Sérgio Cabral é preso pela PF

Rio de Janeiro / 05:31 - 17 de nov de 2016

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), foi preso pela Polícia Federal nesta manhã em sua residência, no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio e conduzido por policiais federais para a Superintendência da PF, na Praça Mauá, Zona Portuária da cidade. Em delação premiada, executivos da Andrade Gutierrez acusam-no por propina em obras do Maracanã. A ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo, também será levada para depor em condução coercitiva. Cabral é investigado pelo recebimento indevido de R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, durante as obras de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o peemedebista teria recebido o valor, em espécie, entre os anos de 2007 e 2011. O MPF e a PF também investigam se Cabral lavou parte desse dinheiro. As investigações desse crime são um desdobramento da Operação Lava Jato e, por causa disso, um mandado de prisão foi expedido pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Um segundo mandado de prisão contra o ex-governador foi expedido pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, devido a investigações sobre a prática de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao desvio de verbas de obras de engenharia do estado do Rio de Janeiro. O prejuízo estimado é superior a R$ 220 milhões. Ao todo, 230 agentes cumprem 38 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisões temporárias e 14 mandados de condução coercitiva expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, além de 14 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária. A ação conjunta da PF, MPF e Receita Federal faz parte da Operação Calicute, que identificou fortes indícios de cartelização de grandes obras executadas com recursos federais mediante o pagamento de propinas a agentes públicos. A operação é resultado de investigação em curso na força-tarefa da Operação Lava Jato no Estado do Rio de Janeiro em atuação coordenada com a força-tarefa da Lava Jato no Paraná. O nome é referência às tormentas enfrentadas pelo navegador Pedro Álvares Cabral a caminho das Índias. TSE nega pedido para soltar Garotinho; sob custódia, ex-governador segue internado no Souza Aguiar A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luciana Lossio negou ontem à noite pedido de liberdade do ex-deputado federal Anthony Garotinho (PR), preso nesta manhã pela PF sob a acusação de compra de votos. A prisão foi determinada pela Justiça Eleitoral de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Na decisão, a ministra alegou "supressão de instância" e entendeu que o habeas corpus deve ser analisado primeiramente pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro. Sob custódia, Garotinho continua internado no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro. O ex-governador foi levado ontem à unidade depois de sentir um mal-estar. Sua defesa informou que está tentando, junto à Polícia Federal, a transferência do ex-governador, para que sejam realizados exames mais detalhados, que possam investigar melhor alterações em seus exames cardíacos. O advogado do ex-governador, Fernando Fernandes, também informou, por meio de nota, que o pedido de habeas corpus feito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi extinto e não negado. Segundo ele, o TSE extinguiu o pedido para que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro examine um novo habeas corpus. Garotinho é acusado de compra de votos nas eleições municipais de Campos dos Goytacazes, onde ele é secretário municipal de governo e sua esposa, Rosinha Garotinho, é a atual prefeita também pelo PR. Ambos são suspeitos de usar o programa municipal Cheque-Cidadão com fins eleitorais. Segundo a PF, a prisão faz parte de investigações relativas ao uso do programa Cheque Cidadão, benefício de R$ 100, concedido pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes para compra de produtos alimentícios pela população. Garotinho é secretário de Governo da cidade; sua mulher, Rosinha Garotinho, é prefeita. A defesa de Garotinho sustenta que a "prisão é arbitrária, ilegal e baseada em fatos que não ocorreram". O advogado Fernando Augusto Fernandes, responsável pela defesa de Garotinho, disse que o decreto de prisão ocorrido em razão de decisão da 100ª Vara Eleitoral de Campos vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do TSE. "A prisão a qual está submetido o ex-governador é abusiva e ilegal e decorre de sua constante denúncia de abusos de maus tratos a pessoas presas ilegalmente naquela comarca. Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou", diz nota do advogado. Com informações da Agência Brasil

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor