Silicon Valley Bank: ‘bancos digitais brasileiros não correm risco’

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Signature Bank (Foto: Michael Nagle/Ag. Xinhua)
Signature Bank (Foto: Michael Nagle/Ag. Xinhua)

A falência do Silicon Valley Bank atingiu os mercados globais, com os investidores revendo suas previsões de novos aumentos das taxas de juros e liquidando ações de bancos do mundo todo. Para cobrir as perdas de bilhões, o banco anunciou uma rodada de financiamento de capital que prejudicou as crenças dos investidores, expondo uma desconfiança no valor das garantias de sua dívida que criaram uma enorme “corrida ao banco” das mesmas startups que ele atuou.

Segundo Gaby Diamant, CEO da BridgeWise, “toda crise financeira, especificamente no setor bancário, corre o risco de se espalhar para outros países. Especificamente dos EUA para o Brasil, que têm muito comércio entre si. Existem importantes empresas brasileiras de tecnologia que foram expostas ao SVB e muitas delas precisarão encontrar uma solução. Se a crise for mais profunda, pode haver danos potenciais. Mas, por outro lado, nenhum dos bancos digitais por enquanto corre o risco de entrar em colapso.”

Além do SVB, o Signature Bank e Silvergate também declarou falência.

Segundo a Bloomberg, as ações do First Republic Bank caíram 67% na abertura do mercado antes da interrupção das negociações.

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O professor de Economia, André Roncaglia, explica que a quebra dos bancos norte-americanos Silicon Valley, Silvergate e Signature era previsível, justamente pela aceleração da taxa de juros norte-americana. Agora, o Fed é obrigado a repensar esse posicionamento, o que deve ocorrer também no Brasil.

“O Banco Central americano vai atuar fortemente na garantia dos depósitos dos clientes destes bancos e, com isso, deve rever o posicionamento sobre elevar a taxa de juros, conforme previsto já na última reunião. O Fed subindo menos a taxa de juros, ou desacelerando esse processo de normalização monetária da economia americana, implica, para o Brasil, um espaço maior para que o Banco Central brasileiro possa iniciar, ou antecipar, o processo de corte de juros e fazer isso até de uma maneira mais acelerada.”

Ainda de acordo com Roncaglia, o Fed deve agir para conter os riscos financeiros, o que deve ocorrer com a decisão do Banco Central brasileiro. Na visão do especialista, se isso acontecer pode trazer efeitos que favoreçam o crescimento do Brasil. “O efeito disso pode ser exatamente reativar os motores da economia de uma forma mais sustentada e isso pode ajudar o país a crescer mais nesse ano e vir a ampliar a empregabilidade de qualidade, melhorar os indicadores de atividade econômica que já vêm desacelerando. Todos esses efeitos são muito positivos.”

William Baghdassarian, também professor em Economia, enxerga de forma diferente. Para ele, acontecimentos do tipo colocam em questionamento a eficácia das políticas de proteção econômica pelas autoridades monetárias. Por isso, acredita que o Banco Central brasileiro tenha menos incentivo para reduzir a taxa de juros nacional, a depender de como a situação se desenrole.

“Se por acaso a gente descobrir que outros bancos também têm um problema de liquidez e que vão precisar da intervenção do governo americano ou de outros governos para solucionar a questão, aí sim isso pode fazer com que a incerteza se mantenha mais alta. Isso vai ter um efeito sobre a taxa de câmbio – sobre o dólar –, que vai ter um efeito sobre a inflação de custos, o que pode fazer com que o Banco Central tenha menos incentivos para buscar a redução das taxas de juros.”

Para ele, a quebra dos bancos pode provocar também impacto na inflação e na taxa de câmbio, que podem ser pouco convidativas para países emergentes como o Brasil.

“Toda vez que a gente tem um aumento da incerteza internacional, os mercados emergentes acabam sofrendo, porque os investidores externos puxam recursos desses mercados para cobrir as perdas nos mercados principais, o que faz com que haja uma pressão na taxa de câmbio e, com isso, você acaba tendo também o efeito de inflação sobre as economias.”

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