Neste momento delicado politicamente, quando o Estado do Rio de Janeiro – a segunda economia do país – corre o risco da perda de parcela expressiva da indenização sobre a produção de petróleo e gás, oriunda de sua plataforma continental, surgem indicadores que revelam fragilidade em sua dinâmica produtiva e capacidade de reação a tão expressivo golpe fiscal, financeiro e institucional.
O relatório intitulado ” A conjuntura econômica no Estado do Rio de Janeiro”, publicado na mais recente edição do Jornal do Economistas do Conselho Regional da categoria, afirma peremptoriamente que “o Rio vem crescendo abaixo da média nacional, desde 2003, com exceção apenas do ano de 2009”. O texto afirma ainda que o ano de 2012, em especial, foi bem menos positivo, em relação ao desempenho da economia no país, em decorrência da menor produção de caminhões entre outros ramos industriais.
A própria Fundação Ceperj – órgão de pesquisas estatísticas do estado – admite em seu comunicado da primeira quinzena de março que a trajetória da produção industrial fluminense encerrou 2012 com uma retração de 5,6% em relação ao ano anterior. Neste contexto, os setores mais atingidos foram os intensivos em mão-de-obra (têxtil, alimentos e bebidas), bem como a indústria automobilística citada pelos economistas da Universidade Federal Fluminense que assinaram o relatório publicado pelo Corecon.
No que se refere aos indicadores de emprego formal, a situação também é de inegável desconforto. De acordo com os dados do Caged, em todas as atividades econômicas houve desaceleração do ritmo de crescimento da ocupação, de modo tal que, em 2011, registrou-se a geração de 168 mil postos de trabalho, contra apenas 105 mil em 2012 – o que representa uma queda de 40%, inegavelmente acentuada.
Diante da expectativa de eventos de porte como Copa do Mundo e Olimpíadas, ou da enorme quantidade de plantas industriais em implantação, como o Comperj, ou projetos logísticos, como o Arco Metropolitano, que fatores estariam na raiz desta volta ao baixo dinamismo de nossa economia fluminense?
Muitos analistas tinham em conta que, diante do atual contexto de atração de investimentos de grande envergadura, haveria uma possibilidade concreta de o território fluminense, finalmente, superar sua secular inércia. No entanto, as evidências não confirmam este prognóstico até o presente momento.
Outra pergunta que surge é até que ponto a alta dependência do petróleo na matriz produtiva do estado e a desaceleração da produção associada à recente crise da Petrobras estariam influenciando este resultado.
Na verdade estamos falando de uma economia que conta com um parque científico e tecnológico de alta qualidade, que conta com uma mão-de-obra altamente produtiva e especializada, bem como um núcleo de economia criativa em franca expansão. Com a palavra, nossas lideranças políticas, empresarias e comunitárias e suas responsabilidades sobre o futuro da terra fluminense.
Ranulfo Vidigal
Economista, mestre e doutorando do PPED-IE-UFRJ.















