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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Sem renda, favela corre risco de convulsão social

Sete em cada dez famílias brasileiras que vivem em favelas tiveram a renda reduzida devido à crise causada pela pandemia do coronavírus, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Locomotiva/Data Favela. O estudo ouviu 1,14 mil pessoas em 262 comunidades em todos os estados do país.

Quase a metade (47%) das pessoas que vive nessas áreas trabalha por conta própria, seja como autônomo ou profissional liberal. O índice de quem tem carteira assinada é de apenas 19%; há 10% que está desempregado.

Sem renda, as pessoas dizem que o próprio cuidado com a saúde pode ficar prejudicado. A grande maioria, 72%, disse que não tem economias às quais possa recorrer, enquanto 15% têm poupança para um mês. Por isso, 86% das famílias teriam dificuldades para comprar comida dentro de um prazo de até um mês se tiverem que ficar em casa, sendo que 32% já preveem que será complicado comprar alimentos em uma semana.

Para se preparar para os reflexos que a crise tem trazido para a economia doméstica, 79% disse que já cortou gastos dentro de casa. Porém, para 84% das famílias que têm filhos, os gastos aumentaram agora que as crianças deixaram de ir à escola.

“Por mais que isso soe alarmista, esse quadro pode indicar uma situação de convulsão social num futuro próximo”, alerta o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles. Para ele, são necessárias políticas que mantenham o padrão de vida dessa população.

“Cesta básica ajuda, mas é, de novo, um morador da cidade dizendo para o morador da favela o que ele tem direito. Mais efetivo seria transferir renda diretamente para que eles pudessem comprar o que precisam”, enfatiza em entrevista à Agência Brasil.

Os riscos à saúde trazidos pelo novo coronavírus são uma grande preocupação para 66% dessa população. Ao mesmo tempo, a apreensão em relação a perda de renda desse período é uma grande preocupação para 75% dos moradores de favelas.

O instituto estima que 13,6 milhões de pessoas vivam em favelas no Brasil. No Estado do Rio de Janeiro, de acordo com a pesquisa, 13% da população vive nesse tipo de comunidade. Em São Paulo, 7%; em Pernambuco, 10%; e no Pará, 17%.

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