Semana começando fraca

Hoje, mercados da Ásia terminaram o dia com quedas, exceto destaque positivo para Hong Kong, com +0,31%.

Na semana passada, mesmo com ventos contra e vencimento de derivativos, a Bovespa conseguiu se manter em alta de 1,60%, com o índice em 114.648 pontos e o dólar com queda de 1,10%, cotado a R$ 5,455, mas com novas intervenções do BC. A volta do apetite ao risco, fluxo bem positivo de estrangeiros, safra de balanços do terceiro trimestre nos EUA e vendas no varejo explicam boa parte da melhora.

Hoje, mercados da Ásia terminaram o dia com quedas (destaque positivo para Hong Kong, com +0,31%), Europa começando o dia com quedas também, e até acelerando um pouco, e futuros do mercado americano no campo negativo. Aqui, seria bom mirar nos 115 mil e 116 mil pontos do Ibovespa para tentar ganhar o patamar de 120 mil e maior tração.

Mas os mercados estão tendo que absorver dados negativos divulgados pela China durante a madrugada mostrando, desacelerações. O PIB do terceiro trimestre expandiu somente 0,2%, contra igual período de 2020, chegando a +4,9% (previsão era +5,1%), e no ano com expansão de 9,8%. Problemas de desabastecimento, escassez de energia e contração na construção explicam. As vendas no varejo de setembro com +0,3% surpreenderam positivamente e, contra igual período, com alta de 4,4%. Já a produção industrial mostrou alta contra setembro de 2020 de 3,1% (de previsão de 3,8%), desacelerando.

Lá, os investimentos em ativos fixos nos nove meses de 2021 expandiram 7,3% (previsão de +7,9%), também desacelerando, e as vendas de imóveis com expansão de 17,8% nos nove meses do ano. O PBoC (o BC chinês) trabalhando para evitar o contágio da incorporadora Evergrande.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, tem mais um dia de alta de 1,24%, com o barril cotado a US$ 83,30. O euro era transacionado em queda para US$ 1,158, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,61%, em alta. O ouro e a prata tinham quedas na Comex, e commodities agrícolas também com perdas na Bolsa de Chicago.

Aqui, a B3 anunciou mudança de horário a partir do próximo dia 8 de novembro, quando encerra o horário de verão no hemisfério norte, com mais uma hora na Bovespa, passando a terminar às 18h. Caminhoneiros decretaram estado de greve, deram ultimato ao governo e pleiteiam frete mínimo, mudanças no preço do diesel e aposentadoria especial. Pedem que o governo pare de culpar governadores e tome decisões. O governo avalia que a greve fracassará.

Já a CPI da Covid-19 adiou a leitura do relatório para o próximo dia 20 e a votação foi marcada para dia 26. Há divergências na comissão sobre indiciamentos que devem ser aparadas na semana, incluindo o clã dos Bolsonaro.

A agenda da semana é importante e pode mexer com os mercados. Hoje, teremos aqui o IPC-S da segunda quadrissemana de outubro, a nova pesquisa Focus do BC e o saldo da balança comercial na semana anterior. Nos EUA, a produção industrial de setembro e discursos de dirigentes do Fed.

Expectativa para o dia de Bovespa seguindo exterior fraco, dólar mais forte (mas teremos operação extra de swap cambial) e juros em alta.

A última sexta-feira foi dia em que a Bovespa conseguiu reagir de forma mais intensa, mesmo sendo dia de vencimento no segmento de opções. Petróleo em boa alta no mercado internacional, minério de ferro em leve queda na China e fluxo de recursos de investidores estrangeiros fizeram a diferença. Além disso, mercados com bom comportamento no exterior, lastreado em bons resultados apresentados por empresas no terceiro trimestre e busca por barganhas.

No exterior, o dia não foi de divulgação de dados positivos. Na União Europeia, queda na taxa anual de venda de carros de 23%, muito em função do desabastecimento de chips. Nos EUA, o índice de atividade industrial de Nova Iorque de outubro em queda para 19,8 pontos, vindo de anterior em 26,5 pontos, e a confiança do consumidor de Michigan de outubro também retrocedendo para 71,4 pontos (anterior em 72,8 pontos), com previsão de ficar em 73 pontos. Ainda nos EUA, as vendas no varejo de setembro subiram 0,7%, de previsão de encolherem 0,2%, e excluídos os automóveis com expansão de 0,8%.

Na China, mais uma empresa incorporadora (China Properties) deixou de fazer pagamentos no valor de US$ 226 milhões e bonds vencendo hoje, mas o governo chinês diz que a situação da Evergrande é contornável, afrouxou as regras e encorajou aumento dos empréstimos no segmento imobiliário.

O Banco Mundial alertou para os gargalos na cadeia global de insumos, que tem como efeito colateral a alta da inflação. Já o presidente do BC, Campos Neto, destacou que na reunião de hoje no FMI discutiram a preocupação com o nível de endividamento no pós-pandemia, que deve merecer a atenção de todos.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrou alta de 1,13%, com o barril cotado em US$ 82,23, ainda sob o impacto de corte de oferta e expectativa de maior demanda. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,16, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,57%. O ouro e a prata com quedas na Comex, e commodities agrícolas com desempenho de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, registrou leve queda de 0,55%, com a tonelada negociada em US$ 125,22. No segmento doméstico, a FGV anunciou que o IGP-10 de outubro teve deflação de 0,31%, vindo de deflação também em setembro de 0,37%, mas no ano registra inflação de 16%, e em 12 meses com +22,53%. Matérias-primas brutas tiveram queda de 4,6%. A queda do minério de ferro puxou o índice para baixo.

O BC anunciou o IBC-Br de agosto com queda de 0,15% (maior que a prevista de 0,10%), contra agosto de 2020 com alta de 4,7% e no ano com +6,41%. Em 12 meses, mostra expansão de 3,99%. No trimestre encerrado em agosto, tem alta de 0,2% e pode fechar o terceiro trimestre muito próximo disso. Os números trouxeram certo desalento e decepção, e as projeções para o terceiro trimestre e do ano de 2021 pioraram mais um pouco.

Dirigente do BC falou sobre forte choque temporário de demanda, pressão de alimentos e energia sobre a inflação. Também destacou a entrada menor de dólares comparativamente aos volumes exportados que, segundo ele, refletem o endividamento externo, mas que também podemos atribuir às incertezas internas e aos ruídos políticos. Estima-se que deixaram de ingressar cerca de US$ 20 bilhões, e isso também pressiona a taxa cambial. Já Campos Neto falou em deslocamento de demanda entre bens e serviços e até onde irá a persistência disso. Destacou que é importante ancorar expectativas e que setembro deve ter sido o pico de inflação.

Dentre as criatividades do governo, destacamos a ideia de um fundo criado com ações da Petrobras para beneficiários do Bolsa Família e avaliar a criação do Auxílio Brasil temporário para contornar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Marcelo Aro, relator do Auxílio Brasil, diz que não aceita auxílio temporário e que tem que ser programa de Estado, e não carta eleitoreira. Citamos ainda a relutância do Senado em aprovar a mudança do ICMS de combustíveis, aprovada na Câmara, que não afetaria tanto os preços dos combustíveis, mas pioraria bastante a arrecadação dos estados.

No mercado, a sexta foi dia de dólar oscilando fortemente no campo negativo, para terminar o dia cotado a R$ 5,455 e com queda de 1,11%. Já no segmento Bovespa da B3, na sessão de o último dia 13 (vencimento de opções de índice), os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 2,97 bilhões (a semana foi só de ingressos), acumulando entradas em outubro de R$ 9,61 bilhões e, no ano, chegando ao patamar mais alto de entradas, com R$ 51,9 bilhões. No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,32%, Paris com +0,63% e Frankfurt com +0,81%. Madri e Milão também com altas de respectivamente 0,88% e 0,81%. No mercado americano, o Dow Jones terminou com +1,10% e Nasdaq com +0,50%. Na Bovespa, dia de alta de 1,29% e índice em 114.647 pontos, atingindo na máxima do dia 114.776 pontos.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

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