Setor de equipamentos e dispositivos médicos volta a crescer em 2017

Depois de dois anos de retração, com queda de dois dígitos no consumo aparente, o setor de produtos para saúde registrou...

Conjuntura / 17:52 - 11 de dez de 2017

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Depois de dois anos de retração, com queda de dois dígitos no consumo aparente, o setor de produtos para saúde registrou uma discreta recuperação e deverá encerrar 2017 com crescimento ao redor de 1%, com um consumo aparente de US$ 9,1 bilhões. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento das importações, que cresceram 3,7% no acumulado de janeiro a setembro deste ano.

Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed). Segundo Carlos Goulart, presidente-executivo da entidade, o perfil das importações revela que a retomada ocorreu mais em função da necessidade de repor produtos por parte dos estabelecimentos de saúde do que em decorrência de novos investimentos, o que se espera que volte a acontecer em 2018.

- O segmento que registrou maior aumento de importações, com índices ao redor de 15%, foi o de materiais, suprimentos e mobiliário. Já a compra de equipamentos, que ocorre quando os prestadores de serviço estão investindo na atualização ou expansão do parque, não registrou resultados expressivos.

Os dados de emprego também foram positivos, com a geração, até setembro passado, de 2.253 novos postos de trabalho nas atividades industriais e comerciais. Com esse acréscimo, o total de trabalhadores no setor se elevou a 134,4 mil, um crescimento de 1,7% no acumulado do ano, que acompanhou a retomada de empregos nos demais setores do mercado formal de trabalho do país.

Já as exportações recuaram 7,7% nos nove meses do ano, exceto nas áreas de cardiologia, diagnóstico por imagem e oftalmologia, que cresceram 42%, 30% e 9,5% respectivamente.

- Esses resultados demonstram que o Brasil não é competitivo no comércio global de dispositivos médicos, exceto em nichos específicos, e que tem um longo a caminho a percorrer para se inserir nesse mercado.

Da mesma maneira, a produção local de instrumentos e materiais para uso médico e odontológico, nos nove meses do ano, recuou 2,3%, enquanto as vendas cresceram cerca de 1% no mesmo período.

 

Jordânia e Argélia são novos destinos - O mercado árabe para produtos e equipamentos médico-hospitalares brasileiros está adquirindo uma nova configuração. Destinos tradicionais como os Emirados Árabes, que historicamente funcionaram como um hub de distribuição local, estão dando espaço a novos players que vêm acelerando as compras desses artigos do Brasil, segundo um levantamento da Câmara Árabe-Brasileira.

Dois países se destacam nesse novo cenário. Um deles é a Argélia, no Norte da África, com 40 milhões de habitantes, grande produtor de petróleo e o terceiro maior mercado do Brasil no segmento. Entre janeiro e setembro de 2017, o Brasil exportou um milhão de dólares para o país, aumento de 96,93% em comparação com o mesmo período de 2016.

O outro é a Jordânia, no Oriente Médio, o quarto parceiro do Brasil no ramo. No acumulado janeiro-setembro de 2017, as compras cresceram 759%, pouco mais de US$ 700 mil.

- Vale ressaltar que a Jordânia tem acordos de livre-comércio com EUA, Canadá e Europa, de forma que pode ser uma excelente opção para operações trianguladas - destaca o secretário-geral da entidade, Michel Alaby.

Kuwait, Líbano e Sudão, apesar do pequeno volume de negócios, também têm acelerado as compras do Brasil e se firmado como novas portas de entrada. De acordo com a entidade, as exportações de produtos médico-hospitalares brasileiros somaram US$ 7 milhões no período, um aumento de pouco mais de 3% na mesma comparação. A quantia refere-se às vendas para todo o mercado árabe, composto pelos 22 integrantes da Liga Árabe.

Alaby reconhece que a participação do segmento é pequena em relação ao total de exportações, hoje estimadas em US$ 12 bilhões. O executivo destaca, no entanto, que os árabes têm demanda por produtos de todos os tipos e que os itens de valor agregado têm adquirido a cada ano mais espaço na pauta de exportações..

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