Sem queimar etapas

“A experiência histórica confirma que as economias de países como a Austrália, o Canadá e de alguns dos escandinavos, que utilizaram mais amplamente as exportações de produtos primários para atingir altos níveis de renda, passaram todas por períodos de forte desenvolvimento e diversificação da indústria como componentes essenciais de sua estratégia de crescimento”, ensina o ex-ministro e ex-secretário da Unctad Rubens Ricupero ao analisar a ameaça de desindustrialização no Brasil: “Mesmo as cidades-Estados do nosso tempo – Hong Kong e Cingapura – hoje predominantemente economias de serviços, recorreram no início e por longo tempo, à industrialização a fim de superar a estreiteza do mercado nacional e para deslanchar o processo de desenvolvimento”, explica.

Desnacionalização
A América Latina parece caminhar longe dessa trilha, privilegiando exportações de produtos primários sem uma estratégia de desenvolvimento industrial. E o efeito é devastador. “Durante a fase de ajustamento pós-crise da dívida, estima-se que cerca de 7 mil firmas chilenas desapareceram, a maioria de porte médio. Na Argentina, esse número chegou a l5 mil. Muitas foram substituídas por grandes empresas estrangeiras cujos setores de engenharia e de pesquisa e desenvolvimento se encontravam no país de origem. Algo similar ocorreu no Brasil com a aquisição por firmas estrangeiras de boa parte do setor de autopeças (Cofap, Metal Leve) e do setor eletrônico e de equipamento de telecomunicações sediado em Campinas”, lamenta Ricupero.

De 120 a zero
Na maioria dos casos na América Latina, o setor de pesquisa de empresas nacionais foi radicalmente reduzido ou teve sua natureza alterada, passando a ocupar-se apenas da adaptação da tecnologia da matriz a condições locais, o que se chama no jargão de “tropicalização” da tecnologia. “Engenheiros de pesquisa foram reciclados em gerentes de vendas”, afirma Ricupero, que refuta a tese da “destruição criativa”.
“Um estudo de Cimoli e Katz observa que, em 1974, o lançamento do Taurus pela Ford Argentina demandou 300 mil horas de trabalho por uma equipe de 120 engenheiros. Ao passo que hoje, para produzir o world car, a Ford não emprega nenhum engenheiro na Argentina. O que houve, portanto, foi que a parte de “destruição” ocorreu na Argentina, enquanto a parte mais interessante, a da “criação”, foi transferida para o país exportador ou sede da empresa transnacional”, finaliza o ex-ministro.

Rolha
Informa o Clarín que a Argentina ultrapassou o Chile na exportação de vinhos para os EUA. Agora ocupa o quarto lugar, atrás da Itália, da França e da Austrália. Ano passado, as exportações de vinhos argentinos para os EUA alcançaram US$ 222 milhões, contra US$ 210 milhões do Chile. Essa tendência começou em 2005. Desde então, as vendas argentinas triplicaram, enquanto, no mesmo período, as vendas do Chile cresceram 17%. As exportações argentinas para todo o mundo alcançaram US$ 860 milhões.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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