Só 3 em 10 ainda consideram Bolsonaro bom ou ótimo

A semana foi francamente negativa para a popularidade do governo, com crescimento na avaliação de ruim/péssimo. O levantamento foi apurado em levantamento da Modalmais com a AP Exata. Os embates com Dória, relacionados à vacinação fragilizaram a posição do Governo como protagonista do processo de imunização no país. A exibição pública de conversas de bastidores sobre acordos com o Centrão e o envolvimento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na defesa de Flávio Bolsonaro no caso das “rachadinhas” criaram problemas de imagem que nem a militância digital mostrou interesse em defender. O caso de Flávio levou opositores a redobrar os pedidos de impeachment do presidente da República.

Bolsonaro depende da “guerrilha” governista nas redes para o defender de ataques e promover as narrativas do governo. O episódio da conversa vazada de ministros causou um vácuo de explicações nas redes e alguns sinais de desencanto progressivo com um Bolsonaro menos empenhado em governar pelo confronto e cedendo à negociação com o Centrão.

Esta semana foi palco de vários acontecimentos importantes no tema da imunização. João Dória e o ministro Eduardo Pazuello foram protagonistas, com resultados que favorecem claramente o governador de São Paulo. Perfis de direita anti-Bolsonaro e esquerda aclamaram Dória pelo sucesso da compra da CoronaVac, mesmo reconhecendo que existe motivação política.

Pazuello foi rechaçado pela aparente desorientação na liderança da pasta. A possibilidade de o Ministério da Saúde confiscar todas as vacinas, incluindo as doses produzidas pelo Butantan, recebeu reações muito negativas da oposição.

A apresentação da candidatura de Arthur Lira, com apoio do presidente da República e partidos do Centrão, foi outro tema quente da semana. O candidato é muito rejeitado nas redes e não é considerado uma opção melhor que Rodrigo Maia. A esquerda o atacou por ser protegido de Bolsonaro e, previsivelmente, mais sensível a colaborar com as pautas governistas. Bolsonaristas desconfiam dos políticos do Centrão e estão cada vez mais insatisfeitos com a tolerância demonstrada por Bolsonaro no trato com esses personagens. Eles acreditam que Lira está costurando acordos com a esquerda para acabar com pautas de combate à corrupção.

Rodrigo Maia está demonstrando dificuldades para formar um grupo coeso para rivalizar com Lira. As redes sinalizaram que a escolha ficará entre Aguinaldo Ribeiro (PP) e Baleia Rossi (MDB) e levará o candidato que tiver mais apoio do PT. Críticos do presidente da Câmara o acusaram de ter superestimado a chance de reeleição, perdendo oportunidade de emplacar um candidato antes da decisão do STF.

O candidato do governo tem rejeição de grupos da direita e da esquerda nas redes sociais.

O levantamento também encontrou com frequência conversas sobre o crescimento da fome no país.

Opositores acreditam que a pandemia aliada a uma condução deficitária da crise sanitária no país está criando um número crescente de pessoas vulneráveis, desempregadas e, em 2021, sem auxílio emergencial. Eles pressionam por um programa de redistribuição de renda que atenda a estas pessoas sem outros recursos.

Uma das razões recorrentes apontadas para o empobrecimento da população é a inflação sentida em produtos da cesta básica, combustíveis e gás. O tema ficou mais em evidência quando o presidente da República anunciou que iria zerar os impostos de importação de armas. Os comentários foram mais negativos que o habitual nas redes de Bolsonaro, cobrado para intervir nos preços de alimentos e outras necessidades básicas.

Governistas aplaudiram o cumprimento de promessas eleitorais e argumentaram que a alta de preços de alimentos é causada por impostos estaduais e não federais.

O descontentamento de caminhoneiros com o preço de combustível foi motivo de preocupação para analistas, que temem novas paralisações. A esquerda culpou os caminhoneiros pela participação na eleição do presidente da República e não demonstraram solidariedade com a classe.

As menções negativas a Bolsonaro vêm subindo desde domingo, culminando com 68% de citações críticas no sábado. Polaridade nos últimos cinco dias: A questão do imbróglio envolvendo os governadores e o governo na compra da vacina parece ter sido o ponto de virada para piora na avaliação do presidente da República.

A confiança seguiu um percurso paralelo à polaridade de queda, como esperado.

E à medida em que o governo prepara o plano de imunização do país de forma conturbada, assistimos a um crescimento preocupante de movimentos antivacina. Em grande parte, governistas, estes perfis compartilham informação duvidosa sobre a eficácia de vários medicamentos chamados de “kit Covid”.

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