O setor de serviços variou 0,3% em outubro, na comparação com setembro, nono resultado positivo seguido, período em que acumulou alta de 3,7%. Com isso, o volume de serviços está 20,1% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e renovou o patamar recorde da série histórica. Essa é a maior sequência de resultados positivos desde o período de oito meses compreendido entre fevereiro e setembro de 2022, quando houve crescimento acumulado de 5,6%.
Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta sexta-feira, pelo IBGE. Frente a outubro de 2024, o volume de serviços avançou 2,2%, somando 19 taxas positivas consecutivas. O acumulado no ano foi de 2,8%. Em 12 meses, alta também de 2,8%, reduzindo o ritmo de expansão frente ao acumulado até setembro (3,1%).
Todas as cinco atividades tiveram alta, com destaque para transportes (1%), que emplacaram o terceiro resultado positivo seguido, com ganho acumulado de 2,4%, renovando o ápice da sua série histórica.
O transporte aéreo e o rodoviário de cargas foram protagonistas novamente. “O aéreo tem crescido por conta do maior número de passageiros transportados, o que se reflete em maiores receitas para as companhias aéreas. E o aumento das receitas das empresas de transporte rodoviário de cargas cresce, em grande medida, por conta dos fretes realizados para o escoamento da produção agrícola, que terá safra recorde neste ano, e de entregas oriundas do comércio eletrônico”, explica o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
Os demais avanços do setor de serviços vieram de informação e comunicação (0,3%), que reduziram o ritmo de expansão frente a setembro (1,2%); de outros serviços (0,5%), que tiveram o quarto avanço seguido, com ganho acumulado de 3,4%; e dos profissionais e administrativos (0,1%) e prestados às famílias (0,1%), ambos com ligeiros acréscimos após recuo no mês anterior.
“Os serviços de TI, dentro do setor de informação e comunicação, têm sido bastante demandados no pós-pandemia por conta da necessidade de digitalização das empresas. Com aumentos continuados por serviços de armazenamento de dados em nuvem, desenvolvimento e licenciamento de aplicativos, consultoria em tecnologia da informação, tratamento de dados e suporte técnico em TI”, avalia o gerente da pesquisa.
O volume de transporte de passageiros registrou expansão de 2,3% na passagem de setembro para outubro (com ajuste sazonal), terceiro resultado positivo seguido, período em que acumulou ganho de 3,2%. Dessa forma, o segmento está 13,1% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 13% abaixo de fevereiro de 2014 (ponto mais alto da série histórica).
Nessa mesma comparação, o volume do transporte de cargas avançou 0,9% em outubro de 2025, quinto resultado positivo seguido, período em que acumulou ganhos de 3,7%. Dessa forma, o segmento está 2,5% abaixo do ponto mais alto de sua série (julho de 2023). Com relação ao nível pré-pandemia, o transporte de cargas está 41% acima de fevereiro de 2020.
“Esses grupamentos de passageiros e de cargas englobam outros modais além do aéreo e do rodoviário. Mas o aéreo de passageiros é que tem sido determinante no segmento de transporte de passageiros e o rodoviário tem tido mais influência nos transportes de cargas”, explica Rodrigo.
O índice de atividades turísticas cresceu 0,8% em outubro, frente ao mês imediatamente anterior (com ajuste sazonal). Este é o terceiro resultado positivo seguido, período em que acumulou ganho de 2,1%. Com isso, o segmento de turismo se encontra 12,7% acima do patamar de fevereiro de 2020 e 1% abaixo do ápice da sua série histórica (dezembro de 2024).
“A alta das atividades turísticas ocorre também em função do aumento das receitas das empresas de transporte aéreo de passageiros”, diz o gerente da pesquisa.
Regionalmente, 13 dos 17 locais acompanharam o crescimento da atividade turística nacional (0,8%). A contribuição positiva mais relevante ficou com o Rio de Janeiro (3,1%), seguido por Rio Grande do Sul (4,5%), Paraná (2,4%) e Santa Catarina (3,5%). Em sentido oposto, São Paulo (-0,1%) liderou as perdas do turismo neste mês, seguido por Amazonas (-0,7%) e Goiás (-0,5%).
A maior parte (15) das 27 unidades da federação tiveram crescimento no volume de serviços em outubro de 2025, na comparação com setembro (com ajuste sazonal). Os impactos positivos mais expressivos vieram do Rio de Janeiro (2%) e do Paraná (2,5%), seguidos pelo Espírito Santo (4,6%), Mato Grosso do Sul (6,3%) e Santa Catarina (1,1%). Já São Paulo (-0,6%), Rio Grande do Sul (-2,9%) e Distrito Federal (-3,9%) exerceram as principais influências negativas, seguidos por Mato Grosso (-3,3%) e Minas Gerais (-0,4%).
Economistas projetam avanço mais fraco em 2026
Para Volnei Eyng, CEO da Multiplike, “a alta de 0,3% no setor de serviços em outubro reforça a capacidade de adaptação das empresas brasileiras, mesmo em um ambiente de juros altos e atividade moderada. Esse avanço, que já dura nove meses consecutivos, indica que a economia continua se movendo, embora com sinais de perda de fôlego no acumulado do ano.”
“Os segmentos de transportes e de informação e comunicação puxaram o resultado, reforçando a força das cadeias ligadas à logística e à digitalização das empresas. Para as empresas, especialmente as que dependem de logística, tecnologia, transporte, turismo e serviços profissionais, isso representa um ambiente mais favorável. Porém os dados mostram uma leve desaceleração no desempenho anual, o que serve de alerta. O ambiente macroeconômico segue moldando esse comportamento”, avalia.
Ainda segundo ele, “com inflação sob controle, juros elevados e incertezas políticas, as decisões do próximo ano tendem a ser mais cautelosas, equilibrando crescimento com disciplina financeira. Nesse cenário, pequenas e médias empresas têm papel essencial, pois são rápidas para se adaptar e ajudam a manter o setor de serviços avançando, mesmo quando a economia perde ritmo.”
Já para João Kepler, CEO da Equity Group, “o nono mês seguido de avanço nos serviços mostra que a economia brasileira continua encontrando tração apesar do custo do dinheiro.”
“Para as empresas, isso significa que eficiência operacional e capacidade de adaptação valem mais do que nunca. O setor de tecnologia, logística e consumo digital volta a ser protagonista e abre espaço para startups que resolvem gargalos de produtividade”, diz.
Com informações da Agência de Notícias IBGE

















