Maranhão faz na carta uma defesa veemente da Petrobras e do Estado nacional, destacando o inquestionável sucesso da companhia e que nenhuma nação chegou ao pleno desenvolvimento sem alguma forma de participação do Estado no processo de superação do atraso.

 

Desvendando o ‘embromês’

Reforma da Previdência e outras reformas – A palavra reforma na política nacional ganhou força no Governo João Goulart. Significava que a legislação para várias áreas no Brasil não atendia ao interesse e à necessidade da maioria absoluta do povo. Tal era o caso do ensino, da propriedade da terra, das ações dos bancos, da habitação urbana etc. Foi contra estas reformas que se deu o golpe de 1964.

Hoje, disfarçada e enganosamente divulgada pelas redes de televisão, grande imprensa e canais virtuais, a palavra reforma toma o sentido de promover alterações legislativas que transfiram para maior ganho dos bancos e das empresas financeiras os recursos que seriam para as pessoas mais necessitadas e para os projetos de cunho social, como a manutenção e ampliação da ação do Sistema Único de Saúde (SUS), o ensino público amplo e de qualidade e a garantia de trabalho e da vida digna na velhice. Reforma hoje não é do interesse do povo, é apenas para lucro do sistema financeiro.

 

Contra o crescimento

O BNDES está praticando juros para pequenas empresas – no Cartão BNDES, por exemplo – na casa de 1,3% ao mês, o que dá 16,77% ao ano. Ainda que para os padrões brasileiros não seja um assalto, alguns bancos comerciais, dependendo da linha de crédito, conseguem taxas menores.

 

Rápidas

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) nomeou Flavio de Souza como presidente do Conselho Diretor. Ele assume no lugar de Wilson Mello, que ocupará a presidência da Investe São Paulo *** Neste sábado, o Caxias Shopping estará engajado na Hora do Planeta, movimento mundial que propõe 60 minutos sem consumo de energia elétrica, pela redução do aquecimento global. Das 20h30 às 21h30, algumas luzes das fachadas do shopping serão apagadas e as lojas serão incentivadas e diminuírem as luzes das vitrines *** Nesta terça-feira, a partir das 9h, o advogado Fernando Santiago fará, na Câmara de Comércio França-Brasil, a palestra “Como ser um Data Protection Officer (DPO) na Prática”. “Creio que este será um dos trabalhos mais bem remunerados nos próximos anos”, afirma o advogado. Os salários mensais são estimados em até R$ 50 mil. Inscrições: ccfb.com.br/eventos/como-ser-um-data-protection-officer/

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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