Sem graça

O prefeito de uma cidade fluminense está enrolado não é à toa. Um ex-secretário municipal diz que recebeu para assinar empenhos em que a Prefeitura comprava por R$ 900 uma cadeira que poderia ser encontrada em qualquer loja por R$ 90. Já uma singela caneta Bic custaria à administração municipal R$ 10 a unidade. Garante o ex-secretário que tirou cópia de tudo.

Ousar vencer
Governantes brasileiros pós-Plano Real adoram citar os ex-presidentes JK e Getúlio Vargas – este, a partir das administrações petistas – como modelos inspiradores de seus mandatos. Com o Brasil enfrentando sua segunda grande crise em três anos, a presidente Dilma terá a oportunidade de mostrar ao país se está mais para estadista, como os dois citados, ou para gerente no estilo burocrático. Poucas vezes, assim como em 1930, o Brasil teve oportunidade tão clara para comprovar o velho jargão de que crise também é oportunidade, para engatar um crescimento efetivo e consistente.

Espremer os juros
Nos últimos meses, a economia tem visto sinais claros de que um novo ciclo de recessão global está se aproximando. Pensar que o Brasil possa passar incólume por essa recessão que se anuncia é ingenuidade; no entanto, há como fazer uma limonada deste limão. Esta é a posição da Assessoria Técnica da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio), que aponta que este é o momento mais propício para o governo encerrar o ciclo de elevação da taxa Selic e começar a baixar os juros. Com isso, geraria um alívio imediato sobre as contas públicas e, em médio prazo, aumentaria a capacidade de exportação do país, o que melhoraria a balança de transações correntes.
Segundo os técnicos da Fecomercio, o Brasil se torna uma alternativa natural e segura para investimentos, tendo em vista os problemas na Eruopa e nos Estados Unidos. Logo, não precisaria manter a maior taxa real de juros do planeta para atrair capital estrangeiro.
“Se o Brasil quiser se firmar, definitivamente, entre as principais economias do mundo, é hora de o Banco Central reavaliar o cenário de forma mais ampla, revendo conceitos e, principalmente, seus modelos econométricos elaborados dentro de uma realidade que está se transformando drasticamente”, sentencia a entidade.

Força do Sol
A energia solar entra em campo na Alemanha, pelo menos nos gramados de futebol. A norte-americana SunPower vai patrocinar, pelos próximos três anos, o Bayer Leverkusen vice-campeão da temporada passada.

Base
A reação do presidente Barack Obama ao aprofundamento da crise divide as opiniões nas ruas do Harlem, em Nova York. Nas tradicionais missas gospel, alguns negros estadunidenses acusam as agências de classificação de risco de boicotarem Obama. Para outros, no entanto, o presidente traiu seu eleitorado ao se aliar a Wall Street.
Já quem visita as lojas de departamento nova-iorquinas pode constatar in loco o processo de desindustrialização brasileira: toalhas, lençóis, frigideiras, sabonetes, tudo ou quase tudo custa mais barato do que no Brasil. E outros artigos, como suco de laranja e garrafa de água, têm preços equivalentes aos praticados aqui, onde, como se sabe, o poder aquisitivo é inferior aos dos Estados Unidos.

Micros na Bahia
Nesta quarta e quinta-feira, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) realiza, em Salvador, seu 21º Congresso. O evento, que coincide com a comemoração dos 200 anos da CACB, vai ter como principal foco a situação das micros e pequenas empresas. Empreendedorismo, resolução de conflitos, negociações transnacionais e o novo consumidor brasileiro também estarão na pauta. Já confirmaram presença, entre outros, o governador da Bahia, Jacques Wagner, o diretor- presidente do Sebrae, Luiz Barretto, e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira.

Passe de mágica
O dinheiro que não existia para alavancar economias em recessão repentinamente aparece na Europa e nos Estados Unidos para resgatar especuladores que não conseguiram abandonar as bolsas a tempo. E – mais interessante – nenhum órgão de comunicação da mídia direitista apareceu para criticar o aumento dos gastos públicos.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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