Sintonia

A reunião eleitoral no Claro Hall, noticiada quarta-feira por essa coluna, não é fato isolado. Em Miguel Pereira, cidade da Centro-Sul do Rio de Janeiro, o prefeito Roberto de Almeida reuniu contratados pela prefeitura na Associação Atlética Boavista para, digamos, estimular o voto na chapa Frankstein – Lula, Sérgio Cabral e Dornelles.

O desafio de Heloísa
Independentemente do resultado que venha a colher nas urnas, a candidata do PSOL à presidência da República, senadora Heloísa Helena, é credora de contribuição ainda imensurável, mas desde já indispensável: buscar romper a polarização dos siameses PT/PSDB. De fato, num país que detém a triste condição de ser a quinta nação mais desigual do mundo, soava como expressão mais acabada da razão cínica que a luta eleitoral congelasse como um dogma a principal causa da nossa tragédia social: uma política econômica que condena o Brasil a não crescer, em média, acima de 2,2% ao ano, por já cerca de uma década e meia.
Sua campanha decolou alavancada pelo clamor nacional de reconstituição dos padrões republicanos na política nacional. Sua participação ativa nas CPIs e sua coerência com os princípios e propostas que levaram Lula ao poder lhe deram visibilidade nacional, transformando-a num desaguadouro para muitos brasileiros que, restritos aos siameses, se sentiriam excluídos do processo eleitoral. Um país que se pretende uma nação, no entanto, não se restringe à necessidade indispensável de ter dirigentes probos; demanda líderes, preferencialmente estadistas, portadores da capacidade de liderar um projeto nacional.
Depois de escalar geometricamente as pesquisas, a senadora, com o início do horário eleitoral, viu-se diante do desafio de produzir, em pouco mais de um minuto, um discurso que a distinguisse dos seus adversários, portadores de verdadeiros latifúndios de tempo no horário eleitoral, sem restringir sua campanha ao discurso moralista ou messiânico. Embora a clamorosa desproporção de forças já fosse obstáculo suficientemente poderoso para ser furado por um partido ainda em construção, a candidata do PSOL poderia ter construído condições mais favoráveis para travar esse enfrentamento se calibrasse melhor seu discurso. Para isso, era necessário concentrá-lo nos aspectos essenciais da política econômica que a diferenciam de Lula e Alckmin, como a denúncia da tentativa de desmonte da Previdência, do arrocho fiscal que paralisa os investimentos, dos juros elevados e da mercantilização da Saúde e da Educação.
Apesar do tempo escasso e, principalmente, da ação avassaladora da mídia que reduziu a cobertura eleitoral à polarização de iguais, Heloísa nem sempre aproveitou da melhor forma as brechas existentes. Além disso, nos últimos dias os chamamentos a votos “úteis” dos dois siameses que, ironicamente, apesar do mesmo DNA, se apresentam como a única antítese da sua cara metade, são alimentados por interesses muito mais poderosos que as forças que o PSOL pode mobilizar, o que pode fazer com que sejam sugados apoios até então anunciados.
Apesar dessas limitações políticas e independentemente do tamanho com que saia das urnas, a senadora ocupou importantes espaços no vácuo aberto pela capitulação do PT. Heloísa, agora, precisa entender seu papel nessas eleições como o do jardineiro que planta suas primeiras sementes. Para que floresçam, precisam ser cuidadas, o que, a partir de 2007, significa ampliar o campo político – e não apenas eleitoral – para construir uma alternativa mais efetiva para os que desejam um país muito além da reducionista combinação do paraíso dos rentistas e especuladores com o do sopão do Bolsa-Família.

Poder naval
O Museu Naval, no Rio de Janeiro, será reaberto à visitação pública nesta quinta-feira, funcionando de terça a domingo, das 12h às 17h. Sediado em um prédio de mais de 100 anos, no Centro da capital, o museu volta ao cenário cultural da cidade com uma nova exposição permanente, O Poder Naval na Formação do Brasil. Também será apresentada a mostra temporária Retratos Marinheiros. Ingressos R$ 4 (R$ 2 para estudantes e pessoas acima de 60 anos); informações pelo telefone (21) 2104-5506.

Gestão
A empresária e professora Rosangela Catunda lança nesta quinta o livro Benchmarking – Uma ferramenta para a excelência da gestão (Editora Fundo de Cultura). A partir de 19h, na Livraria Letras e Expressões (Av. Ataulfo de Paiva, 1292, loja C, Leblon, RJ).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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