Será? Será?

O diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, negou ontem que a estatal esteja negociando a compra de uma empresa no Chile para exploração e produção de petróleo. No entanto, o presidente da Petrobras Distribuidora (BR), Rodolfo Landim, confirmou que há estudos em andamento e que a estatal da área de distribuição poderá atuar dando suporte. Na presença da imprensa, porém, ele afirmou que não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto, transferindo a responsabilidade da divulgação para o seu colega Cerveró.

O caminho argentino
Hoje é um dia histórico para os que não se deixaram ludibriar pela cantilena do discurso único. Nesta sexta-feira, a Argentina conclui a operação de reestruturação da sua dívida, garantindo deságio de 75% nos papéis em moratória e que somam cerca de US$ 88 bilhões. Para incômodo dos dogmáticos adeptos da submissão eterna às políticas do FMI, o sucesso da operação não se restringe ao nível de adesão, que as últimas projeções do próprio mercado financeiro apontam para algo como 80% dos credores. O pragmatismo dos investidores, que manda separar retórica de realidade, faz com que, antes mesmo do encerramento oficial da reestruturação, os novos bônus já sejam negociados por bancos europeus e argentinos.
O sucesso da negociação argentina sob moratória, que permitiu ao país já retornar aos níveis anteriores à crise que eclodiu em 2001, deixa muito mal a equipe econômica petista. Em dois anos de continuísmo das políticas tucanas que levaram Lula ao poder, o Brasil cresceu 5,5%, com a pífia média anual de 2,75%. No mesmo período, a Argentina cresceu cerca de 16%, com média de 8% ao ano, quase três vezes superior à média palocciana. Além disso, este ano, a Argentina prepara-se para avançar mais 5%, enquanto a nomenclatura do Banco Central brasileira trama para impedir que o país passe dos 3,5%. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que o romper das amarras dos pesados encargos financeiros libera nossos vizinhos para criarem as condições para ingressarem num ciclo de crescimento contínuo, a opção preferencial do governo Lula pelos gastos com juros condena o Brasil a mais uma década desperdiçada.

A todo gás
A PM fluminense passará a andar em carros movidos a gás. O primeiro será entregue hoje. A previsão é de conversão para Gás Natural Veicular (GNV) de 300 automóveis. “O benefício maior será a redução do nível das emissões de gases poluentes na atmosfera, como determina o Protocolo de Kyoto que entrou em vigor este mês. Também reduzirá os gastos mensais com combustíveis de aproximadamente R$ 250 mil mensais”, explica o secretário de Energia, Wagner Victer.

Nas nuvens
O mais alto prédio da Europa vai surgir no coração de Moscou. Com 420m de altura, o arranha-céu “Federação”, com duas torres, de 84 e 57 andares, colocados numa única base, ficará perto da Casa do Governo, coroando a gestão de Putin, que tenta trazer de volta os áureos tempos. A idéia é incrementar o projeto da “Moscow City”, centro financeiro na capital russa. A construção retoma a idéia, dos anos 1930, de um “Palácio dos Sovietes”, com os mesmo 420m de altura, com uma figura de Lenine giratória em cima. A obra não saiu do papel. O mais alto arranha-céu estalinista, um dos sete construídos após a guerra, é a Universidade Lomonossov, medindo 240m.

Sem sintonia
Aliadas históricas do PT pré-governo federal, as rádios comunitárias continuam em pé de guerra com a administração Lula. No próximo dia 3, o Coletivo de Imprensa da CUT-RJ reúne-se, no auditório da entidade no Rio, para debater a repressão contra o movimento. A CUT critica o governo Lula por recorrer a legislação da época da ditadura, como as leis 4.117/62 e  236/67, para reprimir as rádios comunitárias. Segundo a central, o governo também desrespeita a Lei 9.612/98 que regulamenta a radiofusão comunitária, e o inciso IX do artigo 5º da Constituição, que afirma ser “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação independentemente de licença ou censura”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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