Sem ritmo

Se o Carnaval pode servir de plataforma de lançamento – como ocorreu com Collor, em 1989, quando foi ovacionado no Sambódromo – as candidaturas tucanas largaram mal para a corrida presidencial. Além das anódinas performances de Geraldo Alckmin e José Serra, respectivamente, nos Sambódromos do Rio e de São Paulo, a escola Leandro de Itaquera, que levou bonecos gigantes dos dois tucanos para a avenida, foi rebaixada para a segunda divisão do samba de São Paulo. A escola, cujo enredo era o Rio Tietê, naufragou, ficando em 13º lugar, entre 15 concorrentes.

Pé quente
Enquanto o tucano amargava a segunda divisão no samba paulista, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estreou com o pé direito no Sambódromo carioca. A Vila Isabel, que recebeu cerca de US$ 1 milhão de patrocínio da PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo, venceu o Carnaval carioca com o enredo Soy loco por ti America – A Vila canta a latinidade, pondo fim a um jejum de 18 anos sem títulos. A escola, que apresentou como uma das principais atrações do desfile uma escultura de Simon Bolívar, patrono da unidade sul-americana, mandou instalar na sua quadra dois painéis enormes com fotos de Fidel Castro e Che Guevara.

“Outsiders”
A vitória da Vila Isabel fortalece os defensores dos enredos críticos e irreverentes, em contraponto a temas chapa branco, como os patrocinados por governos e empresas que buscam pegar carona na popularidade da festa popular. Em 1988, quando vencera pela última vez, a Vila apresentara o enredo Kizomba, no qual, além de denunciar o racismo, defendia a Constituinte.

Sem remédio
Caso seja implantada, a proposta do presidente Lula de taxar em US$ 2 as passagens de vôos internacionais para ajudar na compra de medicamentos para os países pobres, ela permitirá agregar valor às ações da sua equipe econômica. É só imaginar os efeitos na imagem da marquetagem petista quando as agências de notícia internacionais informarem que os remédios contra Aids e tuberculose não chegaram a países africanos, porque o dinheiro que deveria ser destinado a eles foi desviado para engordar o superávit primário (economia para pagar juros).

Fora da bula
A proposta de Lula e do presidente da França, Jacques Chirac, de transferir a conta da ajuda aos países pobres para os passageiros de vôos internacionais deixa de fora setor fundamental nessa operação: os grandes laboratórios farmacêuticos internacionais. Só no Brasil, o faturamento do setor gira ao redor de R$ 30 bilhões.

Bate-papo
Sergio Machado, presidente da Transpetro, será o homenageado do Happy Hour Empresarial de março, dia 13. Ex-deputado federal (1991-95) e ex-senador (1995-2002) pelo PSDB, Machado está agora no PMDB. O evento é organizado pela Associação dos Dirigentes de Venda e Marketing do Brasil (ADVB-RJ) e ocorrerá no Jockey Club Brasileiro (Av. Presidente Antônio Carlos, 501 – 11º andar), a partir de 18h30.

“Risco Brasil”
Citando dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Mauro Osório, da UFRJ, diz que a taxa de homicídios no país cresce regularmente a 5% ao ano desde 1980, justamente quando o país parou de crescer, fazendo explodir o desemprego crônico. Para reforçar a ligação entre desemprego e violência, Osório acrescenta que os crimes se concentram nas periferias das grandes cidades.

Esfumaçou
Passada a folia popular, está na hora de o presidente Lula e o ministro Antonio Palocci explicarem que fim levaram as previsões polianescas de ambos de que o Brasil cresceria cerca de 5% em 2005. Embora, emblematicamente, o IBGE tenha deixado para divulgar o resultado do produto interno bruto (PIB) do ano passado aos 45 minutos do segundo tempo antes de o país cair no Carnaval, o governo não vai conseguir jogar o fiasco da economia para a Quarta-Feira de Cinzas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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