Shell no Golfo do México mostra força do pré-sal

A Shell anunciou semana passada a decisão de investir no campo de Vito, no Golfo do México. Trata-se de uma instalação em águas profundas, na qual a multinacional espera obter equilíbrio financeiro (break-even) com preço estimado inferior a US$ 35 por barril. Vito deve começar a operar em 2021 e atingir uma produção de 100 mil barris de óleo equivalente por dia (boe). A produção recuperável é avaliada em 300 milhões de boe. O campo, parceria entre a Shell Offshore Inc. (63,11%, operadora) e a Statoil USA E&P Inc. (36,89%), está localizado a aproximadamente 240 quilômetros de Nova Orleans.

O anúncio reforça a importância de uma área distante cerca de 8 mil quilômetros. No pré-sal brasileiro, o campo do Golfo do México seria considerado modesto. Por aqui, há levantamentos com estimativa de recuperação de 3 bilhões, até 6 bilhões de óleo equivalente, dez a 20 vezes maior. Ricardo Maranhão, que foi engenheiro da Petrobras e é diretor da Aepet, ressalta que os campos gigantes têm, pelo menos, 1 bilhão de boe. “Alguns, no pré-sal, são supergigantes”, afirma à coluna.

Outra comparação favorável ao pré-sal é em relação a custo de produção. A Petrobras tem anunciado um valor de US$ 30/barril. O custo total é a soma do custo de extração com o custo de capital. O custo de extração no pré-sal vem caindo e, hoje, está entre US$ 7 e US$ 8 por barril.

 

CNC em marcha

A decisão de Antônio de Oliveira Santos de não disputar mais a reeleição para presidência da Confederação Nacional do Comércio (CNC) – posto que ocupa desde 1980 – abriu espaço para novos ares na entidade. José Roberto Tadros, presidente do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac Amazonas, desponta como favorito à sucessão de Oliveira Santos.

Tadros quer colocar a CNC para ajudar a retomada do país. O empresário lançou em meados do ano passado o livro O Grande Amazonas em Marcha, no qual trata o Amazonas com o mesmo olhar macro para as grandes questões com que enxerga o país.

O Amazonas é um estado tão complexo e diversificado quanto as curvas do Rio Negro e a floresta tropical. Costuma-se dizer no estado que quem entende o Amazonas, entende o país. Tadros planeja usar sua experiência bem sucedida de três décadas comandando as entidades do comércio no estado para colocar a CNC no centro das decisões nacionais.

 

Fortes diferentes

O ex-ministro das Cidades Márcio Fortes de Almeida avisa: o ex-deputado federal citado pelo Jornal Nacional de sábado à noite sobre suposto financiamento ilegal de campanha do PSDB pela Odebrecht diz respeito a Marcio João de Andrade Fortes, conhecido como Márcio Fortes, engenheiro. “Sou advogado, diplomata e nunca fui parlamentar, nunca fui filiado ao PSDB”, decreta o ex-ministro das Cidades.

 

O lado do muro

Em evento realizado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) na última sexta-feira, alguns presidenciáveis opinaram sobre a Reforma Trabalhista. Ciro Gomes, do PDT, defendeu a revogação do texto. “Isso é uma perversão que faz parte de uma selvageria neoliberal, mofada, que se impôs ao Brasil”, disse.

O tucano Geraldo Alckmin se candidatou a receber a herança da impopularidade do presidente Michel Temer. O pré-candidato do PSDB foi o que defendeu com maior empenho a reforma.

Marina Silva, da Rede, ficou em cima do muro. Apenas criticou a forma apressada com que as mudanças foram aprovadas no Congresso.

Afif Domingos, do PSD, afirmou que é preciso rediscutir a reforma. Ele defende uma legislação para grandes corporações e outra específica pra micro e pequenas empresas.

Surpreendente foi outro “murilo”. Aldo Rabelo, presidenciável pelo Solidariedade, que já foi ministro de Dilma, integrante do PCdoB e presidente da UNE, falou: “Qualquer reforma tem que levar em conta a defesa do desenvolvimento, do crescimento, das empresas, mas também a proteção dos direitos dos mais fracos”, disse.

 

Rápidas

O Almoço do Empresário da Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 8 de maio, terá palestra com o pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin *** Os principais aspectos jurídicos das operações de fusão e aquisição serão abordados no curso M&A na Prática: Contrato de Compra e Venda de Participação, no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-Rio), 9 e 10 de maio.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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