Setor de energia é um dos alvos preferidos de hackers

Mais de 60% de todos os ataques foram de phishing; organizações criminosas de hackers são ameaça às infraestruturas críticas do Brasil.

Relatório da Verizon apontou que o setor de energia, que engloba petróleo, gás, mineração e extração, como um dos mais visados para ataques cibernéticos. Sem contar a crise mundial energética, impulsionada pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia, as indústrias de energia e extração acabam se tornando alvo em potencial para os cibercriminosos, tanto por conta de seus posicionamentos estratégicos dentro das economias mundiais, quanto pelas informações valiosas que podem ser “trocadas” por quantias absurdas, e até servirem para espionagem.

Segundo o relatório, em 2021, ano de análise, foram 403 incidentes monitorados, e 179 que tiveram a confirmação de vazamento de dados; 78% apresentaram motivação financeira, enquanto 22% das ameaças buscavam a quebra de sigilo de dados para espionagem.

Mais de 60% de todos os ataques foram de phishing, que é uma técnica de engenharia social usada para enganar usuários e obter informações confidenciais, como nome de usuário, senha e detalhes do cartão de crédito, a partir de mensagens falsas, como e-mail, links, websites e até mesmo aplicativos. O meio mais usado, segundo o relatório, foi o dos servidores de e-mail das empresas, seguido por aplicações web e desktop.

Isso levou ao grande número de credenciais roubadas (potencialmente coletadas por phishing) e ransomware, que é o “rapto” de informações em troca de resgates.

“Ataques hackers contra redes de água e energia, de empresas públicas e privadas brasileiras, que podem levar a graves consequências para a população, são só questão de tempo diante das crescentes ameaças de cibersegurança e do despreparo de muitas companhias no mundo todo.”

A previsão é de Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe. Estudo a empresa realizado neste ano, com 84 empresas dos setores de eletricidade, água, gás, indústria de transformação e extrativa, confirma o temor de Marcelo Branquinho ao revelar que a segurança cibernética ainda é um calcanhar de Aquiles para a maioria. Ao avaliar quesitos como proteção da rede industrial, controle de malware, segurança de dados, treinamento e conscientização, as companhias alcançaram um nível médio de maturidade em segurança cibernética de 2,53, numa escala de 0 a 5. Houve um avanço em relação a 2018, quando o patamar alcançado foi de 1,88, mas ainda insuficiente, segundo o especialista.

Relatório do Incident Hub, repositório que concentra dados globais de incidentes em tecnologia de automação a partir de 1982, compilado pela TI Safe, mostra que os ataques hackers contra infraestruturas críticas crescem de forma exponencial. Se, em 2012, não houve nenhum registro no Brasil, neste ano já foram noticiadas 16 invasões contra prefeituras, governos estaduais, empresas farmacêuticas e redes hídricas, entre outras entidades.

“Ataques cibernéticos podem paralisar infraestruturas críticas de um país, como redes de água, energia, empresas siderúrgicas, e estatais, porque elas estão todas interligadas. Se falta energia elétrica, o abastecimento de água vai ser afetado, assim como os sistemas de pagamentos e as telecomunicações, com grave dano para a população”, alerta Branquinho.

O especialista lembra que no Brasil existem 743 empresas de energia, de todos os portes, que podem ser um alvo de criminosos. “Os hackers atacam as empresas mais vulneráveis, sem muita barreira de proteção. Grupos organizados internacionais ainda não descobriram o Brasil, mas vão atacar, não tenho dúvida disso. Essas redes vão ser devastadas”, alerta o CEO da TI Safe.

O cenário tende a piorar com a difusão cada vez mais maciça dos chamados “ransomware as a service”, um tipo de malware programado para impedir o acesso do usuário a seus dados que poderá recuperá-lo, na melhor das hipóteses, após pagamento de um resgate (ransom, em inglês).

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