Shopping

Um grupo de 130 sem-teto, favelados, estudantes e punks promoveu uma invasão pacífica do shopping Rio Sul, em Botafogo. O objetivo, segundo os organizadores, era protestar “contra o sistema capitalista, mostrando o contraste entre o consumo supérfluo e a fome”. O protesto dividiu a opinião de compradores, comerciantes e turistas, surpreendidos pelo contraste entre as vitrines e os corredores de mármore do shopping e a aparência simples dos manifestantes. Mesmo diante do olhar desconfiado dos lojistas, os sem-teto não se intimidaram: entraram nas lojas, experimentaram roupões de seda e puseram seus filhos para brincar com brinquedos importados. Os manifestantes se disseram integrantes da Frente de Luta Popular, um “fórum de entidades surgido há dois meses para criar novas alternativas de luta”. Os seguranças acompanharam o passeio dos militantes, que encenaram performances com leitura de poesias, rodas de capoeira e representações teatrais. Os manifestantes deixaram o shopping em direção ao Palácio Guanabara, onde foram recebidos pelo secretário de Governo, Fernando William. Voltaram para a Zona Oeste em três ônibus fretados pela administração do Rio Sul.

Divã
Manchete de um jornalão ontem: “EJ nega lobby e diz que ajuda empresas a entender governo”. Um bom psicanalista sairia mais barato.

Gogó
O governo promete agora adotar medidas para baixar os preços do álcool e dos derivados de petróleo. Segundo o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, uma das primeiras medidas seria a realização de leilões de álcool, à base de 60 milhões de litros a cada 15 dias. Outra seria diminuir ainda mais, agora de 22% para 20%, a adição de álcool anidro à gasolina. É preciso registrar que boa parte desses problemas poderia não estar ocorrendo. Não custa lembrar que o atual governo acentuou em muito o cerceamento à ação da Petrobras. Quanto à agricultura – um dos cinco dedos da primeira campanha de FH – se vê há seis às voltas com a cobrança de juros elevados. Isso quando há crédito.
Faz de conta
Esta coluna, a Velinha de Taubaté e o coelhinho da Páscoa aplaudem a declaração do ministro Pratini de Moraes dando conta de que, como última opção, o governo poderá confiscar estoques de álcool para impedir a especulação com o preço do produto.

Fumaça
Não pode haver maior reforço às suspeitas que pairam sobre o Planalto do que as comemorações dos governistas, encampada pela mídia “chapa branca”, de “aí que alívio” após o depoimento de Eduardo Jorge no Senado. Afinal de contas, o que tanto temia o governo que pudesse emergir do depoimento? A confirmação da última versão sobre o terceiro segredo de Fátima?
Operação abafa
Alguns jornais levaram muito a sério a “operação abafa” orquestrada no Planalto para tentar impedir que o avanço da investigação sobre Eduardo Jorge revele fatos ainda mais comprometedores para FH. Duas publicações saíram na sexta-feira não só com títulos quase iguais, mas também com as mesmas fotos, na mesma posição.

Nomes
Repercute na imprensa da Espanha a briga entre o Banco Bilbao Vizcaya (BBVA) e o pequeno BVA, brasileiro, pelo direito de uso do nome no Brasil. Tratada pelo jornal El Mundo como a briga entre David e o Golias espanhol, a disputa está na Justiça. Inicialmente o BVA – com apenas dois escritórios, cinco anos de existência e patrimônio líquido de US$ 28 milhões – levou a melhor. Conseguiu, há pouco mais de um mês, uma sentença impedindo que o banco espanhol utilize suas siglas. O banco brasileiro alega que já opera há mais tempo que o concorrente e tem direito ao uso da marca. O BBVA recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça e conseguiu liminar suspendendo a sentença até que o STJ faça seu julgamento. O mais provável é que o caso seja resolvido com um polpudo acerto entre os dois bancos.

Sadismo
O desconto fixo mensal para o plano Geap, que atende os servidores da ativa, inativos e pensionistas do governo federal, teve a alíquota elevada de 3,5% para 6,84% dos vencimentos. A elevação corresponde a quase 100% (para ser exato 95,43%). A insensibilidade do Governo FH em relação aos servidores e aos seus dependentes, nota-se, não se limita a deixá-los sem reajuste salarial por mais de seis anos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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