Sem razão de existir

Os prefeitos que foram, ontem, ao Congresso Nacional engrossar o lobby oficial a favor do salário mínimo de R$ 260, alegando que um aumento maior inviabilizaria suas administrações, fornecem poderoso argumento aos defensores da redução do número de municípios brasileiros. Afinal, uma prefeitura que se diz sem condições de arcar com um mínimo inferior ao pago pelo Paraguai, noves fora a atração de seus políticos pelos cargos que ocupam, tem poucos motivos para continuar existindo. Deveriam ser incorporados a cidades que não dependam apenas da distribuição de recursos federais para garantir condições mínimas de sobrevivência a seus habitantes.

E agora, Lula?
Os dados apresentados, segunda-feira, pelo presidente Lula na abertura da XI Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em São Paulo, sobre a marcha ré da economia de 94 países em desenvolvimento estão a pedir desdobramentos práticos. Segundo Lula, nos últimos cinco anos 55 países em desenvolvimento cresceram menos de 2% ao ano; 23 viram sua economia encolher; e apenas 16 cresceram acima de 3% ao ano.
Como o período citado (1999-2003) inclui seu primeiro ano de governo, Lula não compareceu apenas como observador da cena contemporânea, mas como protagonista responsável pelos resultados do Brasil. Levantamento divulgado pelo Conselho Federal de Economia, no primeiro trimestre deste ano, mostra que, em 2003, quando a política econômica do ministro Palocci fez o país encolher 0,2%, somente 15 países tiveram quedas maiores do PIB do que a do Brasil, que, entre os 178 membros do FMI, ficou na 163ª posição no ranking do crescimento.
Como Lula não perde oportunidade para reafirmar que manterá a política econômica responsável por esse resultado, é necessário esclarecer se suas considerações na Unctad se restringem ao descompromissado terreno da retórica ou se são um anúncio antecipado da hecatombe que prevê para o Brasil depois de quatro anos de paloccianismo.

Cidadania
Cidadania e Direitos dos Pacientes Psiquiátricos será o tema de seminário que a Casa de Saúde Saint Roman realiza na próxima sexta-feira na sede da Fecomércio-RJ. Participa Paulo Cesar Geraldes, diretor da Câmara Técnica de Psiquiatria do Cremerj. Inscrições gratuitas pelo telefone (21) 3861-8100.

Cenário
O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Roberto Luiz Troster, faz palestra na próxima segunda-feira, na Sociedade Rural Brasileira (SRB), sobre Desafios, Tendências e Oportunidades no Cenário Econômico. Mais detalhes em www.srb.org.br

Total
O aumento do preço do óleo diesel deverá desencadear reajuste em torno de 8% nos fretes do transporte rodoviário. A estimativa é de Geraldo Vianna, presidente da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística). Ele justifica por que o repasse do diesel – que representa apenas 20% dos custos – deverá igualar a alta nas bombas: “Ficaram dentro desta faixa os reajustes do principais insumos do transporte (como salários, veículos e pneus), que representam cerca de 90% dos custos do setor.” Nas refinarias, o reajuste foi de 10,6% para o diesel.

Sexta marcha
Em maio, o Índice Nacional de Variação de Custos do Transporte Rodoviário de Cargas Ampliado, calculado pela Fipe para a NTC, apresentou variação de 13,6%, nos 12 meses anteriores, em função da elevação de insumos como protetores (51,93%), seguros (47,92%), câmaras (29,78%), veículos (23,57%), pneus (16,01%), rodoar (15,54%), óleo de cárter (15,02%), salários (12,72%), óleo de câmbio (9,44%), lavagem (9,41%) entre outros.

Se colar…
Que ninguém reclame que os transportadores de carga estão inventando a indexação; eles apenas estão tentando buscar uma fatia do que já é garantido para setores como o de empresas privatizadas (energia, telefonia, rodovias etc.) e monopolistas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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