Com as decisões de juros do BCE, BoJ e Fed e os resultados das big techs no radar dos investidores, a semana começa com tom mais negativo para as Bolsas, após PMIs fracos na Ásia e Europa, além dos temores no setor imobiliário chinês, após balanço desastroso da Evergrande semana passada. Nos EUA, futuros destoam, apoiados pelas quedas nas taxas de juros, em meio aos sinais de crescimento global fraco. Dólar opera sem direção definida, enquanto commodities têm dia misto, com grãos subindo forte, puxados pelo trigo. Por aqui, agenda tranquila, deixando os ativos locais expostos à dinâmica externa. A queda no minério e petróleo devem pesar na abertura do Ibovespa, enquanto dólar deve abrir com viés de baixa, com o real se beneficiando dos grãos. Nos juros, o Focus deve pautar a abertura, mas viés para a sessão é de baixa.
Na Ásia, dia misto para as Bolsas, com Hong Kong liderando as perdas devido a quedas fortes no setor imobiliário, após resultado desastroso da Evergrande semana passada. quedas fecharam no negativo, na maioria, devido à piora no otimismo com o cenário chinês, com imobiliário e tecnologia liderando as perdas na região. PMIs (de julho): na Austrália, o PMI industrial subiu de 48,2 para 49,6 pontos, a quinta contração seguida, e de serviços caiu de 50,3 para 48,0 pontos, a primeira contração em 2023; no Japão, o PMI industrial caiu de 49,8 para 49,4 pontos (ante expectativa de 49,8 pontos), mínima em quatro meses, e o de serviços variou de 54,0 para 53,9 pontos, mínima em 6 meses. Hoje, PIB da Coreia (do segundo trimestre) às 20h.
Na Europa, Bolsas caem após PMIs desastrosos na região, com ações de varejo liderando as perdas. PMIs (de julho): no Reino Unido, o PMI industrial caiu de 46,5 para 45,0 pontos (ante expectativa de 46,1), mínima desde junho de 2020, e o de serviços recuou de 53,7 para 51,5 pontos (ante expectativa de 53,0), mínima em 6 meses; na zona do Euro, o PMI industrial caiu de 43,4 para 42,7 pontos (ante expectativa de 43,5), mínima desde junho de 2020, e o de serviços recuou de 52,0 para 51,1 pontos (ante expectativa de 51,5), mínima em cinco meses. Na Espanha, o Partido Popular (direita) venceu as eleições, com 136 deputados, mas não atingiu a maioria no Parlamento, abrindo espaço para Pedro Sánchez, do Partido Socialista (esquerda), seguir como presidente. Na Rússia, o CBR elevou a taxa básica de juros em 1,0% (ante expectativa de 0,5%), de 7,5% para 8,5%, declarando que não deve ser a última alta. Philips (Holanda) e Vodafone (Reino Unido) divulgam resultados.


Nos EUA, apesar da cautela com as decisões de juros e os resultados das big techs nessa semana, futuros operam com leves altas, apoiados pelo recuo nas taxas de juros. Hoje, índice de atividade do Fed Chicago (junho) às 9h30 e PMIs (julho) às 10h45. Leilões de T-Bills (de três e seis meses) às 12h30 e de T-Notes (de dois anos) às 14h.
No Brasil, em dia ameno em Nova Iorque, com os investidores se preparando para os resultados das big techs na próxima semana, o mercado local se beneficiou das quedas nas taxas de juros globais e na alta das commodities, com o Ibovespa fechando em 120.216 pontos (1,81%), com ações cíclicas (aéreas e varejo) liderando os ganhos. Na semana, a Bolsa subiu 2,13%. Na contramão do mercado internacional, o otimismo com os ativos locais e a alta no petróleo beneficiaram o real, que teve a terceira melhor performance global, com o dólar fechando em R$ 4,78 (-0,47%). Na semana, o dólar caiu 0,30%. A queda dos juros no exterior, em meio ao otimismo com a queda da inflação, e a apreciação no câmbio fizeram a curva de DI futuro fechar cerca de cinco pontos, com o vértice de janeiro de 2024 na mínima desde outubro de 2022. Na semana, a curva inclinou, puxada pela queda nos vértices curtos.
A dívida pública avançou 3,0% em junho, atingindo R$ 6,19 tri (60,3% do PIB), com o prazo médio caindo para 4,0 anos (-0,1% a/a). O Ministério do Planejamento elevou o déficit primário projetado para 2023 de R$136,2 para 145,4 bi (-1,4% do PIB) devido a maiores despesas obrigatórias. Na agenda, IPC-S (do último dia 21) às 8h, Boletim Focus (da mesma data) às 8h25, índice industrial setorial da CNI (junho) às 10h e balança comercial (de sexta-feira) às 15h.
Ótima segunda-feira!
.
Nicolas Borsoi
Economista-chefe da Nova Futura Investimentos
Leia também:

















