Com o período de declaração do Imposto de Renda 2026 em andamento – iniciado em 23 de março e com prazo até 29 de maio – cresce a atuação de criminosos que se aproveitam da preocupação dos brasileiros com pendências fiscais. Pesquisadores da Eset identificaram um site falso que simula páginas oficiais da Receita Federal para enganar usuários e induzi-los a realizar pagamentos indevidos.
A fraude começa com mensagens enviadas por e-mail, SMS, WhatsApp ou redes sociais, alertando sobre o que seria CPF irregular ou pendência com a Receita. Ao clicar no link, o usuário é direcionado para uma página que imita o Portal Oficial de Serviços ao Cidadão da Receita Federal, com aparência e linguagem institucional para transmitir credibilidade.
Ao inserir o CPF para o que seria umaa consulta gratuita, o usuário recebe uma mensagem alarmante informando que o documento está em situação de alto risco fiscal, com a indicação de um prazo curto – muitas vezes no mesmo dia – para regularização. Em seguida, o site exibe informações pessoais reais, como nome completo e filiação, possivelmente obtidas a partir de vazamentos de dados, aumentando a sensação de legitimidade.
Na etapa seguinte, a página apresenta consequências graves que a vítima poderia estar sujeita caso o pagamento não seja feito imediatamente, como bloqueio de contas bancárias, restrições de crédito e impedimentos para transações via Pix. Um falso relatório detalhado com valores, juros e multas reforça a narrativa de dívida ativa.
Ao final, o usuário é direcionado para um pagamento via Pix com a promessa de regularizar o CPF – mas o valor vai diretamente para os golpistas.
Para Thales Santos, especialista em segurança da informação da Eset Brasil, o golpe combina elementos sofisticados de engenharia social com o uso estratégico de dados reais para aumentar sua taxa de sucesso.
“Os criminosos estão explorando um momento de alta sensibilidade para os brasileiros, que é o período de declaração do Imposto de Renda. Ao combinar mensagens urgentes com dados pessoais legítimos, eles criam um cenário extremamente convincente, levando a vítima a agir por impulso. Esse tipo de ataque mostra como a engenharia social evoluiu e se tornou mais personalizada e perigosa”, afirma o especialista.
Ainda segundo ele, “quando o usuário acredita que pode sofrer penalidades imediatas, como bloqueio de contas ou multas, ele tende a não questionar a veracidade da mensagem. Esse senso de urgência é justamente o que os golpistas exploram para acelerar a tomada de decisão e evitar qualquer verificação.”
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