Sequelas da pandemia marcam profundamente o setor educacional

Por César Silva.

O impacto da vacinação nos indicadores de contaminação começa a se refletir em melhores perspectivas para a retomada econômica. É um motivo de comemoração. Mas as sequelas que o coronavírus deixará varia de setor para setor. Alguns tendem a se recuperar mais prontamente. Outros correm o risco de padecer ainda por um longo tempo. É o caso da Educação, fragilizada por um histórico alarmante.

Esse cenário pode ser avaliado pela série de indicadores que vão desde o desempenho de governança pública até os resultados financeiros, produtividade e reação das instituições de ensino. Estão todos perdidos. E sem estudos e projetos, sem uma política nacional, a retomada será muito difícil e a estabilidade ficará cada vez mais distante.

Do lado do governo, as últimas declarações do ministro Milton Ribeiro o isolaram com o destacado papel de bobo da corte, aquele que fala “asneiras” para distrair a plateia. No setor privado também há falta de planejamento. E isso fica evidente em dois dos maiores grupos da educação mundial: Cogna e Yduqs.

A Cogna, ex-Kroton, não consegue se levantar do nocaute causado pela própria estratégia. Gigante formado com grandes aquisições, corre agora o risco de estagnar por falta de ativos. Consumiu tudo que podia e não agregou valor a nenhum deles. As suas ações chegaram ao patamar de R$ 3,60, índice mais baixo de sua história, e continuam em queda. Parece mais um Boeing sem sustentação.

A Yduqs, ex-Estácio, por sua vez, a exemplo da Cogna, mudou de nome num movimento de ilusionismo para incorporar ativos qualitativos, mas não soube se reposicionar e agora suas marcas sofrem constante desvalorização. Mudar a marca sem mudar a estratégia não leva a resultados diferentes. Suas ações também amargam queda e, pior, se expôs a uma situação delicada ao se envolver em diversos processos trabalhistas por não negociar com o quadro de docentes que por décadas foram seus principais parceiros no processo de expansão.

Citamos aqui dois casos, mas não são os únicos. A falta de perspectiva para o setor é real e cresce com as dificuldades causadas pelo desemprego que não diminui, pela inflação que aumenta, e por uma crise hídrica que se aproxima. Fatores que desestabilizam qualquer atividade, mas podem soterrar um setor tão abatido como o de ensino.

Relatório de Monitoramento Global da Educação de 2020, produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mostra que quase 300 milhões de crianças e jovens não tiveram acesso à educação durante a pandemia, que levou ao fechamento de escolas por todo o mundo. A medida causou impacto em cerca de 1,5 milhão de alunos, mais de 90% da população de estudantes.

Só esse recorte social das sequelas da pandemia sobre a educação seria suficiente para projetar o imenso e irrecuperável prejuízo para o nosso futuro. E no Brasil o drama do ensino é ainda pior.

 

César Silva é presidente da Fundação FAT.

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