Serviços recuam 0,9% em maio, a quarta queda consecutiva

Receita nominal dos serviços caiu 0,7% em relação a abril; recuo foi devido ao isolamento social.

Conjuntura / 14:55 - 10 de jul de 2020

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O volume de serviços no país recuou 0,9% em maio deste ano, na comparação com o mês anterior. Essa foi a quarta queda consecutiva do setor, que ainda sente os efeitos das medidas de isolamento adotadas para conter a pandemia de Covid-19.

Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os serviços recuaram 19,5% na comparação com maio de 2019, 7,6% no acumulado do ano e 2,7% no acumulado de 12 meses. A receita nominal dos serviços caiu 0,7% em relação a abril deste ano, 18,8% na comparação com maio do ano passado, 6% no acumulado do ano e 0,1% no acumulado de 12 meses.

A queda de 0,9% no volume de serviços de abril para maio foi puxada por três das cinco atividades pesquisadas: serviços de informação e comunicação (-2,5%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-3,6%) e outros serviços (-4,6%).

Por outro lado, duas atividades tiveram queda em seu volume de abril para maio: serviços auxiliares aos transportes e correio (4,6%) e serviços prestados às famílias (14,9%).

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC), tendo como base a pesquisa do IBGE, revisou de 5,6% para 5,9% a previsão de retração no volume de receitas do setor de serviços, em 2020. Confirmada a previsão, o setor terciário pode registrar o pior desempenho anual na série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2011.

As atividades turísticas medidas pela PMS voltaram a apresentar crescimento em maio, após quedas históricas em abril, avançando 6,6%. Porém, de acordo com o economista da CNC Fabio Bentes, quando comparado aos demais setores da economia, o Turismo é o que se encontra mais distante do nível de atividade verificado antes da pandemia (-66% em relação a fevereiro deste ano). "Assim como nas pesquisas do IBGE relativas à indústria e ao comércio, as empresas que compõem as atividades turísticas enfrentaram a fase mais aguda da crise pandêmica no mês de abril", afirma o economista.

A CNC calcula que, em quatro meses, o segmento de turismo perdeu R$ 121,97 bilhões. "A tendência é que o faturamento real do setor encolha 39% em 2020, com perspectiva de volta ao nível pré-pandemia somente no terceiro trimestre de 2023" projeta Fabio Bentes. Do ponto de vista do emprego, os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelaram que, entre as 21 principais atividades econômicas, os subsetores de alojamento e alimentação fora do domicílio, responsáveis por mais da metade (57%) da ocupação no Turismo, eliminaram 275,7 mil postos formais de trabalho entre os meses de março e maio deste ano, acumulando, naquele trimestre, uma retração de 13,7% no seu nível de ocupação. O Turismo tem sido um dos setores mais impactados pela crise provocada pelo coronavírus, sobretudo com o fechamento das fronteiras em diversos países, o que fez reduzir drasticamente o fluxo de turistas no país desde março.

Ainda segundo o IBGE, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou inflação de 0,14% em junho deste ano. A taxa é inferior à observada em maio (0,17%) e também é a menor taxa mensal deste ano e a menor entre meses de junho desde que começou a série histórica desta versão da pesquisa, em 2013.

O Sinapi, que mede a inflação na construção em todo o país, acumula taxas de inflação de 1,47% no ano e de 3,52% em 12 meses.

Com a inflação de junho, o custo da construção por metro quadrado chegou a R$ 1.175,62 em junho deste ano. Os materiais tiveram alta de preços de 0,17% e passaram a custar R$ 616,59 por metro quadrado, enquanto a mão de obra subiu 0,10% e passou a custar R$ 559,03 por metro quadrado.

 

Com informações da Agência Brasil

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