Sem final feliz

A política de cortes selvagens de gastos públicos na Espanha atingiu até o cinema, umas das principais manifestações identitárias daquele país e que já produziu obras primas de nomes como Luiz Bruñuel, Carlos Saura e Victor Erice. O Fundo de Proteção à Cinematografía, um das fontes de financiamento do setor, sofreu uma tesourada de 35% no orçamento, que emagreceu de 76 milhões de euros para 49 milhões de euros. Já o Instituto de Cinematografía e  Artes Audiovisuais viu suas verbas encolherem em 35,4%, de 106 milhões de euros para 68,86 milhões de euros.

Rendição
Entre os itens do pacote imposto pela tróica – FMI, União Européia e Banco Central Europeu (BCE) – à Grécia, está a garantia de que “o governo não proporá nem implementará medidas que possam infringir as regras da livre movimentação de capitais. Nem o Estado, nem outras entidades públicas, concluirão acordos de acionistas com a intenção ou o efeito de obstaculizar a livre movimentação de capitais ou influenciar a administração ou controle das empresas. O governo não iniciará nem introduzirá quaisquer limites de participação votante ou aquisição, e não estabelecerá quaisquer direitos de veto desproporcionais ou não justificáveis, ou qualquer outra forma de direitos especiais nas companhias privatizadas”.

Rendição – 2
Mas os termos do “Memorando de Entendimento” chegam a detalhes inimagináveis, como a exigência de redução de gastos com remédios e “a suspensão das limitações para os varejistas venderem produtos de categorias restritas, como alimentos infantis”.

Rendição – 3
Os termos impostos à Grécia são tão draconianos que até o colunista financeiro do londrino Daily Telegraph Ambrose Evans-Pritchard alertou em sua coluna: “A política não pode controlar o consenso democrático ao longo do tempo. O Partido Pasok, outrora dominante, desabou para 8% nas pesquisas. O apoio (popular) está se dividindo entre a extrema-esquerda e a extrema-direita, exatamente como a Alemanha de Waimar sob a deflação.”
E continuou: “O próximo Parlamento grego será recheado com incendiários antimemorando e qualquer tentativa das elites gregas de evitar que as eleições ocorram deve empurrar os protestos de rua no rumo da revolução.”

Mão-de-obra
Os Acordos Internacionais celebrados por órgãos fiscais, previdenciários e facilidades decorrentes dos mercados comuns, como Mercosul e Zona do Euro, serão um dos temas abordados por Nádia Demoliner Lacerda, mestre em direito do trabalho e coordenadora da Divisão Internacional do Mesquita Barros Advogados no seminário Mão-de-obra estrangeira no Brasil e brasileira no exterior, nos próximos dias 19 e 20, no auditório da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), na Avenida Graça Aranha 1/3º andar, no Centro do Rio.
A abertura do evento, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, será feita por Paulo Sérgio de Almeida, coordenador geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego e presidente do Conselho Nacional de Imigração.

Freio de arrumação
Apesar do acordo assinado entre o Sindicato dos Rodoviários do Municípios do Rio de Janeiro com os representantes das empresas de ônibus, ainda, não está afastada a possibilidade de greve no setor. Na próxima segunda-feira, às 15h30m, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Sintraturb) realiza, na quadra da Unidos da Tijuca, assembléia, na qual a categoria poderá decretar paralisação por tempo indeterminado e cuja principal reivindicação é o piso salarial de R$ 2 mil. O Sintraturb, que disputa com o Sindicato dos Rodoviários do Municípios do Rio de Janeiro o direito de representar os rodoviários, garante ter obtido do Ministério do Trabalho sua carta para seu funcionamento como sindicato.

Ressuscitar de novo
O economista José Carlos de Assis, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), não faz coro aos analistas que apontam para uma recuperação da Europa, sobretudo após o superávit em conta corrente no último trimestre do ano passado, de 4,4 bilhões de euros, e do repasse trilhionário do Banco Central Europeu (BCE) aos bancos privados: “No final de 2009, dizia-se que o pior já tinha passado e que os países desenvolvidos estavam se recuperando”, lembrou Assis, integrante do Conselho Editorial do MM e colaborador desta página 2.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorCrise? Que crise?
Próximo artigoCaro&pobre

Artigos Relacionados

Bolsonaro invade TV Brasil

Programação foi interrompida 208 vezes em 1 ano para transmissão ao vivo com o presidente.

FMI: 4 fatores ameaçam inflação

Fundo acredita que preços deem uma trégua no primeiro semestre de 2022, mas...

Pandora Papers: novos atores nos mesmos papéis

Investigação mostra que pouco – ou nada – mudou desde 2016.

Últimas Notícias

IGP-M acumula inflação de 21,73% em 12 meses

Alta da taxa de setembro para outubro foi puxada pelos preços no atacado.

Mirando agora na PEC dos Precatórios

Ultrapassada a decisão do Copom, investidores vão mirar na avaliação da PEC cheia de 'jabutis' que ainda não foram retirados.

Funcionalismo público: críticas e realidade da categoria

Por Relly Amaral Ribeiro.

Scheer Churrasqueiras dobra vendas na pandemia

Empresa lançou 25 itens em sua linha residencial.

RJ terá receita extra de R$ 100 bilhões

Uma receita extra de R$ 100 bilhões nos próximos dez anos é o que prevê o governo do Estado do Rio de Janeiro com...