SP: sete em 10 famílias estão endividadas; inadimplência chega a 21%

Fecomércio-SP: só a capital tem 3,2 milhões de famílias endividadas; cartão de crédito é o principal vilão

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Cartão de crédito na carteira
Cartão de crédito na carteira (foto LaTunya Howard - CC - Reprodução - ABr)

Os reajustes das tarifas de transportes e dos cursos educacionais prejudicaram o orçamento das famílias, fazendo endividamento e inadimplência subirem neste começo de ano, apesar de o mercado de trabalho ainda estar consolidado em São Paulo. Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) mostram que o percentual de lares com algum tipo de dívida aumentou de 70%, em fevereiro, para 71,1%, em março, e a inadimplência passou de 20,4% para 20,9% no mesmo período.

Os números da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela federação, sugerem uma piora relativa nas condições econômicas das famílias, com mais necessidade de crédito para manter o consumo básico e maior dificuldade para quitar os compromissos assumidos.

Atualmente, a capital paulista tem 3,2 milhões de famílias endividadas e cerca de 940 mil inadimplentes. Os percentuais cresceram até mesmo em relação ao ano passado, quando o endividamento atingia 69,2% dos lares, e 19,3% da população não havia quitado os compromissos assumidos.

A Fecomércio-SP avalia, no entanto, que o cenário ainda não é tão negativo a ponto de gerar reflexos mais amplos na economia da cidade.

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A dificuldade em honrar os compromissos assumidos está presente não apenas entre as famílias com renda menor do que 10 salários mínimos, mas também entre aquelas que ganham acima desse valor. No grupo com salários mais baixos, o não pagamento dos compromissos saiu de 25,2% para 25,6%. No outro grupo, o percentual cresceu de 8,6% para 9,2%.

Quanto aos endividados, o percentual entre as famílias com renda menor que 10 salários mínimos ficou em 74,5%, enquanto, entre aquelas que ganham acima desse valor, foi de 61,3%. Ambos os grupos, porém, estão acima do observado em fevereiro (73,5% e 59,8%, respectivamente) e em março de 2025 (73,3% e 57,2%).

A maioria das pessoas está endividada no cartão de crédito (79,3%) – em fevereiro, eram 78,7%. Na sequência, aparecem o financiamento imobiliário (16%), o crédito pessoal (12,3%) e o financiamento de veículos (10,5%). O crédito consignado (5,8%) atingiu o maior patamar desde outubro de 2024. Dentre os inadimplentes, o tempo médio de atraso aumentou ao longo dos meses. Em março, registrou 66 dias, contra 65,2 no mês anterior, indicando uma leve piora no equilíbrio das contas domésticas.

Chama atenção, no entanto, o recuo do tempo médio de comprometimento com dívidas, que passou de 7 para 6,8 meses. Segundo a Fecomércio-SP, esse registro pode indicar maior cautela das famílias com dívidas de longo prazo, ao mesmo tempo em que precisam de recursos para pagamentos mais imediatos.

Um ponto que traz algum alívio é o fato de a parcela da renda comprometida com dívidas ter atingido 26,7% em março, um dos menores níveis já observados na série. Esse registro pode indicar que as famílias que estão tomando crédito no curto prazo ainda o fazem em volume relativamente moderado, sem gerar grande pressão no orçamento doméstico.

Também cresceu o número de lares que pretende contratar crédito ou financiamento nos próximos três meses, passando de 10,8% para 11,4%. Dentre elas, 83% afirmaram que devem destinar os recursos para consumo e compras, ante 81,2% no mês anterior.

O Pix segue liderando entre as modalidades consideradas mais vantajosas, com 29,7%. Na sequência, aparece o cartão de crédito parcelado, com 23,6%. A Fecomércio-SP chama atenção para a queda no primeiro e o avanço no segundo, o que pode refletir menor disponibilidade de dinheiro em conta para realizar compras e maior necessidade de recorrer ao crédito.

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