Senado americano em recesso e ruídos políticos no Brasil

Dow Jones e S&P 500 tiveram queda de 0,80% e 0,30%, respectivamente. Nasdaq, puxada por perspectivas da Microsoft, teve alta de 0,64%.

Opinião do Analista / 14:59 - 28 de out de 2020

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As Bolsas globais fecharam majoritariamente em queda. Os riscos em torno da nova onda de coronavírus e a possibilidade cada vez mais remota de um pacote de estímulos nos EUA fizeram os agentes ficarem avessos ao risco. No Brasil, além do risco externo, o lado da política interna voltou a afetar o mercado, fazendo o Ibovespa cair mais uma vez.

A Covid-19 continua a aumentar de forma considerável na Europa. Pela manhã, o governo francês foi informado de que a situação do vírus no país está voltando para os patamares de março. E os demais países continuam a impor medidas mais restritivas de contenção de um novo avanço do coronavírus. Na Itália, a população chegou a ir contra as medidas do governo.

Sem perspectiva para toda população vacinada até 2022 e com a Europa sendo o epicentro da doença, segundo a OMS, os mercados europeus caíram, ignorando os bons resultados corporativos.

Na Península Ibérica, Lisboa e Madri perderam 1,83% e 2,14%, respectivamente. Milão perdeu 1,53%. Paris caiu a 1,77%. Frankfurt caiu 0,93%. Londres teve perdas de 1,09%.

Com a aversão ao risco por conta do avanço da Covid-19 no Hemisfério Norte e sem acordo entre os democratas e republicanos sobre o pacote de estímulos, os agentes buscaram proteção no ouro. Além disso, a China, por conta da expansão da economia, aumento a sua demanda pela commodity. O contrato de ouro para dezembro fechou com alta de 0,33%, cotado a US$ 1.911,90.

O petróleo fechou em alta, corrigindo a queda do pregão imediatamente anterior. Ademais, a queda do dólar e o avanço do Furacão Zeta rumo ao Golfo do México pode reduzir a produção, elevando os preços.

O WTI teve alta de 2,62%, a US$ 39,57, e o Brent teve elevação de 1,96%, a US$ 41,61.

Em Nova Iorque, o pregão ficou sem direção única, com os agentes avaliando os dados econômicos, balanços e os dados de atividade econômica. Quanto ao pacote de estímulos, as perspectivas pioraram dado que, após a confirmação da juíza Amy Barrett à Suprema Corte, o Senado entrou em recesso até depois da eleição, deixando a possibilidade de aprovação do pacote quase nula.

O Dow Jones e o S&P 500 tiveram queda de 0,80% e 0,30%, respectivamente. E a Nasdaq, puxada pelas perspectivas de lucro da Microsoft, teve elevação de 0,64%.

No Brasil, após Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, dizer que parte da base governista obstrui os projetos de cunho econômico, os agentes viram a possibilidade de as pautas reformistas terem maior resistência no Congresso. Somado aos riscos externos ligados ao coronavírus e à aproximação das eleições americanas, isso deu força à ponta vendedora.

O Ibovespa teve perdas de 1,40%, perdendo os 100 mil pontos, cotado a 99.605,54, e o dólar teve alta de 1,20%, a R$ 5,68, sendo impactado pelo risco global e os ruídos internos.

Na Ásia, houve cautela referente ao avanço do coronavírus na Europa e em relação às eleições americanas, dado que, a depender de quem seja eleito nos EUA, pode haver mudança ou permanência de tom geopolítico com o continente. Assim, os mercados fecharam sem direção única. Os ganhos ficaram na China continental, com o Xangai Composto tendo ganhos de 0,46% e o Shenzhen ganhando 0,68%. Nas ilhas, Hong Kong e Taiwan tiveram recuo de 0,32% e 0,63% respectivamente.

Em Tóquio, houve perda de 0,29%. Em Seul, houve desvalorização de 0,62%.

Os mercados europeus abriram em alta devido ao aumento no número de casos de coronavírus, que já começam gerar mais preocupações por conta da elevação no número de hospitalizados. Também há temor sobre mais um lockdown (confinamento) que pode gerar, além de perdas econômicas, desgastes políticos.

Nos EUA, os futuros também abrem em queda, devido às incertezas em torno das eleições americanas que se aproximam sem o pacote de estímulos à economia do país.

No Brasil, o dia terá a divulgação de balanços de importantes companhias como Vale (VALE3), Bradesco (BBDC4), Gerdau (GGBR4) e Petrobras (PETR4). Outro evento importante será a decisão da taxa Selic por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), que, mesmo que as possibilidades de manutenção a 2,00% a.a. sejam consensuais, os agentes prestarão atenção se haverá observações do BC referentes à inflação e à questão fiscal.

Nos EUA, o Bureau of Economic Analysis divulgará os números da balança comercial do país. O mercado tem perspectiva de redução do déficit entre exportações e importações, saindo de US$ - 82,939 bilhões em agosto para - US$ 81,821 bilhões em setembro. Devido à retomada da economia em alguns países, as exportações podem evidenciar ligeiro aumento, o que é positivo, mas a alta nos casos de pessoas infectadas pelo coronavírus no país e a retomada desigual da economia podem afetar as importações.

O Census Bureau informará os números dos estoques no setor varejista durante o mês de setembro. Devido ao avanço acima do esperado das vendas no setor, as projeções para o indicador são de retração de aproximadamente 3,0% nos estoques, mostrando relativa força da demanda e, por sua vez, do consumo das famílias.

Por fim, a Energy Information Administriation divulgará os números referentes aos estoques de petróleo em solo americano. Após a Líbia aumentar a sua produção e com os temores de uma segunda onda, há espaço para novos cortes na produção da commodity. Todavia, como já houve muitos cortes nas semanas anteriores, o mercado espera avanço de 1,230 milhão de barris.

Para o Brasil, o mercado aguardará a decisão da taxa de juros. O mercado espera que a Selic continue em 2,00% a.a.. A mudança pode ocorrer no viés do comunicado à imprensa, que pode ser um pouco mais hawkish, tendo em vista que o forward guidance depende das condições fiscais do país - que ainda não possuem um caminho concreto, apesar do comprometimento que o governo diz ter com o teto de gastos.

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