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sábado, janeiro 16, 2021

Sinal amarelo

A equipe econômica do governo federal pode estar prestes a enfrentar intensa pauta de reuniões com representantes de atividades empresariais com vistas a conter os índices de inflação. Os economistas palacianos correm o risco de cair do cavalo se acreditam que a tarefa está resolvida pelos acordos com as turmas dos laboratórios e combustíveis e a expectativa de diminuição do frio e geadas. Não se deve esquecer que, no ano passado, o IGP e o IGP-M, índices de preços da Fundação Getúlio Vargas, ficaram um em quase 20% e o outro alguns décimos acima. A causa foi o aumento acumulado no atacado (preços industriais e agrícola), inclusive em áreas que não sofreram o impacto da desvalorização cambial. Em sua maior parte, o acúmulo não foi repassado pelo simples fato de que as pessoas estavam com as bolsas ou os bolsos vazios. Com o aumento do prazo do crediário e redução do juro (ainda que, neste último caso, o benefício para o consumidor seja lento), a tendência parece ser a de comprar o que couber no orçamento pessoal ou familiar. E, quando o comércio consegue vender, a tendência também é de experimentar o quanto de reajuste a clientela pode suportar.

Credibilidade
Não foi à toa que o Supremo não se impressionou com o terrorismo estatístico do governo em relação aos gastos para repor os recursos tungados do FGTS, que variavam num intervalo de R$ 38,8 bilhões a R$ 67 bilhões. Hoje em dia, apenas duas categorias levam a sério os números da equipe econômica, que contemplam diferenças de “apenas” R$ 28,2 bilhões: a Velhinha de Taubaté e certos colunistas de economia.

No limite
Grande Irmão, programa de prêmios da TV espanhola, está alavancando a audiência do canal Tele 5. Após o lançamento em abril, o Tele 5 pulou do terceiro para o primeiro posto entre os mais vistos. O programa coloca no ar a vida íntima de 10 espanhóis, que disputam prêmio de US$ 100 mil. Quem quiser ver apenas um resumo liga a TV aberta; maiores detalhes somente pagando, via Internet, TV a cabo ou até mesmo telefone. A moda começou na Holanda, se espalhou pela Europa e agora chega aos Estados Unidos. A previsão é que programas semelhantes estarão ainda este ano em emissoras da América Latina, Brasil inclusive.

Solidariedade
Funcionários dos aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim, no Rio de Janeiro, recolheram uma tonelada de donativos (roupas, sapatos e remédios) para os desabrigados pelas chuvas que castigaram Maceió. O maior número de atingidos morava em torno do Aeroporto Campo dos Palmares. A doação foi enviada sexta-feira.

Gestão
Enquanto a Petrobras pagou a mega multa de R$ 50 milhões por despejar óleo no Paraná sem recorrer, a Schering até agora não despendeu um centavo para ressarcir as brasileiras vítimas de pílulas de farinha. Vai ver é reflexo apenas de diferenças de cultura, mas, certamente, o comportamento da empresa – e principalmente das autoridades – seria bem diferente no país de origem.

Acredite se puder
Durante semanas, um anúncio na TV anunciou a fuga da cadela “Daisy”. Segundo o comercial, os donos desesperados com a perda do animal pediam apoio à população para encontrá-lo. Tempos depois, a Purina informa que a cadela foi encontrada e está sendo tratada com uma ração produzida pela empresa. Tratava-se de um teaser (anúncio de suspense). Não contra o recurso publicitário, mas antes de dar vazão a sua criatividade, a agência poderia pensar nos efeitos sobre a credibilidade de futuros anúncios de donos que percam  cachorros ou bichanos de estimação não virtuais.

Na moita
Apenas oito brasileiros declararam renda anual tributável superior a R$ 10 milhões no Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) de 1999. Segundo a pesquisa consolidada pela Receita Federal, todos esses contribuintes são residentes na Região Sudeste. Entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, apenas 26 contribuintes declararam esses rendimentos anuais no IRPF 1999, sendo que 24 estão no Sudeste, um no Sul e um no Nordeste.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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