Sinais não tão positivos

Números de óbitos por Covid-19 atingiram 103.026 casos até ontem, indicadores que podem mexer com os mercados.

Opinião do Analista / 10:18 - 12 de ago de 2020

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Ontem os mercados acionários perderam tração na parte final da sessão, com a Bovespa encerrando com queda de 1,23% e índice em 102.174 pontos, com o Dow Jones perdendo 0,38% e Nasdaq pressionado nas ações de tecnologia com queda de 1,69%. Aqui, o dólar terminou o dia com queda de 1,28% e cotado a R$ 5,40.

No final da tarde ficamos sabendo dos pedidos de demissão de Salim Mattar (Privatizações) e Paulo Uebel (Desburocratização), chamada de "debandada" pelo ministro Paulo Guedes. Já sobe para quatro as demissões na equipe econômica, com pessoal de peso. No exterior, também conhecemos a vice-presidente de Joe Biden, Kamala Harris, que já criticou o presidente Jair Bolsonaro pelo desmatamento da Amazônia, e rotulada por Donald Trump como membro da esquerda radical.

Com este clima, os mercados encerraram o dia com altas na Ásia (Xangai em nova queda de 0,63%), Europa virando para o positivo com vacinas e retomada da recuperação econômica e futuros dos EUA com altas ao redor de 1%. Aqui, vamos ter que ajustar um pouco para as demissões ocorridas e Paulo Guedes declarando que se o teto de gastos for derrubado pode provocar tentativa de impeachment de Bolsonaro. Aliás, Rodrigo Maia, Paulo Guedes e Arthur Lira integram a tropa de choque a favor da manutenção do teto de gasto, contra outra ala do governo que deseja gastos com obras e investimentos fora do teto.

No Reino Unido, o PIB do segundo trimestre registrou contração recorde de 20,4%, a maior dentre os países desenvolvidos. Já a produção industrial de junho, expandiu 9,3%, de previsão de alta de 7,3%. E o saldo da balança comercial mostrou déficit em junho de 5,1 bilhões de libras enquanto a moeda inglesa subia, assim como os juros dos títulos de 10 anos.

Na Zona do Euro, a produção industrial de junho cresceu 9,1%, mas a previsão era expansão de 9,5%. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mantinha alta de 1,49%, com o barril cotado a US$ 42,23, depois da divulgação de queda dos estoques dos EUA em 4,4 milhões de barris, e antes do anúncio pelo Departamento de Energia que acontece hoje. O euro era transacionado em alta para US$ 1,177 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,67%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

A B3 informou que o volume captado pelas empresas nos últimos 18 meses superou a captação entre os anos de 2011 até 2018, o que reduz a pressão sobre os preços no mercado secundário. Aliás, a Bovespa desde meados de julho não consegue se afastar da faixa próxima de 102 mil pontos.

Falando sobre a Covid-19, os números de óbitos já atingem 103.026 casos até ontem. Na agenda do dia, indicadores que podem mexer com os mercados.

Aqui teremos as vendas no varejo de junho que deve ter expandido próxima de 5% e o fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA, a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI, por sua sigla em inglês) de julho e o resultado fiscal de julho; além dos estoques de petróleo e derivados da semana anterior e discursos de três dirigentes do Fed.

Expectativa é de Bovespa mais pesada, mas podendo operar em alta seguindo o exterior, dólar mais forte e juros longos ainda pressionados em alta.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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