Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) criticaram em Plenário o corte de bolsas de Pós-graduação anunciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo o órgão vinculado ao Ministério da Educação, a medida representa uma economia adicional de R$ 4 milhões neste ano e de R$ 35 milhões em 2020.
Para Humberto Costa, um país que não investe em pesquisa e na formação de seus cidadãos não pode esperar muito do futuro. Ele se disse "estupefato" com o corte, que atinge cerca de 2.700 bolsas de Pós-graduação e Mestrado. O senador afirmou que é difícil de entender as prioridades do governo de Jair Bolsonaro, "principalmente depois que os governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016) implantaram programas educacionais que incluíram muitos brasileiros na Graduação."
O líder da oposição, Randolfe Rodrigues, destacou que os cortes anunciados se somarão às mais de 6 mil bolsas de Mestrado e Doutorado que tiveram o financiamento encerrado desde o início do governo. Para ele, a medida significa "sequestrar o futuro" de toda uma geração de estudantes e aprofunda o "sucateamento" do ensino superior brasileiro.
– O ministro da Educação deve ter algum complexo de juventude contra as universidades – ironizou.
Em nota, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) disse ter recebido a notícia do novo corte, extinguido mais 2.724 bolsas de estudos, com indignação.
"Dessa vez, serão atingidos ‘os cursos com duas avaliações nota 3 consecutivas (Avaliação Trienal 2013 e Avaliação Quadrienal 2017) e cursos avaliados com nota 4 na Avaliação Trienal 2013 e que caíram para nota 3 na Avaliação Quadrienal de 2017’."
Segue dizendo que "esse cenário é consequência direta da orientação ultraliberal da política econômica do governo Bolsonaro e implementado, em concordância, pelo ministro da Educação Abraham Weintraub, que anuncia ter virado ministro "para realizar os cortes na educação". Em menos de um mês já se somam cortes de 6.198 bolsas de estudos de pós-graduação, 300 milhões do orçamento da Capes, 30% do orçamento das universidades e institutos federais, além da perseguição política a professores, estudantes e trabalhadores que lutam pelo futuro do país. Esse fato evidencia que o projeto do governo Bolsonaro e de seu ministro é o desmonte da Educação, do Sistema Nacional de Pós-Graduação, assim como o de Ciência e Tecnologia. A escassez e defasagem das bolsas de estudos, com seis anos sem reajuste, impacta a formação de mestres e doutores. Sem bolsa de estudos, não há pesquisa científica e, portanto, não há retomada de crescimento econômico. O número de mestres e doutores no país contribui para alavancar o desenvolvimento nacional. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), enquanto o Reino Unido possui um índice de 41 doutores para cada 100 mil habitantes, o Brasil possuía, em 2015, uma média de apenas 7,6 para mesma proporção populacional. Nos EUA formam-se 8,4 para cada mil habitantes."
A entidade lembra que "os cortes nas bolsas de estudos em programas com conceito 3 e 4 atingirão principalmente a Pós-graduação nas regiões Nordeste e Norte do país. Essa lógica aprofunda ainda mais as assimetrias regionais na produção científica brasileira, além de tirar os instrumentos necessários para que esses programas possam progredir."
E encerra dizendo que "o governo Bolsonaro e o ministro Weintraub destroem o patrimônio educacional e científico brasileiro, construído há mais de 50 anos, e condenam o povo brasileiro a um ciclo de desigualdades e subdesenvolvimento."
Com informações da Agência Senado
















