Seqüência

Menos de uma semana depois de atacar duramente a exigência da AES, que condicionou a manutenção de seus investimentos no país ao aumento das tarifas de energia elétrica, o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn, tornou-se o principal defensor no Ministério do Apagão do tarifaço sobre quem ultrapassar o consumo de 250 kW/h. Não satisfeito, o genro do presidente FH defende que a cobrança da taxa extra seja indexada aos preços praticados no Mercado Atacadista de Energia (MAE), que já subiram 708% até abril.
Oportunismo
Boas razões à parte, as arrogantes declarações das empresas estrangeiras – além da AES, a Enron já ameaçou suspender investimentos – justamente num momento de crise mostram, para os ainda crédulos dos poderes divinos dos empreendedores globais, a temeridade de transferir para alienígenas setores essenciais para o funcionamento do país. Não por acaso, nos Estados Unidos, a hidrelétricas são todas estatais e a água é considerada patrimônio público.

Câmara acesa
O presidente da Câmara Municipal do Rio, Sami Jorge (PDT), aprovou requerimento para a criação de uma comissão especial que vai acompanhar o impacto da crise energética na cidade. A comissão, que será formada por cinco vereadores, terá como presidente o Edson Santos (PT), autor do requerimento.

Fanfarrão
A renúncia ao mandato a ser anunciada nos próximos dias pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) coroará, de forma melancólica, a trajetória de bravatas de ACM. Em todo esse longo período, uma atitude foi recorrente na prática do político baiano: sempre que enfrentado com firmeza colocou a viola no saco. O marketing levado a cabo pela mesma mídia que o abandona hoje, até, então, se encarregava de divulgar imagem oposta.

Nem aí
O governo, finalmente, chegou ontem a sua primeira decisão relevante para enfrentar a crise do apagão. Depois de consultar marqueteiros, o presidente FH resolveu anunciar, hoje, pessoalmente o plano de emergência do governo. A valer, no entanto, a trajetória escapista de FH, ele transferirá a responsabilidade do próximo anúncio para Pero Vaz Caminha, o primeiro porta-voz da corte no Brasil.

Patada
Principal cabeça da União Cívica Radical (UCR), partido do presidente argentino Fernando de la Rúa, o ex-presidente Raúl Alfonsín cometeu um ato falho que dá bem uma idéia de quem manda no país atualmente. Durante um encontro pela manhã com correspondentes estrangeiros em Buenos Aires, quando respondia a uma pergunta sobre a sensação de que De la Rúa perde cada vez mais poder para seu ministro, Alfonsín se saiu com um “rechaço essa leitura da realidade. Quem governa a Argentina é o presidente Cavallo”. Logo depois, sem graça, corrigiu: “É o presidente De la Rúa”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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